5 fatos que devem mudar a história do Brasil em 2016

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Olimpíadas, votação definitiva do Impeachment, eleições municipais, cassação de Eduardo Cunha e a delação premiada da Odebrecht marcarão os próximos meses na história do Brasil.

Análise / Opinião – Rafael Bruza

mudar brasilA partir das 20h dessa sexta-feira (05), começam quatro meses fundamentais para a história e o futuro do Brasil. Além da votação definitiva do Impeachment, das eleições municipais, da votação de cassação de Eduardo Cunha e da delação premiada da Odebrecht, o primeiro acontecimento é a abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, os primeiros jogos de verão realizados na América do Sul.

O evento acontece num momento de instabilidade política e econômica no maior país do continente, o Brasil. São esperadas vaias a Michel Temer, que serão abafadas pela organização do evento, e a ocorrência de protestos políticos contra o governo interino é iminente.

A CUT tenta organizar uma greve geral durante a realização dos jogos em paralelo com a “denúncia” do “golpe” no Brasil, ocorrido através do Impeachent, na visão dos sindicalistas e simpatizantes de Dilma Rousseff.

Crianças observam desfile das Olimpíadas no Parque Madureira, zona norte do Rio de Janeiro / Foto – Reprodução (Agência Brasil)
Crianças observam desfile das Olimpíadas no Parque Madureira, zona norte do Rio de Janeiro / Foto – Reprodução (Agência Brasil)

Além disso, os jogos vêm recebendo severas críticas na sociedade, tanto porque os principais benefícios financeiros das Olimpíadas (como a bilionária verba de direitos de TV) ficam com os organizadores e empreiteiras, quanto pela situação financeira do Brasil, que é delicada e pode a piorar com os altos custos do evento.

Mas, a despeito disso e de problemas pontuais que com certeza acontecerão, os jogos acontecerão normalmente e serão mostrados como uma festa pela mídia nacional e internacional, que têm muito interesse em torno dos patrocinadores, mas não deixarão de denunciar fatos específicos negativos para o evento, que ocorram durante o mês olímpico.

2. A decisão final do Impeachment

Comissão Especial do Impeachment se reúne para apresentação e leitura do relatório final, do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) sobre o pedido de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff / Foto - Reprodução (Agência Brasil)
Comissão Especial do Impeachment se reúne para apresentação e leitura do relatório final, do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) sobre o pedido de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff / Foto – Reprodução (Agência Brasil)

Pouco depois do fim das Olimpíadas, que terminam dia 21 de agosto, o Brasil entra provavelmente em um dos momentos mais decisivos de sua história. Estima-se que entre agosto e setembro ocorra a votação definitiva do Impeachment no plenário do Senado Federal, que durará cerca de 5 dias, terá presença do presidente do STF, Ricardo Lewandowski e decidirá se Dilma Rousseff retorna à Presidência da República ou se Michel Temer assume seu mandato até 2018.

Os aliados de Temer precisam de dois terços dos votos dos senadores (cerca de 81 votos) para impichar Dilma Rousseff definitivamente. Mas se a presidente afastada tiver apoio de 27 senadores (um terço dos votos), o processo é arquivado.

O Mapa da Democracia e o do Impeachment, que fazem estimativas sobre como os senadores votarão na votação, mostra que o resultado está aberto.

Os dois concordam que há 45 deputados a favor do Impeachment, mas divergem em relação aos contra (o Mapa da Democracia diz que 19 senadores são contra o impedimento, enquanto o do Mapa do Impeachment diz que são 23).

Há mais de 10 políticos indecisos segundo ambos os levantamentos (13 segundo o Mapa do Impeachment, 17 segundo o da Democracia), que deixam o resultado imprevisível e os dois lados da polarização articulam para obter votos contra ou a favor o processo de Impeachment.

Dilma pretende lançar uma carta ao povo defendendo a realização de plebiscito para realizar novas eleições, em proposta que não é bem vista por parte do PT e de seus simpatizantes, pois anula o discurso do golpe e concede aparente legitimidade ao processo de impedimento, mas que pode convencer senadores a votarem contra o processo, pois pesquisas de opinião apontam uma maioria favorável à nova decisão nas urnas.

Atualização: o presidente nacional do partido, Rui Falcão, disse que o PT não apoiará nobas eleições, contrariando a presidente afastada.

De qualquer forma, para fazer novas eleições, é preciso que o presidente interino, Michel Temer, renuncie junto com todos os congressistas (deputados e senadores) com mandato vigente, pois se apenas um fizer reivindicação no STF, as eleições seriam consideradas inconstitucionais e nada aconteceria.

Por isso parte do PT tenta viabilizar um plebiscito que dê legitimidade às eleições. Caso contrário, não terá força política par promover o novo pleito.

Em contrapartida, Michel Temer faz o possível para transmitir imagem de segurança e estabilidade, no intuito de evitar cenários de turbulência que fortaleçam os planos de Dilma e inviabilizem seu mandato até 2018.

Então, resumindo: o Impeachment está aberto e só saberemos o que vai acontecer quando as coisas de fato acontecerem.

3. Eleições municipais

Após a decisão do Impeachment (ou não, a depender do que aconteça), eleitores de todo país irão às urnas em outubro para decidir quem são seus vereadores e prefeitos.

urna eletronicaQuem acusa as urnas eletrônicas de abrirem possibilidade de fraude devem ficar especialmente atentos com essas votações, pois muitas delas são decididas em apenas algumas dezenas de voto e é a chance de fraude é muito maior do que numa eleição presidencial ou para governador, por exemplo (Dilma e Aécio tiveram 3 milhões de votos de diferença, o que complica muito a fraude, ao contrário de votações para prefeito que são decididas com pequena diferena de voto).

Cabe lembrar que as eleições municipais também tendem a definir o clima político para a disputa presidencial de 2018, assim como as votações de 2012 começaram a dividir o país na polarização política que marcou a disputa eleitoral de 2014 e o Impeachment de Dilma Rousseff.

Então os analistas ficarão atentos para observar essas tendências e também observarão os resultados do PT sem as alianças tradicionais. O partido se distanciou de partidos como o PMDB e o PP, que eram antigos aliados, depois que essas siglas votaram a favor do impedimento e buscou aliança com partidos menores nas capitais, em situação que pode unir a esquerda ou gerar isolamento do partido nas disputas municipais.

Veremos.

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha / Foto - Reprodução
O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha / Foto – Reprodução

4. Cassação de Eduardo Cunha

A cassação do deputado Eduardo Cunha, que é um doa maiores desejos de boa parte da população, pode acontecer em 2016. O novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM – RJ), disse que espera um acordo entre líderes partidários para marcar a data da votação que pode cassar o mandato de Cunha, tirando-o da Câmara dos deputados de uma vez por todas.

A cassação pode mudar a história do Brasil se considerarmos o que Cunha sabe sobre aliados políticos e o que Cunha diria caso se sinta traído.

Então a situação pode tomar enormes proporções. E, mesmo que não tome, derrubar um poderoso deputado da Câmara trata-se de uma mínima conquista dentro das frustradas tentativas da sociedade em tirar cidadãos corruptos do Congresso Nacional.

Agora resta saber o que acontece.

Entre atrasos, má vontade de deputados, blindagens a Cunha e manobras, o processo de cassação finalmente ficou pronto para votação. Na verdade, está pronto desde julho. E uma maioria simples (257 deputados) pode expulsar o polêmico deputado da “casa do povo”, tendo em vista que ele mentiu na CPI da Petrobrás, segundo decisão do Conselho de Ética, e supostamente tem contas na Suíça.

Mas tendo em vista que Cunha costuma surpreender em suas articulações políticas, recomendo que a sociedade continue pressionando por sua cassação, assim como por seu julgamento e de sua mulher. Se o Brasil realmente quer passar a corrupção a limpo, deve começar atingindo um dos suspeitos que possui maior poder no país. E esse suspeito é ninguém mais ninguém menos do que Eduardo Cunha.

5. Delação da Odebrecht

Em comparação com os outros 4 fatos desse artigo, a delação premiada de Marcelo Odebrecht parece pouca coisa. Mas as expectativas por trás dessas delações são enormes, devido à proporção que as denúncias podem atingir.

O presidente da Organização Odebrecht, Marcelo Odebrecht / Foto - Reprodução
O presidente da Organização Odebrecht, Marcelo Odebrecht / Foto – Reprodução

A imprensa vem noticiando que o empresário se reuniu pela primeira vez com integrantes da força-tarefa da operação para tentar o acordo de delação premiada. Segundo o jornal O Globo, na quinta-feira (04), ele fez depoimento de cerca de 10 horas em Curitiba, onde atuam os procuradores e juízes da operação, e indicou a quatro procuradores que pretende explicar em detalhes como fez pagamentos ilícitos a políticos de vários partidos nos últimos anos.

Os jornais dizem que 51 executivos e gerentes da empreiteira contribuíram com as investigações e apontam que a Odebrecht pretende apresentar provas que envolvem 35 senadores, 13 governadores e dezenas de prefeitos, além de integrantes do Governo Federal.

Talvez essa previsão não se cumpra, mas caso ocorra de fato, o cenário político do Brasil será afetado em todos os níveis: federal, estadual e municipal, a depender de quem for citado por Odebrecht.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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