A corrupção contribuiu com a situação emergencial do sistema de saúde do Amazonas na crise do coronavírus

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Desvios de recursos, atrasos de salário e contratos superfaturados obviamente prejudicaram o sistema de saúde amazonense, que deve entrar em colapso na crise atual do coronavírus

Autor Anônimo – Edição e Apuração de Rafael Bruza

Amazonas usa contêineres frigoríficos para corpos de vítimas do coronavírus

A pior situação dos estados do norte do Brasil é a do Amazonas. Sem leitos de UTI, respiradores e recursos humanos, o governo do Estado está equipando seus hospitais lotados com pacientes infectados pelo coronavírus, com contêineres frigoríficos para acondicionamento de corpos das vítimas da doença. Com a situação de colapso no sistema de saúde, o governo já prevê “convulsão” e “revolta” da população.

Por trás destas informações de caos, é importante lembrar que os problemas no sistema público de saúde do Amazonas existiam desde antes da crise do coronavírus. Problemas estes gerados por fraude, atrasos de salários de profissionais de saúde e desvio de recursos.

A situação se arrasta do passado. Um grupo capitaneado por três irmãos do Omar Aziz governador do estado de 2010 até 2014, a esposa dele e alguns médicos se uniram para desviar recursos da saúde para suas contas pessoais, na época em que governaram. As investigações apontam um valor próximo a 100 milhões desviados neste período.

Em 2014, Omar Aziz se candidatou ao Senado, e seu vice José Melo ao governo do Estado. Melo foi eleito e os esquemas de desvio continuaram. Segundo as investigações, foram desviados mais de 250 milhões dos recursos da saúde.

Lógico que se muitos milhões foram desviados, haveria um dano dentro do sistema público. Ou seja, a situação dos hospitais vem agravando progressivamente desde 2014.

Em 2016, o governo Melo tirou a verba do setor de eventos culturais, incluindo a do Festival de Parintins e disse que iria redirecionar  a verba para a saúde, porém, também desviaram essa verba.

Ainda no segundo semestre de 2016, começaram a morrer pessoas por falta de atendimento hospitalar, tratamentos e falta de remédios.

Em 2017, o mandato de Melo foi cassado por ter sido eleito com compra de votos e assumiu Davi Almeida. Que parecia ser um bom político, mas, teve pouco tempo para trabalhar.

Davi Almeida concorreu a eleição de 2018 para governo, mas, quem venceu foi Wilson Lima, jornalista que tinha um programa de TV semelhante ao de Datena. Wilson trabalhava (e trabalha) para o principal grupo de comunicação do estado.

Indícios apontam que o governo tem feito compras super faturadas de respiradores e outras ações que demonstram irregularidade em compras públicas de combate a pandemia.

Manaus a capital do estado, por sua vez, entrou em uma onda quase coletiva de fanatismo e 65% dos votos da cidade foram para eleger Bolsonaro presidente do Brasil.

Em 2019, aconteceram muitos conflitos entre o governo do estado e médicos da rede pública, principalmente na área de cirurgia. Entre tantos problemas os profissionais ficaram sem receber salários por mais de 5 meses o que os levou a uma paralisação.

Os problemas na área da saúde continuaram, em fevereiro o governo demitiu vários profissionais experientes de um dos maiores hospitais de Manaus e contratou várias pessoas sem experiência.

Em fevereiro de 2020, não necessária uma bola de cristal para saber que era uma questão de dias para o vírus chegar no Brasil e consequentemente no Amazonas.

O vírus chegou. Muitas pessoas não deram atenção ao pedido de isolamento e ainda continuam duvidando se é verdade que o coronavírus representa um perigo. E seguiram com suas vidas, desobedecendo as orientações de restrições para aglomerações.

Agora a situação é a que a imprensa vem mostrando: corpos de mortos próximo a de doentes internados. E quem está adoecendo nestes dias não tem mais conseguido atendimento. O sistema está prestes a colapsar.

Tudo isto num contexto de corrupção, atrasos de pagamento, desvios de recursos e compras superfaturadas – aquele velho “vírus” que sempre contaminou a política brasileira e prejudica as pessoas mais necessitadas, inclusive em contexto de uma grande crise sanitária, como esta.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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