A juventude clama por direitos na Alesp

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Finalmente, uma ‘casa do povo’ foi completamente dominada por ele, o povo.

Estudantes gritam em cima da mesa diretora da Alesp / Foto – Reprodução (Mídia Ninja)
Estudantes gritam em cima da mesa diretora da Alesp / Foto – Reprodução (Mídia Ninja)

Opinião – Rafael Bruza

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Estudantes protestam no plenário da Alesp / Foto – Reprodução (Jornalistas Livres)

A ‘ocupação’ da Assembleia Legislativa no Estado de São Paulo (Alesp) realizada pelos estudantes secundaristas nesta terça-feira não foi obra do acaso. Nada é. Em 2016, os manifestantes foram várias vezes a essa casa exigir investigação dos desvios de dinheiro do contribuinte que deveria ser usado para comprar merendas aos alunos. Mas nunca receberam atenções da mídia ou dos deputados.

Pelo contrário.

Todas as vezes que estiveram nessa Alesp comandada politicamente pelo tucano Geraldo Alckmin e por alguns representantes da política velha, branca e rica do Estado, os estudantes foram insultados e mal recebidos por deputados que logo são vistos em horários eleitorais de seus partidos jurando que trabalham pela educação da sociedade brasileira.

Mas essa juventude não acredita mais nesses políticos.

Eles se informaram, se uniram e encontraram nas ocupações de suas próprias escolas uma forma de cobrar seus direitos. Querem merenda para todos, melhores condições dentro da escola e que o Estado deixe de transferir alunos sem o consentimento deles. No geral, portanto, desejam politicamente que o Governo do Estado melhore a situação da escola pública estadual.

Com a persistência dos movimentos estudantis e com gritos de “ocupar e resistir”, 70 estudantes entraram no plenário Juscelino Kubitschek e imediatamente subiram na mesa diretora da casa, presidida justamente por um dos suspeitos no escândalo do desvio das merendas, o ex-promotor de “Justiça”, Fernando Capez (PSDB).

Logo o número de manifestantes subiu a cerca de 300, em dados dos próprios estudantes, e eles fizeram acordos para manter a ocupação na Alesp, mas sem deixar de temer uma Tropa de Choque da Polícia Militar disposta a agredir menores de idades sem nenhum tipo de compaixão.

Dessa forma ousada e espontânea, os estudantes fazem reivindicações justas, muitas vezes ignoradas por uma imprensa que prefere dar mais voz a pessoas de seu interesse, como Kim Kataguiri, cuja visão se estreita a enxergar apenas um “recrutamento de traficantes” nas escolas públicas.

Mas ignorando essa direita que ainda resiste em apoiar as intenções do movimento estudantil brasileiro, as ocupações continuarão trabalhando para realizar a CPI da merenda e frear a ‘reorganização escolar’ realizada com maquiagem e conta-gotas no Estado.

Cerca de 2.800 salas de aulas foram fechadas pelo governo, sendo que 70 mil novas matrículas foram feitas na escola pública estadual em 2016, segundo dados da Rede Escola Pública e Universidade não confirmados pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

Os estudantes indignados com o desvio de dinheiro e as mentiras de um governo que ainda é protegido pela mídia corporativa, a única autorizada a participar da entrevista coletiva de Fernando Capez na terça-feira (03), enquanto a imprensa independente da Internet, que foi a primeira a chegar na Alesp, teve que aguentar esse claro atentado contra a liberdade de imprensa, que deveria se estender aos padrões digitais do século XXI, ainda mais em situações excepcionais como esta.

https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/364417073682176/Mas a cara de pau não acaba por aí.

Esse mesmo Fernando Capez acredita que o “cansaço” irá retirar da Alesp os cerca de 70 estudantes que seguem na casa na manhã desta quarta (04). Mas o presidente supostamente envolvido na “máfia da merenda” não diz que esse “cansaço” também envolve esgotamento físico e moral dos manifestantes: a entrada de alimentos foi proibida e todos os acessos da Alesp estão bloqueados pela PM.

Além disso, a Justiça será acionada para a realização da reintegração de posse que deve gerar confronto entre estudantes, deputados e policiais.

Tudo isso para garantir que os estudantes saiam quanto antes da casa do povo.

Esperemos que todos tenham bom senso para fazer acordos entre si (pessoalmente acho justo criar a CPI da merenda para fazer jus a luta contra a corrupção que muitos desses deputados a favor de Alckmin disseram combater nas jornadas a favor do Impeachment).

Enfim, se você simpatiza com essa causa, os estudantes precisam mais do que o essencial apoio cidadão.

Pedem colchões, cobertores e principalmente comida para as ocupações, que devem surgir nos próximos dias, seguindo o exemplo dos jovens que fizeram algo praticamente inédito na política brasileira: levar parte do povo a ‘casa do povo’.

A vida desses jovens está apenas começando. Há muito por fazer.

https://www.facebook.com/mal.educado.sp/videos/799387633528317/

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