A Operação Lava a Jato provou sua imparcialidade com a prisão de Cunha?

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Para alguns, prisão de Cunha mostra como acusações de seletividade são falsas, para outros, prisão é apenas pretexto para prender Luiz Inácio Lula da Silva sob um discurso de imparcialidade.

Opinião – Por Rafael Bruza

O ex-deputado, Eduardo Cunha, embarca para Curitiba em um avião da Polícia Federal / Foto - Reprodução (Agência Brasil)
O ex-deputado, Eduardo Cunha, embarca para Curitiba em um avião da Polícia Federal / Foto – Reprodução (Agência Brasil)

Eduardo Cunha foi o primeiro líder do PMBD preso na Lava a Jato. Antes dele, a força-tarefa de Curitiba promoveu a prisão de Vacari, André Vargas, Delcídio do Amaral, José Dirceu, “Guido Mantega” (que teve prisão revogada) e Palocci. Todos eram do Partido dos Trabalhadores.

Gleisi Hoffman, Paulo Bernardo e Luiz Inácio Lula da Silva são réus das investigações da operação.

O PP é o partido mais investigado pela força-tarefa (32 congressistas e 8 ex-líderes de governo), mas o partido não foi profundamente abalado. Nas eleições municipais, elegeu mais prefeitos do que em 2012, assim como o PMDB, outro investigado da operação.

Tudo isso, somado ao Impeachment de Dilma Rousseff, faz defensores do Partido dos Trabalhadores dizerem que as investigações da Operação Lava a Jato são seletivas e afetam apenas políticos do PT.

Mas, com a prisão de Cunha, jornalistas da Grande Imprensa começaram a dizer que as acusações de seletividade são falsas, pois o ex-presidente da Câmara dos Deputados é um peixe grande do PMDB, partido de Temer, e está detido na Polícia Federal de Curitiba nesta quarta-feira (19).

Felipe Moura, da revista Veja, fez um post dizendo que a prisão “demole narrativa vitimista do PT”. Cristiane Pelajo, da GloboNews (Grupo Globo), também questionou as acusações de seletividade e perseguição durante seu programa, afinal de contas, defensores de Dilma repetiram muitas vezes que o Impeachment “foi feito para salvar Eduardo Cunha”.

Os militantes do Partido dos Trabalhadores, no entanto, estão mais preocupados com uma eventual prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, que supostamente será feita pela força-tarefa de Curitiba sob argumentos de que “a operação é imparcial, pois prendeu Cunha”.

Ou seja, a esquerda ainda acredita que a operação é seletiva.

Eles entendem que o ex-deputado foi abandonado pelos líderes do Impeachment há muito tempo e que esta prisão não muda nada em relação à politica nacional, principalmente porque Cunha já era carta fora do baralho e sua prisão era, no mínimo, obrigação das autoridades.

Uma publicação da Revista Fórum, alinhada ao PT, divulga declaração do cientista político e Diretor do InPro (Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais), Benedito Tadeu César que corrobora essa visão.

“Cunha foi descartado apenas por que já cumpriu seu papel ao protagonizar o impeachment. Acho que isso é o preâmbulo da prisão de Lula. Estão dando uma aparência de imparcialidade, de isenção, para preparar o mínimo de legitimidade nessa prisão do Lula”, afirma Tadeu César.

Essas opiniões existem porque no, campo político, a Operação Lava a Jato atingiu principalmente o Partido dos Trabalhadores, como disse acima.

Há delações que citam Aécio Neves. Há prisões de aliados do Governo Temer, como o próprio Cunha. E também há suspeitas que incidem sobre Renan Calheiros (um articulador da PEC 241), Valdir Raupp (PMDB – RO) e Romero Jucá (exonerado do Ministério do Planejamento pelo áudio em que cita o Impeachment como recurso para deter a operação), todos líderes políticos de partidos hoje governistas.

Mas, por enquanto, apenas o Governo do Partido dos Trabalhadores foi derrubado de um Governo no seio das investigações da Operação Lava a Jato.

Cunha foi o primeiro líder do PMDB preso pela operação, enquanto Temer está de viagem no Japão, do outro lado do mundo, distante da polêmica daqui. Se o Palácio do Planalto ficar quieto, não será atingido nessa prisão de Eduardo Cunha.

Então a prisão não é suficiente para mostrar vontade de investigar o Governo Temer e cidadãos à esquerda continuarão desconfiando da operação, pois (1) procuradores e o próprio juiz federal Sérgio Moro foram aos Estados Unidos fazer cursos anticorrupção e (2) na volta fizeram investigações que politicamente contribuíram com a queda de Dilma Rousseff da Presidência da República.

Mas sem dúvida a prisão abre espaço para uma eventual delação premiada do ex-deputado, que pode atingir profundamente aliados do Governo ou o próprio Temer.

Caso isto aconteça e as investigações comecem a realmente atingir Michel Temer, teremos uma prova inegável de que a Operação Lavas a Jato é absolutamente imparcial, pois seria fácil de enxergar a falta de vínculo entre Moro, procuradores e o Governo “eleito” via Impeachment.

Tanto é que os senadores Lindbergh Faria (PT-RJ) e Humberto Costa (PT-PE) gravaram um vídeo comemorando a prisão de Cunha e manifestando desejo de que ele feche delação premiada para atingir o Governo.

Onde já se viu petista pedindo mais investigações da Operação Lava a Jato? Só agora, após prisão de Cunha e as possibilidades que surgem com a mesma.

Portanto a prisão de Cunha não acaba com as acusações de seletividade, mas os procuradores ainda têm chance de demonstrar sua imparcialidade.

Caso avance sobre o Governo Temer, a operação entrará para a história como a rede de investigações que derrubou empresários e políticos poderosíssimos de diversos partidos com objetividade e neutralidade política.

Mas se não houver avanço sobre o Governo Temer diante das suspeitas que incidem sobre seus aliados, a força-tarefa de Curitiba será lembrada apenas como “aquela que ajudou a derrubar uma presidente de esquerda no Brasil”, um rotulo não muito diferente do que fizeram aliados dos militares em 1964.

Espero de coração que o pessoal de Curitiba siga um caminho diferente. E, sinceramente, acredito que é isso que acontecerá.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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Discussion1 Comentário

  1. provou o que mesmo?
    Ha só prova o quanto a JUSTIÇA só age ao BEL PRAZER!
    FORA TEMER e leve junto todos que comungam como PMDB E PSDB.
    Essa seninha ridículo não convence à quem sabe interpretar o contexto atual, afinal porque só agora o MORO acha o endereço do CUNHA. Afinal onde está mesmo a parcialidade?