‘A reação da sociedade me dá esperança’, diz Manuela D’Ávila após o Roda Viva

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(Assista na íntegra) Questionada sobre a Lei Ficha Limpa, a pré-candidata do PCdoB também disse que subestimou os julgamentos de políticos como Lula.

Repórteres: André Henrique, Bruna Pannunzio / Edição de Rafael Bruza

Em evento com cerca de mil pessoas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nesta quinta-feira (28), a pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, declarou que a reação da sociedade à sua entrevista no Roda Viva foi “extraordinária”. Simpatizantes de Manuela acreditam que ela foi alvo de machismo durante a sabatina na TV Cultura, na última segunda-feira (25), enquanto outros internautas defendem os entrevistadores do programa (veja abaixo).

“O que há de novo nisso não é o fato. Tenho 14 anos de mandato, é a sétima eleição que disputo e são sete eleições que sou submetida a esse tratamento. O que há de novo e extraordinário é a reação da sociedade brasileira a isto. Isso é o novo e isso é positivo. Então isso me faz ter esperança”, disse a pré-candidata durante coletiva de imprensa.

Manuela D’Ávila também afirmou que foi alvo de preconceito dos entrevistadores.

“Existe um preconceito muito grande de gênero, que acomete a maior parte das mulheres e estrutura a desigualdade em nosso país, mas existe algo ainda maior que são os interesses de classe, como a gente chama, que eu represento por ser uma mulher de esquerda”, disse antes de entrar no evento da Unicamp, apontado como o maior da pré-candidatura de Manuela até o momento.

Manuela foi sabatinada por Vera Magalhães, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista da Rádio Jovem Pan; Frederico d’Avila, diretor da Sociedade Rural Brasileira, Letícia Casado, jornalista da Folha de S.Paulo em Brasília; João Gabriel de Lima, coordenador de jornalismo do Insper e colunista da revista Exame; e Joel Pinheiro da Fonseca, economista e filósofo. (você pode assistir o programa na íntegra “clicando aqui”).

Altos índices e visões diferentes

A polêmica no Roda Viva dividiu opiniões de internautas e impulsionou a citação do nome de Manuela nas redes sociais. Ela foi citada 200 mil vezes no Twitter entre segunda e quarta-feira (25 a 27), segundo levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (Dapp) da Fundação Getulio Vargas (FGV) para o Estadão/Broadcast.

Segundo a FGV, o resultado obtido pela pré-candidata desde a condenação de Lula resultou em pico de mais de 295 mil interações com as publicações que fez na terça-feira (26), após a participação no Roda Viva.

“Ficou inclusive à frente de Jair Bolsonaro, que permanece como o pré-candidato com melhor média de engajamentos por postagem”, diz o levantamento.

Publicações de opinião na imprensa afirmaram que Manuela D’Ávila foi alvo de “manterrupting” – expressão usada para explicitar situações em que um ou mais homens fica(m) interrompendo a fala de uma ou mais mulheres, impedindo que ela(s) conclua(m) o que estava sendo dito.

A pré-candidata da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, única mulher que disputa a presidência em 2018, além de Manuela D’Ávila, defendeu a concorrente no Twitter.

Dentro da campanha do PCdoB existe a crença de que a sabatina no Roda Viva foi positiva para a imagem da pré-candidata.

“Aparentemente, a TV tentou criar um clima desfavorável à Manu e conseguiu, mas com forte viés machista e misógino. O resultado acabou sendo positivo, pois houve uma forte reação de diversos setores da sociedade que se mobilizaram em defesa dela e dos direitos das mulheres”, diz Agildo Nogueira Junior, jornalista e militante do partido.

Visão contrária

Nas redes sociais, internautas também defenderam os entrevistadores do Roda Viva afirmando que Manuela D’Ávila se esquivou de respostas.

O economista Joel Pinheiro da Fonseca, que entrevistou Manuela no programa, fez um vídeo comentando a experiência.

“Entrevistar político em época de campanha é sempre um desafio. É realmente difícil extrair algo e precisa ter uma determinação em encontrar os pontos certos e tentar mostrar os pontos mais vulneráveis do discurso de um candidato”, diz Joel. “Acho que a gente conseguiu isso, fui lá com essa intenção de identificar os pontos que eu considero mais vulneráveis nas posições e discursos da Manuela D’Ávila. Tentei levantar isso e considero que fui bem sucedido em uma série de frentes”.

No vídeo, Joel apresenta pontos que considerou contraditórios na entrevista (veja abaixo).

“Parabéns. A sua participação foi muito importante para deixar a candidata ainda mais enrolada nas mentiras dela.”, afirma um seguidor de Joel nos comentários do vídeo.

A jornalista Vera Magalhães também comentou o caso dizendo que não vê “machismo”.

Vera. no entanto, declara que considerou “imprópria” a presença de Frederico d’Ávila, coordenador de campanha de Jair Bolsonaro, na banca de entrevistadores.

Vera Magalhães rebate acusações de Manuela D'Ávila

Vera Magalhães rebate acusações de Manuela D'Ávila

Posted by Jovem Pan Morning Show on Wednesday, June 27, 2018

Posição sobre a Lei Ficha Limpa

Questionada pelo Independente sobre sua posição em relação à Lei de Ficha Limpa, que pode determinar a inelegibilidade de Lula nas eleições presidenciais deste ano, Manuela D’Ávila afirmou que subestimou a velocidade e a forma em que ocorrem julgamentos de políticos como o ex-presidente.

“Nós subestimamos a velocidade dos julgamentos de políticos menos comprometidos com interesses do capital, muitas vezes feitos sem provas. Mas isso é algo comum no Brasil. Nós subestimamos mesmo porque os jovens brasileiros negros são presos sem sequer ser julgados. Então faz parte do nosso sistema judiciário e a gente subestimou isso”, concluiu Manuela, que votou a favor da proposta quando era deputada federal.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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