Abin descreve suspeitos de terrorismo e recebe críticas nas redes sociais

1
A imagem da Abin publicada nas redes sociais / Foto - Divulgação
A imagem da Abin publicada nas redes sociais / Foto – Divulgação

Internautas chamaram a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de preconceituosa e acham as orientações  excessivas.

Análise – Rafael Bruza

De olho nas Olimpíadas do Rio de Janeiro e na ameaça do Estado Islâmico feita ao Brasil em abril de 2016, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou uma imagem nas redes sociais para incentivar brasileiros a fazerem denúncias de possíveis terroristas no país.

A foto alerta que pessoas suspeitas costumam utilizar “roupas, mochilas e bolsas destoantes das circunstâncias e do clima” e que também “agem de forma estranha e demonstram intenso nervosismo”.

Essa orientação é comum em países europeus, como a Espanha, que foi alvo de um atentado terrorista em 2004, quando homens deixaram bombas escondidas em mochilas nos trens de Madrid sem que ninguém percebesse, e logo explodiram tudo tirando a vida de 191 pessoas e ferindo mais de 2 mil três dias antes das eleições nacionais.

Desde o atentado, as forças de seguranças e os meios de comunicação do país ibérico alertam que os cidadãos fiquem atentos para denunciar mochilas abandonadas e/ou pessoas especialmente nervosas nos transportes públicos e locais de grande aglomeração de massas.

Mas aqui no Brasil, que não possui histórico de terrorismo, a orientação foi mal recebida por muitos cidadãos que viram preconceito nas palavras da Abin, tendo em vista que milhares de pessoas inocentes ou carentes se encaixam nas características apontadas na foto da agência de inteligência.

Os críticos questionam se as forças de segurança do Brasil pretendem prender todos que se encaixam nos padrões descritos na foto.

Uma mulher disse que seu filho tem transtorno de ansiedade e costuma se vestir com roupas que o “protejam”. Logo pergunta se as forças de segurança pretendem fazer uma “caça as bruxas”.

Se fossem mesmo de inteligência nem teriam postado essa besteira! Tenho um filho com transtorno de ansiedade , quando ele sai procura sempre roupas que o “protejam”, geralmente moleton com touca e sim ele parece sempre bem nervoso na rua, pq ele tem MEDO! Agora você vão promover uma caça as bruxas com quem não estiver vestido no padrão de quem estiver vendo? Estamos perdidos mesmo

Outra mulher questionou o clima de “histeria” que pode ser causado com a orientação.

ABIN fazendo um EXCELENTE trabalho incentivando a histeria coletiva num país que não tem histórico de terrorismo, usando estereótipos ultrapassados que fariam rir quaisquer terroristas do ISIS ou da Al-Qaeda…. Como disse a Márcia Andrade abaixo, terroristas já não agem mais assim. Periga até a pessoa ver uma atitude suspeita de verdade e ignorar porque não se parece com essa que vocês descrevem. Basicamente qualquer pessoa com capuz será vista de viés. Já não basta sermos o país campeão da “paranoia” e dos “enganos”, com PM atirando em gente que porta furadeira, macaco hidráulico, etc.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook

Discussion1 Comentário

  1. Pingback: Por que a Abin errou ao descrever possíveis terroristas nas redes sociais? - Independente

Leave A Reply