Artistas e movimentos culturais ocupam secretaria da Cultura exigindo saída de Sturm

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Grupo também exige descongelamento do orçamento da cultura em São Paulo, que vive contingenciamento de 43,5% desde o início do ano, quando o secretário da Cultura, André Sturm, prometeu resolver a situação.

Rafael Bruza * com informações do G1

Grupo protesta na Secretaria de Cultura em São Paulo / Foto – Reprodução (Jornalistas Livres)

Um grupo de 77 pessoas formado por artistas, trabalhadores da cultura e representantes de movimentos culturais ocupou na tarde desta quarta-feira (31) a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Os manifestantes fazem três exigências para o Governo de João Dória (PSDB): saída do secretário da Cultura, André Sturm, descongelamento “progressivo” do orçamento da Cultura, que desde o início do ano teve 43,5% de recursos contingenciados, e “implantação e criação de comissão pra acompanhamento da execução do Plano Municipal de Cultura”.

“O estopim para o movimento deflagrou-se nesta última segunda-feira (29) quando o secretário de cultura da gestão Dória (André Sturm) ameaçou ‘quebrar a cara’ do agente cultural Gustavo Soares, um dos integrantes do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo da Zona Leste de São Paulo”, explica o comunicado da Frente Única da Cultura, que encabeça os protestos. “O grupo exige também o descongelamento dos recursos da pasta e a definição de uma comissão para acompanhar a implementação do Plano Municipal de Cultura”.

O protesto ocorre após divulgação de um áudio que mostra o secretário da Cultura de São Paulo, André Sturm, ameaçando agredir o agente cultural Gustavo Soares, de 25 anos, durante uma reunião realizada na sede da Secretaria Municipal da Cultura. A gravação foi divulgada na noite de segunda- feira (29) e repercutiu nas redes sociais.

Após a divulgação, Sturm pediu desculpas por sua ação.

“Peço desculpas por ter me exaltado, mas volto a dizer que a nossa vontade é parceirizar com o coletivo que atua em equipamentos culturais subutilizados”, afirma o secretário.

Em seu perfil do Facebook, a vereadora da oposição, Sâmia Bomfim (PSOL), afirma que protocolou uma representação no Ministério Público para denunciar o secretário por abuso de autoridade. Ela também lançou uma campanha virtual pedindo o “afastamento imediato” de Sturm.

O grupo que ocupa a Secretaria Municipal de Cultura afirma que só sairá do local após demissão do secretário André Sturm.

Pauta: OCUPAÇÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA EXIGE A SAÍDA DE ANDRÉ STURMO estopim para o movimento deflagrou-se…

Posted by Frente Única da Cultura SP on Wednesday, May 31, 2017

Em nota enviada ao G1 (Grupo Globo), a secretaria municipal de Cultura disse lamentar a “invasão de sua sede”. De acordo com o texto, os funcionários “foram surpreendidos por ruidosos gritos de um grupo de pessoas que tomou o saguão do 11º andar e iniciou a invasão do gabinete”.

A secretaria também afirma que o secretário André Sturm precisou fazer uma barricada para garantir que a porta do gabinete não fosse derrubada.

“Servidores da sala da assessoria técnica, que fica ao lado do gabinete, foram expulsos do seu local de trabalho e tiveram que se refugiar em outro andar da Secretaria, sendo que suas salas ficaram ocupadas por faixas e cartazes com mensagens ofensivas.”

Segundo a assessoria do secretário, a GCM foi chamada para garantir a segurança dos servidores e tentar negociar uma desocupação pacífica.

“Esta postura agressiva e desrespeitosa, ao contrário do que afirmam os manifestantes, não demonstra interesse em dialogar ou construir políticas para a cultura da cidade, sem propostas ou pauta concretas”, finaliza a nota.

Os manifestantes / Foto – Reprodução (Jornalistas Livres)

Congelamento da Cultura

Os manifestantes também pedem descongelamento progressivo do orçamento da Cultura em São Paulo e implantação e criação de comissão pra acompanhamento da execução do Plano Municipal de Cultura.

A exigência tem relação com o contingenciamento de 43,5% do orçamento da Secretaria da Cultura, que vigora desde o início do ano, paralisando programas culturais e cortando projetos.

Em fevereiro, o secretário da Cultura, André Sturm, afirmou que o congelamento de programas da Secretaria Municipal da Cultura ocorreu por um erro da Câmara Municipal da Cidade, que classificou “programas” culturais como “projetos” na hora de votar o Orçamento, gerando o congelamento por engano de 100% dessas verbas.

“A gente descobriu que havia inúmeras atividades equivocadamente marcadas como projetos”, declarou o secretário ao jornal Folha de S. Paulo no início do ano.

Com isto, programas de fomento à dança, circo, teatro, entre outros, foram cancelados por engano, como se fossem projetos. É o caso dos programas de Fomentos à Dança, ao Teatro, das Periferias, ao Circo; Jovem Monitor Cultural; o Programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI e VAI II), o Programa de Iniciação Artística (PIÁ) e o Programa Vocacional.

Na época, o secretário disse que o congelamento era temporário e que a situação seria resolvida.

Ocorreram protestos de artistas e movimentos culturais em fevereiro e no final de março de 2017, que pediam descongelamento do orçamento da Cultura.

“A verba disponível para os programas e programação cultural torna-se insuficiente”, afirmou em março a Frente Única da Cultura de São Paulo.

“Esses programas e Leis são conquistas históricas não só dos artistas, mas da população em diálogo com o poder público e vereadores da cidade de São Paulo. O congelamento além de travar o desenvolvimento criativo da cidade também fere diversos processos de formação e inclusão e diminui a movimentação econômica em setores que dialogam diretamente com a cultura como: restaurantes, hoteis, bares, gráficas, estacionamentos, publicidade, mídia, etc”, afirma a convocatória do protesto.

Aproximadamente 77 pessoas da FUCSP encontram-se na Secretaria Municipal da Cultura de SP com as seguintes…

Posted by Frente Única da Cultura SP on Wednesday, May 31, 2017

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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