A ascensão da extrema-direita no Brasil e a situação das demais democracias ocidentais

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Protesto neonazista feito em Charlottesville (EUA) / Foto – Reprodução

Editorial – Rafael Bruza

Nos EUA, onde esta foto acima foi tirada, protestos de neonazistas e da chamada “supremacia branca” vêm ganhando atenção da mídia mundial e já causaram a morte de uma primeira vítima: a ativista, Heather Hayer, que faleceu após ser atropelada por um homem durante a manifestação contra os extremistas.

Estes homens brancos, que se acham membros de uma “supremacia” ilusória e egocentricamente odiosa, cresceram e sentiram que têm legitimidade após a eleição de Trump no ano passado. Agora o presidente estadunidense não condena os atos desses extremistas com veemência. Só manifestou repúdio à violência de “vários lados”, sem dar nome aos bois.

A filha de Trump fez um discurso mais incisivo que o presidente contra o extremistas.

Esta omissão do homem mais poderoso do mundo, feita num contexto de crise de refugiados 0 a maior da história -, crise de represetação na democracia e crise com o terrorismo -, fortalece correntes extremistas que saem debaixo do tapete e convencem muitos temerosos de diferentes nações.

Na França, a extremista Le Pen, que também simpatiza com Trump, foi derrotada por Macron, mas chegou ao segundo turno com índices de voto bastante altos e preocupou cidadãos que temem a volta de correntes de extrema-direita na Europa.

Então chega a situação do Brasil, que durante toda a história teve conexão direta com a situação política, econômica e cultural das democracia ocidentais.

Nosso país possui um sincretismo disso tudo na figura de Jair Bolsonaro, que aparece como um dos favoritos para a eleição de 2018 e pretende ter o pastor e senador Magno Malta (PR-ES) como vice-presidente.

O deputado defende a Ditadura Militar do século XX, se opõe veementemente a correntes de “esquerda” e menospreza minorias políticas (negros, homossexuais, mulheres, etc.).

Neste fim de semana, um campus da Unifesp teve presença de vários policiais militares em audiência pública sobre o Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos para aprovar pautas que retiram conceitos de direitos humanos da educação.

Os policiais têm todo direito de participar, claro. Ma, segundo a universidade, estes agentes estavam ali para aprovar pautas no plano que limitam o conceito de direitos humanos na educação. Apresentando placas escritas “Bolsonaro 2018”, queriam “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, entre outras medida, enquanto diziam frases como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”.

O Brasil é um país caracterizado pela diversidade, pela humildade e pela força humana de seu povo.

Mas passamos por duas ditaduras durante o século XX, que tinham ampla proximidade com correntes extremistas relacionadas com a imaginária “supremacia branca”, e assim criamos uma base política favorável à permanência até então silenciosa desses grupos.

Se a nação escolher esta versão brasileira da extrema-direita internacional, neste momento de crise política e econômica, grandes crimes contra a humanidade podem ser cometidos em nosso território, a despeito de todo sangue, todo choro e todo ranger de dentes que nossos coletivos mais humildes já sofreram na história para atingir o mínimo de igualdade institucional que existe hoje.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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