Aumenta índice de alunos negros e de baixa renda em faculdades federais

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Segundo membros da Andifes, políticas do governo federal favoreceram a inclusão de 2003 a 2014, apesar das dificuldades financeiras que mantém a maioria dos jovens brasileiros distantes da educação superior.

Informação – Rafael Bruza

aumenta-indice-de-alunos-negros-e-de-baixa-renda-em-faculdades-federaisOs índices de estudantes pretos ou pardos e de baixa renda aumentaram nas 63 faculdades federais brasileiras nos últimos anos, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), divulgada na última quinta-feira (18). O relatório revela que 66,19% dos alunos entrevistados (dois terços do total) vêm de família por renda per capita de até 1,5 salário mínimo. A pesquisa de 2010 apontou que apenas 44% dos alunos entrevistados vinham desta faixa de renda. Isso significa aumento de 50% no acesso destes jovens ao ensino público superior.

O estudo indicou que o percentual de estudantes pretos nas universidades federais passou de 5,9% para 9,8% de 2003 para 2014, respectivamente. Entre alunos pardos, o aumento foi ainda maios: de 28,3% para 37,7%. Em paralelo, o percentual de alunos que se dizem brancos diminuiu de 59,4% em 2003 para 45,6% em 2014.

A presidente da Andifes, Ângela Paiva Cruz, indicou que a pesquisa derruba a ideia de que as universidades federais são instituições de elite. Ela também ressaltou a importância das políticas de acesso ao ensino superior, como a política de cotas:

“Cai o mito repetido por muitas décadas, de que as universidades federais eram universidades de elite, e esse argumento justificou por muito tempo a defesa do fim da gratuidade do ensino. Temos hoje, pela pesquisa, dados que vão contra isso. A pesquisa aponta hoje que o ensino superior se tornou de fato mais acessível, mais popular e mais inclusivo, em grande parte devido ao sucesso das políticas de acesso e cotas”, afirmou a presidente da entidade.

Também cabe ressaltar que 49% dos alunos de faculdades federais vieram de escolas públicas, sendo que 60,16% deles passaram apenas pelo ensino público. A pesquisa atribui esses dados a um maior acesso desses alunos às provas do Enem, principalmente em cidades do interior, ao Sisu, ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que oferece assistência a alunos de baixa renda, e à política de cotas.

Os professores da entidades apontam que 62,99% dos alunos de escolas públicas entraram nas universidades federais por ampla concorrência, demonstrando maior competitividade desses estudantes ao buscar uma vaga no ensino superior fora da política de cotas.

O relatório da Andifes também indicou que apesar de “a explicação mais óbvia” indicar uma mudança na forma que o estudante se autodeclara, “as políticas afirmativas implementadas pelo governo federal nos últimos anos, como as cotas sociais, tiveram grande influência nessa mudança”.

Ainda existem problemas no acesso

Apesar das melhoras no quesito inclusão social, 42% dos estudantes disseram que a dificuldade financeira ainda é um entrave ao desempenho acadêmico. Segundo o vice-presidente da Andifes, o professor Orlando Amaral, a situação desses alunos de baixa renda ainda é “vexatória”, considerando que apenas 17% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estão na educação superior. Ele se posicionou contra cobranças na educação pública.

“É bom lembrar que só temos 17% dos jovens brasileiros na educação superior, um número muito baixo. É preciso dobrar esse número, e qualquer medida restritiva, por meio de cobrança, não ajuda em nada o país a sair dessa situação vexatória.

A presidente Ângela Cruz demonstrou preocupação com a mudança de governo que pode ocorrer definitivamente com a aprovação do Impeachment de Dilma Rousseff no Senado Federal.

“Defendemos uma universidade pública e gratuita. A mudança de governo é sempre preocupante, há paradigmas que podem mudar. A gente tem temores, mas não ficamos resguardados nessa temeridade, trabalhamos para que o Pnaes cresça”, afirmou o professor.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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