Autossabotagem: da culpa ao complexo de corrupção

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Opinião – Deyvis Drusian

A maior facada que damos em nossas próprias costas, como brasileiros, é dizer que o nosso povo é corrupto. Isso não apenas impede que nos libertemos de um passado opressor rumo a um presente/futuro mais digno, como também é uma grande farsa, uma mentira deslavada e de pernas curtas.

Isso impede que nos libertemos. Porque é um discurso ideológico que nos mantém inertes ao saqueamento escancarado dum país dormente. É uma ideia determinista que nos empilha culpa nas costas, uma culpa debilmente naturalizada, para que aceitemos o domínio pérfido, assim como a plebe sempre aceitou – por força bruta ou discursiva – as bravatas dos sucessivos reis, imperadores e papas ao longo de nossa história. Por culpa.

E é uma enorme mentira. Porque, como vemos diuturnamente, a grande massa de trabalhadores acorda cedo, no campo ou na cidade, pega transporte ruim e por longos percursos, honra seus compromissos e paga suas contas, sem tirar o que é do outro.

Calma, não nascemos culpados. Não nascemos corruptos.

Temos apenas que deixar de botar tudo na conta do povo e passar a dar nome aos burros. Como escreveu Chico Buarque, o malandro pra valer “trabalha, mora lá longe e chacoalha, num trem da Central”.

Deyvis Drusian tem formação em Jornalismo (Comunicação Social) pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Cursou Pós-Graduação em Comunicação na Universidade de São Paulo (Eca-Usp).

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