Bolsonaro espalha fake news sobre a Amazônia em discurso na ONU

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O Independente localizou duas afirmações falsas e duas imprecisas nas falas de Bolsonaro sobre a Amazônia e os incêndios na floresta

Por Rafael Bruza

Em seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações unidas (ONU), nesta terça-feira (24), o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), fez declarações falsas e imprecisas ao falar sobre a Amazônia e os incêndios na região. O Independente fez checagem de falas do presidente. Confira:

1- “Meu governo tem o compromisso solene com a preservação do meio ambiente” – Jair Bolsonaro

Essa fala de Jair Bolsonaro É FALSA

Antes mesmo de assumir, Jair Bolsonaro escolheu como ministro do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles, que foi condenado na Justiça por favorecer mineradoras ligadas à FIESP em áreas de várzea protegidas do Rio Tietê, em São Paulo, quando era secretario do Meio Ambiente da gestão de Geraldo Alckmin, do PSDB.

Em maio, já no cargo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles cortou 95% da verba para políticas climáticas.

Também demitiu diretores do ICMBio e do Ibama, priorizou reuniões com o agronegócio e chegou a ser alvo de um pedido de Impeachment da Rede Sustentabilidade, por seus descompromissos com a área ambiental.

Além disso, o Governo Bolsonaro já liberou 290 novos tipos de agrotóxico, até o fim de julho, sendo que diversos deles são prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente, além de ser proibidos na União Europeia.

2- “Nessa época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e também as criminosas” – Jair Bolsonaro

Essa frase de Bolsonaro É FALSA

Dados apresentados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o Ipam, mostram que a umidade na região amazônica no período das queimadas é o maior nos últimos três anos e relacionam os incêndios na Amazônia diretamente com o aumento do desmatamento.

Os dez municípios que registraram mais focos de incêndio neste ano também foram os campeões em devastação florestal.

Então as queimadas estão associadas com o desmatamento e não com o clima seco e ventos da região.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) durante discurso na Assembleia Geral da ONU

3- “Existem queimadas praticadas por índios e populações locais como parte de sua respectiva cultura e forma de sobrevivência” – Jair Bolsonaro

Essa frase de Bolsonaro É IMPRECISA – ou seja, não é totalmente verdadeira, nem totalmente falsa.

Existem incêndios causados por indígenas e populações locais, assim como o presidente disse na ONU, porém, fazendeiros também realizam queimadas na região amazônica para limpar o terreno a ser cultivado.

Em agosto, por exemplo, o Governo Bolsonaro ignorou alertas do Ministério Público e do Ibama sobre a convocatória de fazendeiros para realizar queimadas na região do município de Novo Progresso, no Pará, no chamado “Dia do Fogo”.

O Ibama pediu a Sergio Moro apoio da Força Nacional no dia 7 de agosto para combater as intenções deste grupo de fazendeiros, porém, o Governo Bolsonaro não deu atenção aos chamados contra o Dia do Fogo e ainda retirou a base do Ibama no município de Novo Progresso, na ocasião.

Com isto, o Dia do Fogo de fato ocorreu em 10 de agosto.

Somente no final daquele mês, quando os incêndios na Amazônia atingiram os noticiários de outros países, gerando boicote de empresas estrangeiras a produtos do agronegócio brasileiro, o Governo Bolsonaro mobilizou 43 mil militares do Exército para combater incêndios na região Norte do país.

Ao atribuir os incêndios da Amazônia a indígenas, populações locais e sua sobvrevivência, Bolsonaro ignora que várias queimadas são feitas por fazendeiros que fazem incêndios para limpar terrenos, cultivá-los e lucrar em cima dos produtos que saírem dali.

4- “Hoje, 14% do território brasileiro está demarcado como terra indígena” – Jair Bolsonaro

Essa declaração também É IMPRECISA

Atualmente há 440 terras indígenas regularizadas e outras seis interditadas, segundo dados da Fundação Nacional do Índio, a Funai.

Estas terras correspondem a 12,6% do território nacional.

Se somarmos áreas já regularizadas que estão em estudo e aguardam sanção presidencial pode-se dizer que 13,7% do território brasileiro é indígena.

Porém, a falta de homologação destas terras e falta da sanção presidencial, na prática, não determina que as terras em questão pertencem a estes povos.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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