Brasil cai em ranking de liberdade de imprensa por assassinatos e concentração no setor

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ONG Repórteres sem Fronteira citou atual posicionamento político da imprensa brasileira e seus “conflitos de interesses”.

midia brasileiraInformação – Redação

O Brasil caiu da 99ª colocação para a 104ª no ranking de liberdade de imprensa da ONG Repórteres sem Fronteiras, divulgado nesta quinta-feira (20 de abril de 2016). Perdeu cinco colocações pela “permanência de conflitos de interesses na mídia brasileira” e pelos “atos de violência perpetrados contra os jornalistas no país”, segundo comunicado da ONG (que pode ser visto na íntegra “clicando aqui”).

O Repórteres sem Fronteiras aponta que o Brasil é o terceiro país mais mortífero das Américas para jornalistas, “atrás apenas de México e Honduras”, e que em 2015, sete jornalistas foram assassinados no país, “todos eles investigavam temas sensíveis, como a corrupção local ou o crime organizado”, informa.

O relatório também citou a permanência da concentração de empresas no setor e a proximidade entre estas e o poder público que caracterizam “conflito de interesses”. “O cenário midiático continua caracterizado pela grande concentração da propriedade dos meios de comunicação, nas mãos de algumas poucas grandes famílias e indústrias, que em muitos casos têm relações estreitas com políticos ou ainda que detém eles mesmos, direta ou indiretamente, cargos eletivos, como governadores e parlamentares. (…) Como consequência, existe uma forte dependência dos meios de comunicação em geral em relação aos centros de poder”, afirma o comunicado.

A ONG entende que o cenário do “coronelismo eletrônico” descrito pela ONG em 2013 no relatório “O país dos 30 Berlusconis” segue como uma realidade “premente” no cenário brasileiro. (Premente = 2 Que causa aflição 3 Que não pode esperar, Dic. Aurelio).

Ainda segundo o Repórteres sem Fronteiras, a atual situação política do país “evidencia essa situação”. “Os meios de comunicação nacionais agem de forma a convidar suas audiências a precipitarem a saída da Presidenta Dilma Rousseff do poder. É difícil para os jornalistas de grandes conglomerados de comunicação trabalharem de forma serena, sem sofrer de interesses privados e partidários. Esses conflitos de interesses permanentes são evidentemente prejudiciais à qualidade da informação difundida”, conclui o comunicado.

Violência policial

O relatório também indica que “as ações violentas perpetradas por agentes da polícia militar contra jornalistas durante manifestações também persistem”

“Os jornalistas locais, assim como os correspondentes internacionais que cobrem essas manifestações são frequentemente insultados, ameaçados e detidos arbitrariamente, quando não se tornam alvos dos próprios manifestantes que os associam aos proprietários dos meios de comunicação para os quais trabalham”, afirma o comunicado.

Ranking de liberdade de imprensa

O Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa mede desde 2002 o grau de liberdade dos jornalistas em 180 países usando diversos indicadores como o pluralismo, a independência dos meios de comunicação, entre outros.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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