Carlos Bolsonaro divulga fake news ao criticar universidades públicas

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Em post no Facebook e Twitter, o filho do presidente atribuiu uma foto de performance artística a estudantes universitários.

Por Rafael Bruza

O vereador do Rio de Janeiro e filho do presidente da República, Carlos Bolsonaro (PSL), divulgou uma fake news na última quinta-feira (02) ao fazer uma crítica às instituições de ensino do Brasil, em suas redes sociais.

Carlos divulgou uma imagem de pessoas mostrando o ânus com o título “Universitários prometem intensificar resistência a Bolsonaro nas universidades públicas”. O post original é do blog TV Cidade News,

‪A maior fonte difusora do esquerdismo ou falta de pensamento é o domínio das instituições de ensino. Olavo de Carvalho …

Posted by Carlos Bolsonaro on Thursday, May 2, 2019

Mas as pessoas que aparecem na imagem não são universitárias e a foto não foi feita por estudantes, ao contrário do que o blog e o filho do presidente sugerem nas publicações.

A verdade

A fotografia mostra uma performance de artistas, feita para divulgar a exposição “O Cú é Lindo”, realizada em Salvador (BA), em 2018, quando virou alvo de fake news nas redes sociais e pressões conservadoras – saiba mais sobre a exposição.

A imagem já foi atribuída a estudantes universitários em outros posts de blogs, apesar de não ter relação com universidades.

Desta vez, Carlos Bolsonaro associou a imagem a estudantes, afirmando: “A maior fonte difusora do esquerdismo ou falta de pensamento é o domínio das instituições de ensino”.

Olavo de Carvalho nos alerta há décadas!”, exclama o vereador do RJ no post fake news”. “Não vivemos esta devastadora situação educacional e de desemprego à toa. É preciso romper este ciclo que destrói o país e estraçalha famílias”.

Contexto

A publicação foi feita depois que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou corte de R$ 5,8 bilhões no orçamento da pasta.

Desde o anúncio, páginas de direita vêm criticando universidades públicas e associando-as a “balbúrdia” – termo usado pelo ministro Weintraub.

Os cortes vão afetar a educação infantil, pós-graduação, construção de escolas, ensino técnico, bolsas de pesquisa, transporte escolar, além de custeio das universidades federais.

Alunos, pais e professores de institutos federais do RJ fizeram protestos contra a medida. Os atos ocorreram no Colégio Militar, onde Bolsonaro participa de evento comemorativo.

Terceiro mais compartilhado

No Facebook, a publicação de Carlos Bolsonaro obteve 11 mil compartilhamentos e se tornou a terceira mais compartilhada de páginas de direita na rede sobre os cortes na Educação, segundo levantamento do projeto Monitor do Debate Político no Meio Digital, feito entre os dias 2 e 4 de maio.

No Twitter, a publicação teve quase 3 mil retweets e 2,9 mil respostas e 13 mil curtidas.

O perfil oficial do grupo Escola sem Partido no Twitter comentou o post, dizendo: “para romper esse ciclo (nas instituições de ensino) basta seguir a receita do ESP”.

Por outro lado, a repórter do Intercept Brasil, Amanda Audi, acusou Carlos Bolsonaro de fazer fake news no post e recebeu tanto críticas, quanto apoio de outras pessoas.


Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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