Carta aberta a eleitores evangélicos sobre líderes religiosos e políticos

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Faço um clamor para que vocês questionem tudo e todos nessas eleições municipais, pois há líderes religiosos que usam seu poder de formador de opinião para obter votos. E, me desculpem, mas isso está longe de ser uma atitude cristã.

Opinião – Rafael Bruza

O pastor Silas Malafaia, que pediu para evangélicos não votarem em partidos como o PT, PSOL, Pc do B e Rede / Foto – Reprodução
O pastor Silas Malafaia, que pediu para evangélicos não votarem em partidos como o PT, PSOL, Pc do B e Rede / Foto – Reprodução

Amigos evangélicos, venho humildemente pedir a vocês que questionem os líderes religiosos que seguem, pelo amor de Deus. As eleições municipais se aproximam e eles já ensaiam movimentos par obter votos em nome de energias sagradas.

Olhem abaixo o tuíte do pastor Silas Malafaia, que foi cabo eleitoral do tucano José Serra nas eleições para prefeito em 2012, eleição vencida pelo petista Fernando Haddad.

Na mensagem, ele exige que vocês não votem no PT, PSOL, PV e Rede alegando que esses partidos “vão contra os princípios” cristãos.

Por mais que vocês concordem com o pastor, convenhamos que pedir para pessoas “não votarem em hipótese alguma” em alguns partidos não é uma atitude verdadeiramente cristã nem democrática.

O Cristo, que é referência, nunca tentaria influir na maneira que os demais pensam ou agem, pois sua humildade é prioritária e ele possui um profundo respeito pelo livre arbítrio dos demais.

Tanto que continuou amando aqueles que o mataram na cruz…

Mas Malafaia não segue esse exemplo quando usa seu poder de líder e formador de opinião de uma religião para fortalecer candidatos que ele apoia (que sempre são de partidos contrários aos que ele cita na mensagem).

Não escrevi essa carta para dizer que vocês podem ou devem votar no PT, PSOL, PV e Rede nas eleições municipais.

Isso é escolha de cada um e nunca ousaria influir nesse direito cidadão.

Também entendo que vocês vejam esses partidos como “um mal a vencer”, pois muitos deles não acreditam em Deus e são opositores da religião que vocês seguem.

Respeito essa visão e não a questionarei nesse espaço.

Mas pretendo, pelo contrário, mostrar como esses líderes religiosos estão usando sua influência para conseguir votos para eles e amigos deles em nome do cristianismo.

Quero que vocês abram os olhos para essa realidade, que se repete com outros líderes como o pastor Marco Feliciano e até mesmo Eduardo Cunha.

Todos eles falam com vocês através das redes sociais dizendo que “este ou aquele partido é bom, este ou aquele é ruim”.

Sei que é duro reconhecer isso, mas eles fazem essas colocações de forma interessada. Buscam votos para eles e para seus amigos usando a religião da qual são líderes.

É uma situação que ocorre na política do Brasil desde os anos 80, quando a retomada da democracia abriu espaço para que líderes religiosos virassem também líderes políticos nas comunidades em que estavam presentes.

Não posso nem quero controlar essa atitude dos pastores, mas posso apresentá-la e ajudar vocês a perceberem isso, de forma que possam agir como considerem melhor.

O Cristo expulsou os vendilhões do templo porque eles usaram um espaço sagrado para vender mercadorias de forma interessada.

Vocês não acham que o pastor Malafaia, por exemplo, vende seus produtos (que são as campanhas que ele apoia, no caso) usando o nome do Cristianismo, para dizer em quem vocês devem ou não votar?

Ora, amigos, o tuíte acima evidencia isso.

E Cristo nunca pediu que apoiássemos ele ou aquele partido político ou ideologia.

Ele só recomendou duas condutas básicas: (1) “amar a Deus de todo coração, de toda alma e todo entendimento” e (2) “amar o próximo como a você mesmo”.

Ponto.

Se o pastor Malafaia não quer que outras pessoas tentem influir em seu voto, e provavelmente não quer, mas atua para exercer influência no voto dos demais, ele rompe a segunda conduta básica, pois realiza aos demais aquilo que não quer que seja feito contra ele mesmo.

Pessoalmente não considero isso uma atitude cristã e espero que vocês entendam o que quero evidenciar.

Se logo quiserem votar no PSC de Marco Feliciano, no PR do também pastor Magno Malta ou em qualquer partido que o Malafaia apoie, tudo bem.

Mas, pelo amor de Deus, façam isso por livre e espontânea vontade. Não porque um pastor político disse que vocês “tem que fazer isso para seguir os princípios cristãos”.

Então sejam livres!! Nosso livre arbítrio é lindo e devemos aproveitá-lo diariamente, pois essa é a grande virtude de estar vivo.

Qualquer questão que vocês queiram debater ou inclusive criticar, podem entrar em contato comigo e conversaremos humildemente, sem imposições de visão nem má-educação.

Sem mais,

Rafael Bruza.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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