Colégios particulares são contra proposta do ‘Escola sem Partido’

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Associação Brasileira das Escolas Particulares (Abepar) disse em comunicado que o projeto pode “cercear e até inviabilizar o trabalho pedagógico”.

Informação – Redação

Crianças canta hino nacional em escola / Foto - Reprodução
Crianças canta hino nacional em escola / Foto – Reprodução

A recém-inaugurada Associação Brasileira das Escolas Particulares (Abepar), que reúne cerca de 20 colégios tradicionais, fez manifestação pública contra o projeto de lei da Câmara dos Deputados inspirado nas propostas do movimento ‘Escola sem Partido’, que prevê denúncia e punição de professores que fazem “doutrinação marxista” nas escolas brasileiras.

A associação argumenta que a proposta pode “terminar por validar regras que poderiam cercear e até inviabilizar o trabalho pedagógico”. E se posiciona contra o projeto de lei dizendo que a Abepar defende “o diálogo em vez da proibição”.

É preciso levar em conta que a ação pegagógica se dá por meio de um delicado equilíbrio de forças, de pesos e contrapesos, envolvendo professores, alunos, famílias, escolas e sociedade”.

A Abepar reúne colégios como o Santa Cruz, Móbile, Pentágono, Mackenzie, Bandeirantes e Vera Cruz, todos tradicionais de São Paulo.

O projeto na Câmara

Há alguns projetos de lei inspirados no movimento Escola sem Partido que tramitam no Congresso. O texto do deputado federal Rogério Marinho (PSDB – RB), por exemplo, institui o “crime de assédio ideológico” para professores que “doutrinam alunos” e estipula pena de até 2 anos de prisão para docentes.

Já o projeto do deputado Izalci Lucas Ferreira (PSDB-DF) diz em seu artigo 3º que “são vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica, bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes”.

Análise – Rafael Bruza

No geral, quem defende o movimento Escola sem Partido é gente de fora da área da educação. Seu criador é Miguel Nagib, um advogado. E seus defensores costumam ser ferrenhos opositores de teorias de Karl Marx. Tanto é que o movimento ganhou força na Internet denunciando uma suposta “doutrinação marxista na escola” e apontando professores e livros que, segundo os defensores do movimento, impõe uma visão de mundo “esquerdista” na cabeça dos alunos.

Então, apesar de se apresentar como um movimento “sem partido” e advogar pelo fim de todo tipo de “doutrinação ideológica” nas escolas, o Escola sem Partido tem alvos muito claros e intenções muito bem definidas: evitar que ideias marxistas proliferem em escolas. Fazem isso graças à sua ideologia (falo mais sobre isso “nesse texto”). E muitos deputados da bancada evangélica e católica acreditaram tanto nessas ideias, que chegaram a propor a criação do crime de “assédio ideológico”. Ou seja, pretendem prender professores que ensinam Marx ou puni-los de alguma forma.

Isso é, na prática, o projeto do Escola sem Partido.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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