Cracolândia, o refúgio dos excluídos

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Por Thais Almeida, Advogada

Imagem de morador de rua na região da Cracolândia, durante ação da PM / Foto – Reprodução (GGN)

Cracolândia? A cidade do crack. A pergunta que paira no ar é o porquê sua estrutura e integrantes estão sendo obrigados a tratamentos que muitas vezes poderão lhe tirar a vida.

Uma colocação se faz importante. De acordo com o art. 15 do CC/2002, ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico. Além disso, cumpre destacar que, em consonância com a legislação vigente, a internação compulsória é a última medida a ser tomada em relação ao portador do uso de crack, paciente com transtornos mentais.

Estes pedidos formulados por Doria seriam desnecessários se soubessem tratar os enfermos com atenção e cuidado, mas o prefeito higienista parece pensar apenas no aspecto estético da cidade. Digo isso não como jornalista ou médica (não sou uma nem outra), mas como pessoa que vê soluções menos alarmantes para os casos.

Há muito tempo, tratamos os usuários de drogas como potenciais criminosos que matam e roubam para adquirir sua droga do dia-a-dia. A realidade não é bem assim. Funciona quando estamos em favelas ou aglomerados como a chamada Cracolândia.

Não é surpresa para ninguém saber que as drogas estiveram presentes em toda história do mundo, seja em jantares luxuosos, festas dionisíacas ou nas favelas, lugares menos “high society”.

O que diferencia ambos, certamente, não é a utilização do psicotrópico, mas o lugar em que a prática foi adotada. Quantos precisaremos sacrificar para essa conduta ser outra? Um baseado na favela leva à prisão, mas um “pó” no helicóptero leva ao Senado? Infelizmente a distinção de condutas se dá pela posição social não pelo delito em si.

Pensem na Cracolândia….. São seres tão diferentes de nós ou daqueles que freqüentam as festas da alta burguesia? Com efeito, as punições são diferentes. Aqueles são internados ou presos enfrentando tratamentos desumanos? Nós, ah nós, da “sociedade civilizada”, continuamos com nosso vício e a cegueira do Estado em ver que a enfermidade é a mesma.

Hipocrisia dos governantes, preço alto a ser pago por nós, sociedade.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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