Crise com opiáceos nos EUA: Johnson & Johnson é condenada por responsabilidade em milhares de overdoses

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Grupo vai ter de pagar multa de 572 milhões de dólares (cerca de 515 milhões de euros)

Da TVI de Portugal

Um tribunal condenou hoje o grupo Johnson & Johnson a pagar 572 milhões de dólares ao estado norte-americano de Oklahoma pela sua responsabilidade na crise dos opiáceos, que fez milhares de mortos por ‘overdose’.

A multa, equivalente a cerca de 515 milhões de euros, surge após dois meses de julgamento.

“A crise dos opiáceos devastou o estado de Oklahoma e deve ser contida de imediato“, declarou o juiz Thad Balkman na audiência desta segunda-feira (26).

O juiz considerou que o laboratório Janssen, divisão farmacêutica da Johnson & Johnson, adotou práticas “enganosas de ‘marketing’ e promoção de opiáceos” – conhecidos nos EUA como “painkillers” -, causando uma crise de dependência destes medicamentos de combate à dor, mortes por ‘overdose’ e um aumento da síndrome de abstinência neonatal no referido estado norte-americano.

O montante exigido à Johnson & Johnson vai servir para financiar os programas estaduais destinados a resolver a crise.

O desfecho deste caso pode influenciar o de outras queixas apresentadas contra fabricantes de opiáceos nos Estados Unidos.

Crise com opiáceos – texto da Mídia Ninja

A pior epidemia de dependência da história dos EUA”: é dessa forma que a revista TIME define a crise do ópio, droga analgésica que é utilizada no tratamento de dores crônicas. Entre os derivados da substância, que é extraída da papoula, está a morfina e a heroína, por exemplo.

Os opióides são medicamentos feitos a base do ópio, utilizados sob prescrição médica, mas que tornaram-se uma febre entre os norteamericanos a partir da década de 90, principalmente o OxyContin, o Vicodin e o Lortab.

Para se ter ideia, de 1992 a 2015, sob vista grossa do departamento de repressão à narcóticos (DEA – Drug Enforcement Administration) o número de prescrições de opióides no país cresceu 222%, sendo que no período de 2000 a 2014, 164 mil pessoas morreram em decorrência da sobredosagem dos medicamentos.

Com esse volume de consumo, as indústrias farmacêuticas faturam anualmente cerca de 3 bilhões de dólares, e constituem um império financeiro. A família Sackler, dona da Pardue Pharma, produtora do OxyContin, superou em 20 anos a fortuna da dinastia norteamericana Rockefellers, donos da Exxon, uma das maiores empresas de extração de petróleo do mundo.

O caso que chama mais atenção é da pequena cidade de Williamson, na Virgínia. Com cerca de 3.200 habitantes, a cidade recebeu em 10 anos 10,2 milhões de comprimidos de Vicodin e 10,6 milhões de OxyContin. Os medicamentos foram enviados para apenas duas farmácias, separadas por apenas 320 metros de distância. Com isso, o estado possui a maior taxa de mortalidade do país, com 880 mortes por overdose em 2016.


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