Criticado por indicar o filho à embaixada, Bolsonaro ridiculariza internauta no Facebook

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O presidente da República respondeu um internauta com seu perfil oficial, gerando divergência nos comentários.

Por Rafael Bruza

O presidente da República, Jair Bolsonaro, e o print da discussão em que se envolveu no Facebook com um internauta

O presidente Jair Bolsonaro respondeu com deboche o comentário de um internauta em seu perfil de Facebook, nesta terça-feira (30). O internauta – que teve identidade preservada para evitar perseguições – criticou a nomeação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos Estados Unidos e foi respondido pelo perfil oficial do presidente da República.

“É presidente, pro filhos dos outros enxada, pro seu filho embaixada”, provocou.

“E para você capim”, respondeu Bolsonaro, sugerindo que o autor da crítica é burro – e come “capim”.

Defensores do presidente também ridicularizaram o internauta nos comentários, enquanto outros demonstraram indignação com a resposta do presidente da República.

“Ao vivoooooo kkkkkk toma seu troco”, provocou um defensor de Bolsonaro.

“O senhor não é mais deputado, é presidente. Porte-se como um, vá trabalhar, seu incompetente! Trabalhando pelos interesses da tua familia e ainda se acha no direito de humilhar os outros?”, questiona um crítico.

Em outro comentário, o internauta respondido por Bolsonaro classificou o presidente como uma pessoa “vulgar”.

“Senhor sabe que meu comentário é a pura verdade, além do mais o senhor não tem plano de governo, nem A, B e nem C, o senhor não tem um uma proposta sólida e concreta para país, o senhor tem boas intenções e olhe lá, mais de boas intenções o inferno ta cheio”, disse o internauta. “O povo voltou no senhor pq seu nome não tava nas listas de subornos, só pôr isso, mais o senhor não inteligente para administrar o Brasil, FHC sim é inteligente, Ciro Gomes é inteligente, Fernando Hadard é inteligente… sem mais”.

O internauta fechou a possibilidade de receber pedidos de amizade no Facebook – o Independente questionou se ele sofreu perseguições por conta da resposta do presidente, mas ainda não recebeu resposta.

A publicação

A situação ocorreu num post de Jair Bolsonaro no Facebook. A publicação mostra o presidente dos Estados Unidos, Donad Trump, defendendo a nomeação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

“Eu acho que é uma ótima indicação. Eu conheço o filho dele e acho que ele provavelmente fez por esse motivo. Ele é extraordinário. Estou muito feliz com essa indicação”, diz o presidente dos EUA”, no vídeo.

O presidente americano também foi questionado por jornalistas se esta nomeação pode ser enquadrada como nepotismo – este trecho foi suprimido do vídeo divulgado por Bolsonaro.

“Não, eu não acho que é nepotismo porque o filho ajudou muito na campanha. O filho dele é extraordinário, ele realmente é”, concluiu Trump.

https://www.facebook.com/watch/?v=483351045573594

Bolsonaro avança para tornar o filho embaixador

Também na terça-feira (30), o Brasil submeteu aos Estados Unidos a sugestão do nome de Eduardo Bolsonaro para ocular a embaixada em Washington, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“Foi pedido o ‘agrément’ e esperamos a resposta americana, de acordo com a praxe diplomática. Mas tenho a grande certeza de que será concedido pelo governo americano, e Eduardo Bolsonaro será um ótimo embaixador”, disse Araújo, em entrevista coletiva que acontece durante encontro de ministros de Relações Exteriores que formam os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Rio de Janeiro.

“Agrément” é uma consulta que se faz ao país onde o embaixador será nomeado. Depois dessa etapa, a indicação de Eduardo Bolsonaro será submetida ao Senado, onde ele será sabatinado.

Bolsonaro defendeu a nomeação do próprio filho ao longo do mês.

“É uma coisa que está no meu radar, sim, existe essa possibilidade” disse o presidente, dia 11 de julho. “Ele [Eduardo] é amigo dos filhos do [Donald] Trump, fala inglês, fala espanhol, tem vivência muito grande de mundo. No meu entender, poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente em Washington”, afirmou Jair Bolsonaro.

Juristas divergem sobre nomeação

Em agosto de 2008, o plenário aprovou uma súmula que proíbe autoridades de nomearem cônjuge ou parente até terceiro grau para cargo em comissão. Mas não especificou se a regra vale para cargos de natureza política — como ministros de Estado e embaixadores.

Para especialistas em Direito Constitucional consultados pelo portal iG, há muitas dúvidas sobre a legalidade da indicação de Eduardo Bolsonaro, especialmente quanto às regras sobre nepotismo e impessoalidade. 

Para o professor de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Daniel Sarmento, a indicação pode ser questionada juridicamente.

“Isso bate sobre o problema do nepotismo e o princípio da impessoalidade, o Supremo Tribunal Federal editou súmulas vinculantes vedando o nepotismo na administração pública. Existe um debate até onde isso se aplica, há alguns dizendo que isso não se aplica em cargos de primeiro escalão. Eu acho que isso viola o princípio da impessoalidade”.

Já o professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Serrano , afirma que a indicação não fere as leis brasileiras.

“Difícil não alegar que ele é filho do presidente da República, mas acho que isso não é suficiente para limitar a competência do presidente da República de indicar o embaixador”, afirmou. “É um ato político, um ato administrativo, é uma competência estabelecida pela Constituição, a capacidade de controle do Judiciário sobre esse ato é muito limitada”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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