Dilma acertou ao recusar convite para abertura das Olimpíadas?

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Presidente afastada decidiu não comparecer a abertura do evento para não dar legitimidade à Michel Temer e evitar desgastes.

Informação – Redação

A presidente afastada, Dilma Rousseff, em evento com a tocha Oliímpica / Foto - Reprodução
A presidente afastada, Dilma Rousseff, em evento com a tocha Oliímpica / Foto – Reprodução

Dilma Rousseff foi convidada a participar da cerimônia oficial de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016, que será realizada  dia 5 de agosto, no estádio do Maracanã.

O convite foi enviado por correio pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e chegou nesta segunda-feira (11) no Palácio da Alvorada, onde Dilma reside mesmo após a decisão do Senado.

Mas, segundo o blog do jornalista Juca Kfouri e o portal Brasil 247, ela decidiu não ir ao evento.

Desde o mês passado, a presidente afastada relata em entrevistas que seus aliados a aconselham a não comparecer na cerimônia de abertura das Olimpíadas para não dar legitimidade a Michel Temer, que estará no evento na condição de chefe do Estado e do Governo brasileiro, enquanto ela estaria em uma tribuna separada. Além disso, Dilma não quer se expor a vaias e xingamentos como aconteceu na abertura da Copa do Mundo de 2014.

“Eu não irei em condições que me diminuam”, afirmou Dilma em entrevista ao Diário de Notícias.

Ela e seus assessores também acreditam que o presidente interino viverá uma espécie de teste da abertura das Olimpíadas, pois Temer nunca cumpriu agenda pública e nunca ficou exposto a manifestações de grande aglomeração de cidadãos brasileiros.

O presidente interino fará um discurso de cerca de 10 segundos desde a tribuna de honra do Maracanã, sem descer ao gramado. E determinará o início dos eventos esportivos das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Opinião – Rafael Bruza

Coloque-se no lugar da presidente. Você foi alvo de vários panelaços, manifestações e foi xingada na abertura da Copa do Mundo FIFA de Futebol de 2014, em seu próprio país. Após sofrer sair de seu cargo sem querer, você arriscaria ser alvo de mais críticas e insultos?

Eu não…

A classe política brasileira está completamente desgastada e nenhum político desse país pode dizer que está imune a críticas. Dilma e seus assessores acertam ao analisar o discurso de Michel Temer como um primeiro teste do presidente interino.

Talvez faça o discurso de 10 segundos sem problemas, tendo em vista que as classes médias a altas, que compõem o público presente nas arenas das Olimpíadas, tendem criticar mais a presidente afastada que o presidente interino.

Mas talvez Temer seja vaiado durante esses dez segundos. Talvez Dilma fosse vaiada durante algum momento. Ou talvez virasse algum meme nas redes sociais que interpretasse a presença dela como uma aceitação da derrota via Impeachment.

Apesar da recusa a comparecer à cerimônia deixar a sensação de que ela fugiu do evento, o caso é que a presença de Dilma no Maracanã abre espaço para que críticos e rivais a “diminuam”, usando palavras da própria presidente. Temer, que está no Governo, por outro lado, será criticado e exaltado queira ou não, pois ele é o centro do poder no Brasil.

Então ela tem mais a perder que o presidente interino, por incrível que pareça.

E falando em termos políticos, de marketing de cara ao Impeachment e de repercussão na sociedade, convém a Dilma evitar derrotas para tentar colecionar alguma vitória lá na frente.

Então, na minha opinião, a presidente acertou ao recursar o convite para a abertura das Olimpíadas, mesmo que ela seja criticada por “ver o evento desde casa”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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