Dilma cai por perder o controle da base aliada

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Corrupção, crise econômica e pedaladas fiscais? Nada disso teria derrubado Dilma se PMDB, PP e outros partidos não tivessem saído da base aliada do PT no Congresso.

Opinião – Rafael Bruza

A presidente Dilma Rousseff faz sua defesa no Senado Federal diante dos senadores / Foto – Reprodução (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A presidente Dilma Rousseff faz sua defesa no Senado Federal diante dos senadores / Foto – Reprodução (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Michel Temer já conta com mais de 50 votos a seu favor na votação final do Impeachment que vai acontecer nesta quarta-feira (31) e como precisa do apoio de 54 senadores (dois terços do plenário), acho que já podemos dizer Dilma Rousseff perderá a Presidência da República para o PMDB. E pior que tudo aconteceu por estratégia desse partido.

O PMDB anunciou que estava “estudando” o rompimento com o PT um dia antes das maiores manifestações contra Dilma Rousseff, que ocorreram dia 13 de março de 2016.

Se voltarmos um ano a março de 2015, veremos como Temer disse que o Impeachment era “impensável”. O que aconteceu?

Naquela época, as causas políticas do Impeachment não tinham a força que adquiriram ao longo de 2016.

A “corrupção”, a “roubalheira”, a ilusória crença em uma “revolução comunista feita pelo Foro de São Paulo”, os problemas econômicos, e os petistas enquadrados na Operação Lava a Jato não afetavam tanto o mandato de Dilma como atualmente.

A perda de apoio no Congresso que fez tudo mudar.

Após a saída do PMDB do governo Dilma no final de março, tivemos o ápice da crise política com a nomeação de Lula para ministro chefe da Casa Civil (tentativa de salvar a base do Governo) e a decisão de Moro que levantou o sigilo de conversas privada de Dilma Rousseff obtidas por grampo.

A instabilidade daqueles tempos foi enorme e causou um efeito cascata na base aliada de Dilma: partidos como o PP perceberam que o PT iria afundar no Congresso sem o PMDB e romperam com o Governo em questão de semanas.

Com isso, as causas políticas do Impeachment cresceram exponencialmente e sustentaram as questionáveis causas jurídicas desse processo, que não serão contestadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Formou-se o cenário ideal para o Impeachment.

O PMDB era o partido do vice-presidente, Michel Temer, do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Como todo partido, o PMDB busca o Governo. Percebeu que o caminho para a Presidência da República era viável e começou a trabalhar por ele.

Fez articulações no Legislativo, aproveitou as manifestações, a cobertura da imprensa contra PT e agiu.

Em questão de semanas, um Governo Federal de 13 anos ficou completamente sem apoio no Congresso.

As pedaladas, os decretos e toda essa discussão que ocorreu no Congresso logo funcionaram de formalidades para tirar Dilma e justificar a obtenção do poder.

A queda da Era do PT no Governo aconteceu lá atrás, quando o PMDB rompeu com o PT.

Sem a quebra dessa aliança, as pedaladas fiscais, os decretos e as causas políticas do Impeachment não causariam a destituição da presidente. Nenhum tribunal condenaria Dilma por isso e o Impeachment não teria as proporções que adquiriu esse ano

Mas houve pressão social pelo impedimento. Houve acolhimento dessas intenções por parte dos partidos pró-Impeachment. E logo aconteceu a virada de jogo feita pelo PMDB, uma grande conspiração e uma consequente tomada do poder.

Se as causas políticas são justas ou não é questão de perspectiva, de ideologia e de identificação política de cada um.

O fato é que as causas jurídicas são mero detalhe no meio de todo esse jogo político e o PT perde a presidência por ter perdido apoio no Congresso.

Então, é compreensível que boa parte dos filiados, militantes e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores esteja completamente indignado com a traição peemedebista.

Mas agora o partido precisa decidir entre (1) tentar construir futuras bases com os “golpistas”, (2) formar uma frente de esquerda com outras siglas ou (3) contentar-se com o papel de oposição e tentar ganhar eleições sem apoio de grandes legendas.

De cara ao futuro, aparentemente só sobraram estas opções.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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