Dilma diz que militares agiram contra seu Governo e denuncia “partido militar” de Jair Bolsonaro

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A ex-presidente cita o livro do ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, ao afirmar que militares atuaram para “desestabilizar” seu governo. Ela também afirma que Bolsonaro pertence a um “partido militar” que não tem “projeto para o país”

Por Rafael Bruza

Em entrevista ao Independente nesta sexta-feira (23), a ex-presidente da República, Dilma Rousseff (PT), afirma que militares atuaram para desestabilizar seu governo com “mecanismos psicossociais” usados em contexto de uma “guerra híbrida”. A ex-presidente também afirma que um “partido militar” age como sigla do atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido).


“No caso do golpe, ficou claro na passagem em que ele (o general Villas Bôas) diz que incentivaram ‘a família militar’ a participar dos movimentos que desestabilizaram o Governo. Ou seja, com aquele tipo de guerra híbrida que é o uso de mecanismos psicossociais. Aí, obviamente, em parceria com a mídia e todo o resto que nós conhecemos, inclusive a Lava Jato”, afirma Dilma.

Na entrevista, Dilma reconhece que não sabe se Jair Bolsonaro é “criatura ou criador” destes militares politizados, mas aponta que grupos agem atualmente como “partido militar” que sustenta o Governo Federal.

“Posto que o Bolsonaro não tem partido, quem funciona como partido do Bolsonaro e controlador do aparelho burocrático do Estado é o partido militar”, afirma. “Nos mais de 6 mil quadros que estão na Alta Cúpula do Estado, a Casa Civil é militar. É estranho, mas é militar. O Ministério da Saúde, que era o ministério mais importante diante da pandemia, foi militarizado. As agências reguladoras são dirigidas por militares. As principais estatais são dirigidas por militares. E os quadros intermediários de direção também são de militares”.

A ex-presidente na sequência declara que estes militares “não têm projeto para o país”.

“Então você tem no caso do Bolsonaro essa parte da alta oficialidade, da reserva e um pedaço da ativa, fazendo papel de partido militar. Partido por que? Porque representa uma concepção do país. E o lamentável é que parece que não têm um projeto para o país”, declara a petista.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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