‘Dilma será afastada sem o povo ter entendido o motivo’, diz José Eduardo Cardoso

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O advogado de defesa da presidente afastada insistiu na falta de provas no processo de Impeachment e comparou o julgamento do Senado com os que Dilma sofreu na Ditadura Militar.

Informação – Rafael Bruza * com informações da Agência Brasil

O advogado de defesa de Dilma Rousseff no julgamento do Impeachment, José Eduardo Cardozo / Foto – Reprodução (Lula Marques/Agência PT)
O advogado de defesa de Dilma Rousseff no julgamento do Impeachment, José Eduardo Cardozo / Foto – Reprodução (Lula Marques/Agência PT)

O advogado de defesa de Dilma Rousseff no processo de Impeachment, José Eduardo Cardoso, afirmou nesta terça-feira (30) que a presidente está sendo afastada “sem que o povo que a elegeu tenha entendido minimamente o crime que tenha praticado”. Cardozo fez fala de uma hora e meia no quinto dia do julgamento final no Senado Federal e indicou que não há provas sobre a prática de crimes da presidente Dilma Rousseff.

“Me dói, não como advogado, mas como ser humano. Não é justo falar o que falaram aqui de Dilma Rousseff. Querem condenar, condenem, mas não enxovalhem a reputação de uma mulher digna”, pediu.

Segundo Cardozo, bastava Dilma “cheirar” algo errado que ela “ia na jugular dos seus ministros”, o que lhe conferiu adjetivos como autoritária e dura. “Mulheres que são corretas são duras”, afirmou.

O advogado também indicou que as acusações contra Dilma são confusas e não passam de pretextos para destituir “uma mulher que incomoda”.

“A maior parte da população brasileira não saberá quais foram as preais acusações. São pretextos, pretextos irrelevantes”, afirmou Cardozo.

“Talvez daqui a um tempo ninguém mais lembre das acusações dirigidas a Dilma porque ela ousou ganhar uma eleição afrontando interesses dos que queriam comandar o país”, afirmou.

Cardozo disse ainda que o trabalho para desestabilizar o governo dela começou no minuto seguinte em que Dilma ganhou as eleições presidenciais, em 2014.

“Uma eleição legitima, em que houve uma vencedora e derrotados”, disse, citando as acusações de que houve compra de votos em troca do benefício do Bolsa Família, seguido do pedido de auditoria das urnas eletrônicas e uma denúncia para impugnar as contas da presidente afastada. “Diante da inconsistência em se deslegitimar sua reeleição começou a se procurar fatos do impeachment a todo momento. Além da dificuldade em se achar um fato, havia um problema. Naquele momento, a oposição não havia força para fazer nada”.

Seguindo o tom crítico, Cardozo disse que o responsável pelo andamento do processo de afastamento é o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB – RJ).

“Cunha, contra a posição de Dilma, assume a presidência da Câmara e começa o processo de desestabilizar a presidência. Pare a Lava a Jato porque se não esse governo será desestabilizado. Dilma se recusou e encarou Cunha, como encarou seus algozes em sua juventude. E disse: ‘me enfrente’! ao deputado”.

O advogado comparou o julgamento atual com os três que Dilma sofreu durante a Ditadura Militar por lutar contra o regime.

“Era essa a acusação formal? Não. Eram pretextos que estavam lá nos dispositivos. Talvez ela nem se lembre porque era irrelevante. É pelo conjunto da obra que se punia a dedo as pessoas que se queria punir, pois se precisava matar a obra. Dilma Rousseff passou três anos presa, teve seus direitos suspensos e foi brutalmente torturada”, declarou.

Ao terminar sua intervenção, José Eduardo Cardozo chorou e saiu consolado por senadores do Partido dos Trabalhadores.

“Votem, por favor, pela democracia e pela justiça. Eu não tenho mais nada a dizer. Os autos falam por mim”, declarou o advogado.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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