Dono de administradora de planos de saúde financiou ministro que pretende rever tamanho do SUS

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Elon Gomes de Almeida, sócio do Grupo Aliança, foi o maior doador de campanha de Ricardo Barros para deputado federal pelo Paraná em 2014.

O ministro da Saúde do Governo interino de Michel Temer, Ricardo barros / Foto – Reprodução (Wilson Dias/Agência Brasil)
O ministro da Saúde do Governo interino de Michel Temer, Ricardo barros / Foto – Reprodução (Wilson Dias/Agência Brasil)

Informação – Rafael Bruza * com informações da Revista Época

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo publicada na segunda-feira (16), o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que o Estado brasileiro não é capaz de “sustentar o nível de direitos que a Constituição determina“ e que durante sua gestão seria preciso “rever o tamanho” do Sistema Único de Saúde (SUS) para reduzir gastos do Governo.

Entre as declarações, argumentou que seria preciso “repactuar as obrigações do Estado porque ele não tinha mais capacidade de sustenta-las”, e afirmou que as decisões judiciais que incluem novos procedimentos à cobertura dos planos de saúde “aumentam o custo” das empresas, que o repassam ao consumidor.

Vendo a possibilidade de reduzir o Sistema Único de Saúde, é preciso dizer que o maior doador individual de campanha do ministro Ricardo Barros é Elon Gomes de Almeida, presidente do Grupo Aliança, uma administradora de planos de saúde que tem muito a ganhar com as medidas defendidas pelo ministro na entrevista concedida à Folha.

Em 2014, Elon doou sozinho 100 mil reais para a campanha de deputado federal de Ricardo Barros, eleito pelo Paraná. Tudo legal, pois a legislação permite a doação de pessoas físicas (o total doado correspondia a 3,1% do recebido pelo ministro da Saúde) e as contas eleitorais de Barros foram devidamente aprovadas, conforme indica comunicado que o Ministério da Saúde passou para a Revista Época em defesa do ministro após a publicação da notícia.

O comunicado da pasta também afirma que a atuação da gestão do ministério independe de “relação partidária, jurídica ou pessoal”. Mas convenhamos que essas palavras são bem questionáveis quando vemos o ministro financiado pelo Grupo Aliança dizendo a todo país que “quanto mais gente puder ter planos de saúde, melhor, porque vai ter atendimento patrocinado por eles mesmos, o que alivia o custo do governo em sustentar essa questão”.

Nos últimos anos, cresceu o debate sobre o financiamento privado de campanha. Críticos a essa prática existe em diversos países dizem que as empresas doam como investimento, obtento em troca um enorme poder de pressão sobre os políticos eleitos. Os argumentos a favor do financiamento privado indicam que há mais escândalos de corrupção com o financiamento público, além dos maiores gastos para o Governo.

Sabendo disso, cabe lembrar que, em 2014, Elon Gomes de Almeida também doou R$ 600 mil para a campanha de Vital Rêgo (PMDB), derrotado na eleição para Governador da Paraíba, R$ 100 mil para Carlos Sampaio (PSDB – SP), eleito para deputado federal, e R$ 100 mil para Eliana Calmon (PSB), candidata da Bahia não eleita para o Senado.

A doação de campanha foi proibida em 2015 pelo STF e a presidente afastada Dilma Rousseff, vetou o artículo da Reforma Política que autorizava o financiamento privado de campanha. As eleições municipais de 216 já terão financiamento exclusivamente público.

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