Elas perderam o ouro, mas são guerreiras e merecem mais valorização

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Parabéns às talentosas jogadoras brasileiras: carecem do apoio financeiro e popular, mas jogaram com vontade e provaram que o futebol feminino merece incentivos, sim!

Opinião – Rafael Bruza

martaElas perderam. Chutaram muito a gol, mas erraram e não conseguiram chegar à final olímpica, onde poderiam conquistar a primeira medalha de ouro no futebol brasileiro. A Seleção Brasileira de futebol feminina perdeu da Suécia nesta terça-feira (16), nos pênaltis, por 4 x 3. Mas ainda disputarão o bronze nessas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

As “guerreiras” receberam consolação do público nas redes sociais, mas, claro, lamentaram a derrota.

“A gente sabia que o jogo delas era esse. A gente deveria ter feito (um gol) durante a partida. É futebol. Alguém tem que perder”, afirmou a craque Marta (que tem alguns números superiores aos de Pelé e Messi), após a derrota para a Suécia.

Mas a camisa 10 não perdeu as esperanças.

“Nada vai tirar o brilho do que a gente fez e tem o bronze para buscar”, disse a estrela do futebol feminino.

Reconhecendo a humildade e a luta dessas jogadoras, muitos internautas defenderam a valentia das jogadoras brasileiras, que têm grande talento.

Mas os elogios de internautas não apagam as críticas comuns feitas ao futebol feminino.

“Futebol é esporte de homem”. “Futebol feminino é lento”. “Elas são ruins de tática”. “A goleira é baixinha”… Entre muitas outras justificativas dadas por cidadãos brasileiros que de nada ajudam a categoria feminina do futebol.

A despeito do preconceito existente, as Olimpíadas e outros campeonatos femininos fizeram com que parte do público entendesse que as mulheres são menosprezadas no futebol, ao contrário do que vivem os milionários (e relativamente mimados) homens do esporte número 1 no Brasil.

A diferença entre homens e mulheres no futebol brasileiro é tão grande que a seleção feminina de futebol virou praticamente um símbolo da desigualdade entre gêneros e da necessidade da luta feminista em nosso país.

Eles ricos, famosos e reconhecidos, elas carentes, humildes e desvalorizadas.

As jogadoras não tem nem trabalho de base!

Na segunda-feira (15), um dia antes da derrota para a Suécia, o técnico Vadão confirmou essa realidade em entrevista ao portal UOL.

“Nosso trabalho de base não existe. Não temos na escola, em cidades… A maioria das meninas não tem onde jogar futebol. Elas começam a jogar com 14, 15 anos. Nossa esperança é que a gente traga motivação para que as pessoas ajudem a desenvolver nossa modalidade, que está muito carente”, afirmou Vadão.

Considerando a habilidade das jogadoras brasileiras (que salta aos olhos em comparação à outras seleções femininas) a falta de trabalho de base e profissional no futebol feminino brasileiro acaba gerando um enorme desperdício de talentos.

Mas com a resistência do público do futebol (em maioria homens), não há interesses de empresas nem da CBF, consequentemente em investir e melhorar a situação do futebol feminino.

E assim a categoria continua sem o apoio que merece…

Mas, como disse Vadão no comentário acima, a motivação pode ajudar a desenvolver a modalidade, “que está muito carente”. E as Olimpíadas sem dúvida funcionaram como um belo trampolim para levantar os problemas no futebol feminino.

A questão agora é, claro, aproveitar a visibilidade gerada pelos jogos!

O técnico também afirmou que “a medalha (de ouro) não salvaria o futebol feminino no Brasil” e que essa categoria “só será salva quando todos se abraçarem e falarem: vamos realmente trabalhar e desenvolver a modalidade aqui”.

“É isso que falta”, segundo Vadão.

Então vamos lá: é preciso (1) dialogar com clubes sobre as necessidades do futebol feminino, (2) criar mais campeonatos regionais a nacionais, (3) incentivar a prática do esporte dentro de escolas e universidades, (4) lutar contra o preconceito com jogadoras (chamadas de lésbicas e “machos”, por exemplo), (5) dar divulgação aos torneis femininos na imprensa (atenção, jornalistas!!!), entre outras medidas oportunas que melhorariam o futebol feminino logo de cara.

Resumindo: temos que arregaçar as mangas e trabalhar pelo bem do esporte, não tem jeito.

E quem quiser ajudar as jogadoras,um conselho: fale sobre futebol feminino nas redes sociais, reconheça as diferenças gritantes entre as categorias masculina e feminina no futebol, acompanhe campeonatos e mais importante: valorize o esforço delas atletas.

Elas merecem! E esse reconhecimento social faz toda diferença, pois atrai público, empresas e atenção do faro financeiro da CBF, sempre sedenta pelos milhões, mas negligente com quem não satisfaz essa necessidade por simplesmente ser humilde.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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