Em editorial, Folha de SP afirma que políticas de Paulo Guedes seguem ‘direção correta’

0

O jornal defendeu medidas que geram redução do Estado e argumentou que é preciso “tempo” para que as políticas deem resultado, em opinião

Por Rafael Bruza

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o título do editorial desta terça-feira (05) – leia o texto da Folha, na íntegra, ao final desta matéria

Editorial do jornal Folha de SP publicado nestaterça-feira (05) apresenta reformas propostas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como uma “direção correta” a seguir e, ao final, argumenta que “é preciso dar algum tempo para que a nova política econômica possa mostrar seus resultados”.

A opinião do jornal se assemelha à de Paulo Guedes, nesta questão temporal. Em entrevista recente à própria Folha, o ministro pediu paciência para que a economia volte a crescer.

“O ministro da Economia, Paulo Guedes, delinmeou em entrevista a esta Folha uma ambiciosa agenda de reformas que deve ocupar a atenção do governo e do Congresso nos próximos meses”, diz o jornal. “Muitas das medidas apontam na direção correta ao lidar com a urgente necessidade de modernizar o Estado brasileiro e focar sua ação naqueles que mais precisam”.

Editorial é o gênero jornalístico em que um jornal impresso apresenta sua opinião sobre o mundo. Este texto da Folha, portanto, exprime a visão do jornal sobre as políticas econômicas de Paulo Guedes e as medidas que propôs.

“Elas incluem a necessária reforma administrativa, com vistas a reformular as carreiras do serviço público, reduzir a enorme discrepância salarial com o setor privado e reforçar mecanismos de avaliação de desempenho, hoje inexistentes. Outros itens importantes da pauta são a PEC que aperfeiçoa o funcionamento do teto constitucional de gastos (limitados à inflação) e a busca por maior flexibilidade na gestão dos orçamentos. Sua rigidez excessiva também inviabiliza que os gestores públicos possam rever as prioridades de gasto”, aponta ainda o editorial.

O texto indica um “exagero” de Guedes e logo defende a “revisão” do “crescimento do Estado”.

“O ministro exagerou ao afirmar que só a centro-esquerda governou o Brasil nos últimos 30 anos. Mas não se desviou demais do alvo quando se considera que o crescimento do tamanho do Estado foi uma constante ao longo de todo esse período e precisa ser revisto”.

O jornal sugere, portanto, apoio a medidas neoliberais focadas na redução do Estado. Logo aponta argumentos a favor disto.

“Sinais dos benefícios potenciais de uma política econômica mais austera para os gastos públicos já começam a se evidenciar. É difícil contestar, por exemplo, que a queda dos juros básicos nos últimos três anos – de 14,25% ao ano em outubro de 2016 para os 5% hoje – surpreendeu até os mais otimistas. Um fator importante, certamente, a justificar essa tendência é a profunda mudança na política econômica desde que foi instituído o teto constitucional para os gastos públicos, em novembro de 2016 (Governo Temer)”.

Na sequência, a Folha argumenta que ocorre “um ensaio de retração do tamanho do Estado e maior prevalência do setor privado como motor do crescimento”.

“Essa mudança, naturalmente, leva tempo e não ocorre sem riscos”, argumenta o impresso. “O principal é assegurar que a revisão do tamanho do gasto público não penalize os mais pobres. Também falta que a redução dos juros chegue ao crédito de pessoas físicas e a empresas de menor porte”.

Por fim, a Folha aponta que “com esses cuidados em mente, é preciso dar algum tempo para que a nova política econômica possa mostrar seus resultados”.

O editorial da Folha

Análise – Folha contra Bolsonaro?

Em diversos momentos, simpatizantes e correligionários de Jair Bolsonaro acusam o jornal Folha de SP de ser inimigo do Governo e de querer prejudicá-lo.

O próprio Jair Bolsonaro, na semana passada, revoltado com a linha editorial do jornal, prometeu cancelar assinaturas do impresso em órgãos do Governo Federal em Brasília.

“Nenhum órgão aqui do meu governo vai receber o jornal Folha de S.Paulo, aqui em Brasília. Está determinado”, declarou Bolsonaro. “Espero que não me acusem de censura. Quem quiser comprar a Folha de S.Paulo, ninguém vai ser punido por isso, manda o assessor dele, vai lá na banca e compra a Folha de S.Paulo, e se divirta.” Presidente também disse que os anunciantes do jornal “devem prestar atenção”.

Por outro lado, a posição da Folha de SP – e de outros veículos da Grande Mídia, como os jornais do Grupo Globo – é favorável à Paulo Guedes e suas políticas econômicas.

O editorial desta terça-feira (05) deixa isto explícito.

A Folha não simpatiza com os fanatismos do Governo, sinalizando que discorda da análise de Guedes sobre os governo últimos 30 anos – ora, Fernando Collor (PTC) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) claríssimamente não são “de centro-esquerda”, como o ministro afirma.

Porém, é evidente o apoio do jornal às políticas de Paulo Guedes que buscam a redução do Estado e o aumento do papel de empresas no Brasil.

É importante levantar a história. A Folha apoiou o Impeachment de Dilma Rousseff, a Operação Lava Jato, a chegada de Michel Temer (MDB) à Presidência da República e as medidas políticas “austeras”, como a PEC do teto de gastos, elogioada no editorial, que vieram a seguir.

Eleito Bolsonaro, a Reforma da Previdência também foi aprovada sem que a população visse posturas críticas ao projeto, em grandes jornais.

Em resumo: a Folha de SP se opõe à parte fanática do Governo Bolsonaro, como a família do presidente e o influente autor Olavo de Carvalho, enquanto simpatiza com Paulo Guedes e suas medidas favoráveis à grandes empresas – afinal de contas a própria Folha de SP e seus anunciantes são, em si, grandes companhias.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook

Comments are closed.