Entenda a acusação de estupro dirigida ao pastor Marco Feliciano

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O caso teve uma reviravolta quando a suposta vítima desmentiu todas informações do UOL e culpou a imprensa “esquerdinha” por “propagar mentiras”.

Análise – Rafael Bruza

A suposta vítima de agressão e tentativa de estupro, Patrícia Lelis, em selfie com o pastor e deputado Marco Feliciano / Foto - Reprodução
A suposta vítima de agressão e tentativa de estupro, Patrícia Lelis, em selfie com o pastor e deputado Marco Feliciano / Foto – Reprodução

Editado na sexta-feira (05) às 21h

Atualização – Esse texto foi feito antes da última reviravolta do caso. Em um primeiro momento, a imprensa publicou matérias sobre a suposta agressão e tentativa de estupro do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC – SP). Logo Patrícia Lélis fez vídeos desmentindo as acusações feitas por ela mesma e divulgadas pela imprensa. O texto abaixo chega até esse momento.

Mas um dia depois, tudo mudou novamente quando a Polícia entrou na história. Patrícia Lélis disse que foi coagida e mantida em cárcere pelo chefe de gabinete de Feliciano, Talmo Bauer, em um hotel. Ela fez denúncia formal na Polícia citando Marco Feliciano, Talma Bauer e o Pastor Everaldo. O caso de Feliciano seguiu para a Procuradoria Geral da República e logo vai ao STF.

E agora a Justiça decidirá tudo. Confira como o caso se desenrolou até a Polícia entrar na história:

Na terça-feira (02), uma coluna do UOL fez a denúncia de uma jovem de 22 anos que supostamente foi vítima de violência e tentativa de estupro praticada pelo pastor e deputado federal, Marco Feliciano (PSC –SP).

Junto com a revelação (ou suposta revelação), o blog do Grupo Folha (dona do UOL) divulgou uma série de mensagens que deveriam comprovar as acusações da vítima, que teve identidade protegida pelas iniciais “P.L”.

No mesmo dia, a tal PL, que se chama Patrícia Lélis, reapareceu desmentindo tudo em pelo menos dois vídeos.

“Blogs e sites que não são confiáveis colocaram a nossa foto juntos. A todos esses jornalistas que me ameaçaram dizendo que eu tinha que contar a verdade, tô aqui falando a verdade. A verdade é que vocês estão mentindo, tá em época de eleição e o que vocês querem é destruir a direita. Mas não é desse jeito que vocês vão conseguir. O pastor Marcos Feliciano é uma pessoa íntegra com a qual eu tenho um contato muito bom, sempre muito respeitoso, muito amigável. Então não propaguem mentiras”, afirma a jovem em um dos vídeos.

https://www.facebook.com/100002542241773/videos/vb.100002542241773/1107145916046806/?type=2&theater

Na busca por comprovar a denúncia, os jornalistas do UOL começaram a divulgar as provas que dispunham.

O editor do blog se encontrou com a mãe da vítima em Brasília, que afirma ter visto a filha machucada por causa da (suposta) agressão, e fez um post sobre isso.

E na quarta-feira (03), a Coluna Esplanada do UOL divulgou um áudio que supostamente pertence à própria vítima, onde a mulher denuncia o pastor Marco Feliciano a Talma Bauer, chefe de gabinete do deputado Feliciano.

No áudio, o nome de Patrícia é citado no minuto 12’17 e logo depois ela diz ser vítima de violência cometida pelo pastor.

“Com todas as letras, ele deu em cima de mim mesmo de uma forma assim, descarada. Me levou a fazer coisas à força, que eu tenho prova disso. Dentro da casa dele, falou que tava tendo uma reunião na UNE para eu ir pra lá. Cheguei lá e não tava tendo. Ele não me deixou sair. Fez coisas à força. Eu tenho a mensagem para ele: ‘Feliciano, a minha boca ficou roxa’. Ele ri (em mensagem) saindo do número, que ele usava, não sei se usa mais, e ele segue e fala assim: ‘ah, passa um batom por cima’. Eu tenho todas essas provas”.

O homem da gravação, que se identifica como “chefe de gabinete dele (Feliciano)” no minuto 17:00 do áudio, tenta contornar a situação. Mas, instantes depois (18:25), a jovem diz que está disposta a levar o caso à polícia.

“Sabe por que eu não levei isso para a delegacia, ainda? Não foi por conta do Feliciano nem nada disso. Ainda não levei para a delegacia porque sou cristã. Eu amo a minha igreja. Eu não fui para a delegacia porque sei que isso vai prejudicar não só a igreja, mas todo o evangelho. E vai me prejudicar porque eu sou evangélica e eu amo a igreja. Eu corri atrás de todos os pastores, para falar a verdade. E, assim, eu não posso sair prejudicada, porque se eu ver que vou sair prejudicada, aí eu vou na delegacia”.

Em entrevista ao Huffpost Brasil, o chefe de gabinete de Feliciano Talma Bauer disse que o áudio divulgado pelo UOL é falso.

“O áudio é falso, nunca conversei com ele, ela já colocou no Face dela que é falso. Isso é uma coluna que fizeram para, sei lá, sei lá o quê. Mas eu nunca conversei com ela, nunca me mandou um link, nunca tivemos essa conversa. Ela já disse que é falso”, afirmou Bauer.

 

 

Ao final, Patrícia mudou sua versão novamente e acusou Marco Feliciano. Seu assessor foi preso nesta sexta-feira.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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