Espanha se situa à esquerda e deixa de lado a ultra-direita, que irrompe a Europa

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O socialista, Pedro Sánchez, atual presidente da Espanha, cargo que ocupará nos próximos 4 anos

As eleições do último dia 28 de abril eram chaves para a Espanha. Havia várias questões a ser definidas nesta data, em que até cinco partidos com notável importância se apresentavam.

A ultra-direita entraria com força no parlamento espanhol? Que efeito a divisão causaria, entre as diversas opções conservadoras? Os resultados permitiriam uma governabilidade ou, pelo contrário, nos levariam a uma repetição de eleições, como ocorreu em 2015? Qual é o estado real do partido Popular? Ou melhor. Entre tantas, qual força, através do voto, iriam aglutinar os partidos nacionalistas, que lutam por independência de regiões?

Evidentemente, todas essas interrogações foram respondidas depois da abertura das urnas. O socialista, Pedro Sánchez, atual presidente da Espanha, cargo que ocupará nos próximos 4 anos, ganhava as eleições com 123 deputados. Uma conquista, olhando de um ponto de vista objetivo e considerando que não existe segundo turno na Espanha – os tempos de bipartidarismo pós-eleições acabaram.

Esse era o primeiro dado da noite. O PSOE, vencedor. O mesmo partido que há justamente um ano alcançou o Palácio da Moncloa após prosperar a moção de censura contra Mariano Rajoy (PP), na época atado nas mãos e pés pela grande corrupção de seu partido. Os populares, precisamente, com Pablo Casado como novo líder, sofreram a pior derrota em sua história.

Conseguiram apenas 66 deputados. Uma pancada sem precedentes. O Ciudadanos, partido autoproclamado de centro, mas que apoiou tanto socialistas quanto conservadores, de acordo com o momento, quase ultrapassou o PP, mas ficou com 57 cadeiras.

A sua vez, uma das novidades era o Vox, partido de ultra-direita – corrente que está de moda em outros países do velho continente, onde entrou com contundência.

Na Espanha, as pesquisas apontava que a sigla teria cerca de 40 deputados. No final das contas, ficou com 24. Não é, obviamente, um número pequeno. Mas a interpretação mostra uma debilidade: no país espanhol, o extremismo de direita não é como tal.

Assim são as coisas. PP, Ciudadanos e Vox não somam maioria absoluta, que está na faixa de 176 deputados. Essa incógnita já foi abandonada. Governará a esquerda, sim ou sim. Está por se decidir se será em solitário com precisará de sócios.

O Podemos, que se sitúa à esquerda do PSOE, não teve bons resultados. Dos 69 parlamentares obtidos em junho de 2015, ficaram com 42. Atenção: a sangria acabou. Isso tem uma leitura clara: muitos votantes de esquerda se voltaram ao PSOE, em detrimento do partido de Pablo Iglesias, que pede a Sánchez participação no governo, com funções ministeriais.

Insisto: o primeiro não se move neste sentido e dá sinais que quer governar solitariamente.

E os nacionalistas? A Espanha atualmente julga políticos líderes independentistas catalães, que estão há mais de um ano na prisão preventiva, por sua atuação no “procés”, que busca a independência da Catalunha e levou a cabo um referendo ilegal.

Aparentemente, Sánchez poderia se escapulir e prescindir do apoio, por exemplo, da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), que não seria “grátis”.

Mas o tempo dirá. No próximo dia 26 de maio, voltamos às urnas. Há eleições regionais e locais. Em breve, campanha de novo.

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