GloboNews vence prêmio por cobertura ao vivo do áudio de Lula e Dilma

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Divulgação dos grampos ocorreu em um dos ápices da crise política de 2016.

Por Rafael Bruza

Marcelo Cosme, repórter da GloboNews, durante cerimônia do 57º Festival de Televisão de Monte-Carlo / Foto (Divulgação/TV Globo)

O canal de TV por assinatura, GloboNews (Grupo Globo) venceu nesta terça-feira (20), em Mônaco, o prêmio televisivo Golden Nymph Awards na categoria “Furo de reportagem em coberturas ao vivo” (Live breaking news story) pela cobertura da divulgação dos áudios da conversa entre Lula e Dilma Rousseff, em março de 2016.

Os áudios foram divulgados após decisão do juiz federal Sérgio Moro, que retirou sigilo das interceptações telefônicas feitas a Luiz Inácio Lula da Silva e permitiu divulgação de conversas telefônicas do ex-presidente com autoridades com foro privilegiado, como a então presidente da República, Dilma Rousseff, e o então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner.

A divulgação dos grampos ocorreu dia 16 de março, pouco depois que a ex-presidente Dilma Rousseff anunciou que nomearia Lula como ministro-chefe da Casa Civil.

No discurso de posse de Lula, feito um dia após a divulgação dos grampos, a petista criticou a decisão de Moro.

“Convulsionar a sociedade brasileira em cima da inverdade, de métodos escusos, de práticas criticadas, viola princípios e garantidas constitucionais, viola o direito do cidadão e abre precedentes gravíssimos. Os golpes começam assim”, disse Dilma, na ocasião.

A conversa entre Lula e Dilma também foi citada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na hora de suspender a nomeação de Lula para o Ministério da Casa Civil.

No diálogo captado e divulgado, Dilma dizia que enviaria o termo de posse para Lula e orientou que o petista usasse “em caso de necessidade”.

Mendes e defensores do Impeachment entenderam que Dilma pretendia obstruir as investigações contra Lula ao nomeá-lo ministro, pois seu caso iria ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao invés da 1ª instância em Curitiba, onde se encontra o juiz federal Sérgio Moro.

“Pairava cenário que indicava que, nos próximos desdobramentos, o ex-Presidente poderia ser implicado em ulteriores investigações, preso preventivamente e processado criminalmente. A assunção de cargo de Ministro de Estado seria uma forma concreta de obstar essas consequências. As conversas interceptadas com autorização da 13ª Vara Federal de Curitiba apontam no sentido de que foi esse o propósito da nomeação”, diz Gilmar Mendes em trecho da decisão de suspender nomeação de Lula, que nunca foi julgado em plenário do Supremo por conta do Impeachment de Dilma Rousseff.

Ainda em março de 2016, a divulgação dos grampos foi considerada ilegal pelo relator da Operação Lava Jato na época, o falecido Teori Zavascki.

De acordo com o ministro, o decreto de fim do sigilo dos grampos foi o resultado de uma decisão de primeira instância em um caso que envolve réus com prerrogativa de foro no Supremo. Nesse sentido, o juiz deveria ter enviado os autos ao Supremo antes de tomar a decisão.

Em segundo ponto, Teori sustentou que Moro violou o direito constitucional à garantia de sigilo dos envolvidos nas conversas, pois a Lei das Interceptações, “além de vedar expressamente a divulgação de qualquer conversa interceptada (artigo 8º), determina a inutilização das gravações que não interessem à investigação criminal (artigo 9º)”, segundo a decisão.

Na época, Teori também pediu explicações ao juiz federal Sérgio Moro sobre a decisão.

Poucos dias depois, Moro enviou ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual pediu “respeitosas escusas” à Corte pelas consequências da retirada do sigilo dos grampos.

O juiz seria julgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no mês passado – maio de 2017 -, mas o conselho decidiu retirar o julgamento de pauta e o caso aguarda julgamento.

O prêmio

O prêmio dado ao Grupo Globo foi entregue ao repórter Marcelo Cosme durante o 57º Festival de Televisão de Monte-Carlo, que premia os melhores da TV europeia e internacional nas categorias de filmes de televisão, minisséries, séries de drama e comédia e programas de notícias.

“Jornalismo é uma mistura de precisão com paixão. Esse prêmio é a prova de que a GloboNews conseguiu ser rápida na divulgação e precisa na apuração”, disse Eugenia Moreyra, diretora do canal. “Este prêmio é para toda a GloboNews, para essa equipe fantástica que se une ainda mais em momentos que exigem foco”, comemora o repórter Marcelo Cosme.

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