Governo recriou Ministério da Cultura para “serenar os ânimos” da sociedade

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Declaração do ministro da Educação mostra que pressão e a instabilidade fizeram Temer voltar atrás na decisão de transformar o Ministério da Cultura em secretaria nacional de governo.

Opinião/Análise – Rafael Bruza

Ministros investigados na Operação Lava a Jato, possível recorte do SUS, exoneração do diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação… Temer assumiu o Governo interinamente há pouco mais de uma semana e já é centro de uma série de incêndios que questionam suas políticas e seu mandato concedido via Impeachment.

Está claro que o presidente interino não pode correr riscos diante dos ânimos extremos da sociedade brasileira.

Sabendo disso, seus simpatizantes vêm difundindo discursos de “paz e amor” e de “trabalhe para solucionar a crise”, que recente e retoricamente são visíveis na imprensa corporativa (como na capa da Isto É) e nas redes sociais.

Acontece que somente a estabilidade política pode assegurar a manutenção de Michel Temer na presidência, pois o presidente interino é alvo de críticas e questionamentos na sociedade tão ácidos quando os que motivaram o Congresso a afastar Dilma Rousseff da Presidência da República.

Então, mesmo com a maioria que o Governo deve formar no Legislativo, todos sabem que há muito a perder. E, por depender de estabilidade, Temer começa a ceder.

O anúncio do ministro da Educação, Mendonça Filho, de que o presidente interino recriaria o Ministério da Cultura mostra claramente que a decisão foi tomada simplesmente para acalmar os ânimos de cidadãos e artistas brasileiros.

O ministro disse que “a decisão de recriar o Ministério da Cultura é um gesto do presidente Temer no sentido de serenar os ânimos e focar no objetivo da cultura brasileira”.

Deixando de lado as palavras de propaganda, o ministro disse claramente que o Ministério da Cultura foi recriado para “serenar os ânimos” (da sociedade, claro!).

A notícia gerou enorme polêmica na nação. Lados se polarizaram, argumentos rivalizaram e explodiram algumas das primeiras manifestações contra o Governo interino, alheias ao Partido dos Trabalhadores.

Vários artistas (famosos ou não) criticaram o fechamento do Ministério da Cultura e houve também uma ocupação feita na sede dos ministérios da Educação e da Cultura no Rio de Janeiro.

Todos esses focos de pressão são péssimos para Temer, que não teve força suficiente para manter sua decisão na situação.

Foi preciso voltar atrás para resolver o impasse, e esse fato pode ser considerado uma derrota política do Governo interino.

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