Greenwald confirma que hacker vazou mensagens ao Intercept sem cobrar e anonimamente

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Errata: este texto dizia equivocadamente que Greenwald havia confirmado que Walter Delgatti Neto era fonte do The Intercept Brasil. Os tuítes do jornalista, no entanto, sinalizam apenas que o site recebeu as conversas da Lava Jato de forma anônima e gratuita. O texto foi editado às 13h desta sexta para correções.

Por Rafael Bruza

Nesta quinta-feira (25), o editor do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, confirmou uma informação do jornal Folha de S. Paulo, que indica que os diálogos entre o ex-juiz federal, Sergio Moro, e procuradores da Operação Lava Lato foram repassados gratuitamente e de forma anônima ao The Intercept Brasil, por um hacker.

A matéria da Folha de SP – compartilhada por Greenwald – apresenta uma confissão do hacker Walter Delgatti Neto, que disse ter enviado as mensagens ao The Intercept sem cobrar.

Delgatti foi detido pela Polícia Federal na última terça-feira (23), acusado de invadir celulares de autoridades da República.

Em depoimento à Polícia Federal, que teve trechos vazados à imprensa, o suposto hacker confessou que invadiu o celular do ministro Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol (coordenador da Operação Lava Jato no Paraná) e centenas de procuradores, juízes e delegados federais, além de jornalistas.

Os contatos com Greenwald, segundo o Delgatti, foram virtuais, feitos somente pelo aplicativo de conversas Telegram, e ocorreram depois que os ataques aos celulares das autoridades já tinham sido efetuados.

Ainda segundo a Folha, a polícia agora trabalha para confirmar se são verdadeiras as informações dadas por Delgatti, de que agiu de forma voluntária e sem pedir dinheiro em troca.

Em depoimento, o hacker afirmou que agiu neste caso por não concordar com os caminhos da Lava Jato. A PF apura se o grupo hackeava contas do Telegram e contas bancárias por dinheiro.

“Informação nova e verdadeira”

No Twitter, Greenwald classificou a informação da Folha como “nova e verdadeira”, ao compartilhar a reportagem do jornal – cujo título é “Preso diz à PF que hackeou mensagens da Lava Jato e as entregou de forma anônima ao Intercept”.

“Dada essa informação nova e verdadeira, a única maneira pela qual Bolsonaro e Sergio Moro podem criminalizar nosso jornalismo é se renunciarem a qualquer pretensão de que o Brasil ainda é uma democracia”, disse Greenwald, no Twitter.

Na sequência, em outro tuíte, o jornalista negou que tenha falado sobre sua fonte.

“Para ser claro, não estou afirmando que a pessoa acusada pela PF é de fato nossa fonte. Nós não comentamos sobre nossas fontes. Eu estou apenas destacando o que a pessoa que PF e Folha disseram ser a nossa suposta fonte”.

Logo depois, Greenwald destacou um trecho da reportagem que considerou “mais importante”.

“Mais importante: ‘Os contatos com Greenwald, segundo o preso, foram virtuais, somente pelo aplicativo de conversas Telegram, e ocorreram depois que os ataques aos celulares das autoridades já tinham sido efetuados.’ Exatamente que falamos desde o começo” afirmou o jornalista, num tuite em que compartilha nota do site The Intercept Brasil, sobre o caso.

Em nota, o The Intercept Brasil não fez comentários sobre a fonte e afirmou apenas que recebeu o material antes da invasão do celular de Sergio Moro. “O único papel no The Intercept na obtenção desse material foi seu recebimento por meio de nossa fonte, que nos contatou há diversas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve ‘captação de conteúdo) e nos informou de que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas”.

Diálogo com a fonte

O jornalista Glenn Greenwald enviou à revista Veja um diálogo que teve com a fonte anônima do The Intercept Brasil, responsável por coletar e repassar ao site as mensagens privadas de Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato. A conversa foi publicada nesta sexta-feira (26) pela revista. Nas mensagens, trocadas no dia 5 de junho, a pessoa se apresenta como um hacker e nega que tenha invadido o celular de Sergio Moro em junho.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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