Haddad pede doações para cobrir déficit de campanha

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Hadda tem o maior déficit de campanha entre os candidatos. João Doria (PSDB), que foi eleito prefeito em 1º turno também gastou mais do que arrecadou .

Informação – Por Rafael Bruza

Captura da publicação no Facebook em que o prefeito Fernando Haddad pede doações a internautas / Foto - Divulgação
Captura da publicação no Facebook em que o prefeito Fernando Haddad pede doações a internautas / Foto – Divulgação

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) publicou um vídeo em seu perfil oficial no Facebook nesta terça-feira (18) para pedir doações a internautas. O objetivo do prefeito é cobrir um déficit de campanha de R$ 8 milhões, gerado durante a disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, onde o petista foi derrotado por João Doria (PSDB) no 1º turno. Haddad teve o maior déficit de campanha entre os candidatos (confira abaixo os números eleitorais dos demais).

“A eleição acabou, mas a campanha ainda não. E para a gente continuar defendendo as nossas propostas pra educação, pra cidade, pro país, a gente precisa encerrar a campanha e essa campanha foi muito diferente do ponto de vista do financiamento. E nós temos ainda alguns profissionais que precisam receber pelo trabalho que fizeram, um trabalho dedicado ao longo da campanha, e para isso eu conto muito com a tua colaboração”, diz Haddad, no vídeo, antes de indicar o link onde os internautas podem fazer doações.

“Isso vai nos ajudar muito a quitar esses compromissos com esses profissionais e seguir a vida, porque a vida política não para”, conclui Haddad

Pessoal, estou passando aqui pra pedir a ajudar de vocês. A mudança de lei das campanhas eleitorais fez com que o tempo e os recursos das campanhas ficassem muito menores. A luta para que isso acontecesse foi nossa, e, finalmente, conseguimos excluir o financiamento das empresas da vida eleitoral.Você pode contribuir com qualquer valor em -> https://doacoes.haddadsp.com.br/inicioContudo, ao excluir esse tipo de financiamento, conseguir dinheiro para as campanhas se tornou uma árdua batalha, e é por isso que eu preciso de você.Para honrar nossos compromissos com quem trabalhou duro em nossa campanha, a sua ajuda é muito importante, e é com ela que vamos seguir em frente e continuar debatendo a cidade e o País que queremos construir.

Posted by Fernando Haddad on Tuesday, October 18, 2016

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, a campanha de Fernando Haddad arrecadou R$ 6,7 milhões, mas gastou R$ 14,6 milhões, o que gerou o déficit de R$ 8 milhões. O maior doador de campanha do atual prefeito é o diretório municipal do partido dos Trabalhadores, que doou R$ 1,7 milhões.

Entre os comentários da publicação de Fernando Haddad no Facebook, há mensagens críticas e outras em defesa do petista.

“Só faltou dizer que é melhor pedir do que roubar!!!! Se vc tivesse vencido as eleições não precisaria de doações né?! Afinal, usaria nosso dinheiro para pagar a SUA campanha!!! Vê se algum profissional faz propaganda do próprio negócio e pede para seus clientes pagarem!!!! Aliás, em São Paulo, nem fachada o comércio pode ter sem pagar para a prefeitura!!! Se liga!!!”, afirma o internauta Poli Bassetto Saita em comentário que adquiriu mais de mil curtidas até às 12h desta quarta-feira (19).

Outro internauta apoiou o prefeito.

“Por que eu vou doar? Muito simples, coerência. Acredito que uma das grandes razões da corrupção estrutural do Brasil é a relação promíscua entre grandes empresas e poder público (vide toda a lava-jato), que começava justamente via as doações para campanhas políticas. Isso acabou (mesmo o tio cunha tentando fazer manobras políticas contrárias ao projeto). Enfim, infelizmente o sistema não mudou como deveria – na minha opinião deveriam restringir propaganda em TV, tempo de exposição etc. Do jeito que tá, alguém rico como o Dória leva muita vantagem. Também obriga a pessoa a se filiar a um partido de um coligação forte. Sendo assim, a única chance de alguém se eleger é arrecadando via doações privadas (a não ser que use de expedientes escusos). Como acreditava no projeto do Haddad, nada mais coerente que doar para a campanha dele. Sobre o déficit, como falaram acima, ninguém esperava que acabasse no primeiro turno. No final, quando ficaram claras as chances para segundo turno eles podem ter dado um gás que extrapolou os gastos. Também pode ter feito contratações com os profissionais em que o pagamento fosse vinculado ao sucesso da arrecadação depois. Isso não significa que eles não mereçam receber. É isso meus caros, sobre a corrupção, desafio os raivosos a apresentar alguém mais ficha-limpa que o Haddad. Se for pra falar de partido, todos têm seus quadros muito podres.”, afirma Fernando Rossi de Oliveira em comentário que adquiriu 33 curtidas até às 12h desta quarta-feira (19).

Doria também tem déficit

João Doria foi eleito prefeito de São Paulo em 1º turno e também acumula déficit em sua campanha. A campanha do tucano arrecadou R$ 7,9 milhões, mas gastou R$ 14,1 milhões, gerando um déficit de R$ 6,2 milhões (confira aqui a declaração de todos os candidatos de São Paulo).

O tucano doou R$ 2,9 milhões para sua própria campanha. Antes da eleição, declarou patrimônio de R$ 179 milhões e disse que poderia colocar dinheiro do próprio bolso na campanha.

Segundo dados outros candidatos tiveram superávit em suas campanhas.

Marta Suplicy (PMDB) arrecadou R$5,9 milhões e gastou R$5,8 milhões na campanha, com superávit de R$ 91,9 mil.

Celso Russomano (PRB) arrecadou R$ 6,2 milhões e gastou R$ 3,9 milhões. Teve superávit de R$ 2,3 milhões.

E Luiza Erundina (PSOL) arrecadou R$105 mil, gastou R$ 37,7 mil e teve superávit de R$ 67,4 mil.

Campanha sem empresas

As eleições municipais de 2016 foram as primeiras em que apenas eleitores (pessoas físicas) podem fazer doações a campanhas eleitorais, inclusive o próprio candidato. os eleitores podem doar até 10% do que declararam em seu Imposto de Renda do ano anterior.

As empresas foram proibidas de fazer doações de campanha na reforma política de 2015

 

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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