Haddad tem maior rejeição e perde em todos os cenários de 2º turno

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Russomano lidera disputa pela prefeitura de São Paulo, segundo pesquisa do Datafolha, seguido por Marta Suplicy: confira análise sobre os dados divulgados neta quarta-feira (15).

Informação – Redação

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad / Foto - Reprodução
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad / Foto – Reprodução

O atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tem a maior rejeição entre os pré-candidatos da disputa pela Prefeitura da maior cidade da América Latina, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira (15). A rejeição de Haddad é inclusive superior à de Marco Feliciano, pré-candidato do PSC. Além disso, o prefeito perde em todas as disputas de segundo turno traçadas pelo instituto.

Segundo os dados divulgados, 45% dos entrevistados não votaria “de jeito nenhum” em Fernando Haddad. Marco Feliciano é o segundo mais rejeitado, com 32% dos entrevistados que não votaria nele de nenhuma maneira. E em terceiro lugar de rejeição está Marta Suplicy (PMDB), com 31%.

O prefeito de São Paulo não chegaria ao segundo turno das eleições.

Celso Russomano do PRB e Marta Suplicy do PMDB lideram as pesquisas com apoio de 25% e 16% dos entrevistados, respectivamente. Na sequência aparecem Luiza Erundina, com 10%, Haddad, com 8%, João Doria, com 6% e Marco Feliciano, com 4%.

Par analisar disputas no segundo turno, o Datafolha traçou 10 cenários com diferentes candidatos. Considerando os cenários de segundo turno, a disputa mais acirrada de Haddad seria com João Doria (PSDB). O Datafolha indica que 34% dos entrevistados votaria no tucano enquanto 30% optaria pelo petista, mas o resultado foi considerado um empate técnico pelo Datafolha graças margem de erro de três pontos para cima ou para baixo e aos votos brancos e nulos.

Esses foram os cenários traçados:

Cenário 1 – Russomano com 58% de apoio dos entrevistados contra 10% para Doria.

Cenário  2 – Russomano com 54% dos votos contra 29% de Erundina.

Cenário 3 – Doria com 34% dos votos contra 30% de Haddad.

Cenário 4 – Marta com 44% contra 24% de Haddad.

Cenário 5 – Marta com 39% dos votos contra 33% de Erundina.

Cenário 6 – Russomano com 58% dos votos contra 19% de Haddad.

Cenário 7 –Russomano com 48% dos votos contra 31% de Marta.

Cenário 8 – Marta com 48% dos votos contra 24% de Doria.

Cenário 9 – Erundina com 44% dos votos contra 24% de Doria.

Cenário 10 –Erundina com 42% dos votos contra 25% de Haddad.

Russomano impedido

Cabe lembrar que Russomano pode ter a candidatura inviabilizada pelo Supremo Tribunal Federal. O parlamentar foi condenado pela Justiça Federal em 2014 a dois anos de prisão por peculato. Ele entrou com recurso no STF para reverter a decisão e aguarda decisão. Caso do STF mantenha a condenação, o parlamentar, que é deputado federal pelo PRB de São Paulo, seria enquadrado na Lei de Ficha Limpa e ficaria inelegível por oito anos.

A Justiça Federal indica que Russomano nomeou para seu gabinete a gerente de sua empresa de vídeo, a Night and Day Promoção. A apropriação do bem público configura peculato.

O STF ainda não julgou o recurso do parlamentar. Se fizer o julgamento e manter a condenação antes de agosto, que é a data limite para registrar candidaturas, Russomano será enquadrado na lei Ficha Limpa e não poderá ser candidato. Caso contrário, sua candidatura correria normalmente.

Análise sobre a pesquisa – Rafael Bruza

Os números negativos de Haddad estão diretamente relacionados com a rejeição ao PT em São Paulo e com as políticas de mobilidade urbana do prefeito, que marcaram a gestão do petista e dividiram a sociedade entre quem apoia ou não as ciclovias, a diminuição da velocidade de vias e as faixas de ônibus.

A campanha pode reduzir a rejeição do prefeito e aumentar a perspectiva de votos, mas isso dependerá da habilidade comunicativa do prefeito e de sua campanha.

De qualquer forma, esses números do Datafolha tendem a mudar completamente até outubro.

Em 2012, Russomano liderou as pesquisas durante quase toda campanha, mas acabou fora do segundo turno, que foi disputado por Haddad e Serra. Considerando também a condenação da Justiça por peculato, que obviamente será explorada pelos adversários, o candidato do PRB terá enormes dificuldades em manter essas grandes perspectivas de voto.

Marta aparece como uma das favoritas, sem dúvida. A ex-prefeita de São Paulo tem força nas periferias e ainda tem eleitorado fiel, apesar da troca de partido. Será um páreo duro de vencer. E não está claro que tipo de Governo a candidata pretende realiza.

Outra ex-prefeita que aparece como favorita é Erundina, que possui números melhores que os de Haddad. A deputada do PSOL ganha muitos votos ‘à esquerda’ diante do desgaste do Partido dos Trabalhadores nesses setores do eleitorado, que andam insatisfeitos com condutas do partido a nível nacional (como na votação para presidente da Câmara, onde Rodrigo maia recebeu votos de petistas).

Então a disputa entre Haddad e Erundina será acirrada e a candidata do PSOL sai na frente, conforme indica o cenário 10 da pesquisa Datafolha.

No espectro político da direita, a disputa se trava também entre os dois candidatos tucanos que romperam. A pesquisa Datafolha não incluiu Andrea Matarazzo, que rompeu com o PSDB e disputará a prefeitura pelo PSD. Mas ele disputa votos diretamente com o candidato oficial do PSDB, João Doria.

Então temos um líder de pesquisas que pode perder perspectivas de voto e inclusive pode ter a candidatura inviabilizada, duas ex-prefeitas de São Paulo que disputarão votos com o atual prefeito da cidade, Fernando Haddad, e dois candidatos mais “à direita” que disputarão votos entre si.

Marco Feliciano corre por fora e terá dificuldades em dialogar com um eleitorado heterogêneo e jovem da capital paulista.

Resumindo: a campanha até outubro irá mudar completamente esses dados do Datafolha, ainda mais porque há rivalidades específicas (entre Haddad, Marta e Erundina; Doria e Matarazzo) que vão dividir o apoio do público. Mas está na cara que Haddad sai com dificuldades e será desconstruído por todos, enquanto Erundina e Marta roubam seus votos.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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