Homens, precisamos nos desconstruir

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Devemos apoiar a causa feminista desconstruindo nosso próprio machismo e sem interferir no protagonismo das mulheres na luta.
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Opinião – Gustavo Oyadomari (texto de abril de 2016)

Nesta semana que passou houve muita repercussão nas redes sociais a respeito de uma reportagem extra da Veja que traçava o perfil de Marcela Temer e a rotulava, de forma extremamente machista, como “Bela, recatada e do lar”. Memes foram criados, movimentos feministas criaram campanhas satirizando a matéria e os famosos textões de Facebook – muito necessários por sinal – foram postados na rede social.

Pois bem. Em um grupo de Whatsapp que mantenho com amigos da época do ensino médio, costumamos discutir a respeito de diversos temas que englobem a política, questões sociais e reflexões de vida. Um dos temas que mais gerou reflexão e discordância foi esse, pelo fato de que um dos integrantes postou uma foto sua, com uma toalha enrolando o corpo e outra na cabeça, como se estivesse secando o cabelo.

A questão é: nós, homens, não podemos protagonizar um movimento feminista. Nunca houve uma sociedade femista e matriarcal que nos obrigasse a sermos “belos, recatados e do lar”. Sempre fomos os opressores, os machistas que veem a mulher como objeto sexual e os provedores do sustento de casa. Sempre privamos os direitos das mulheres em favorecimento dos nossos privilégios – sempre.

Nós, homens, somos maioria na classe política, nos cargos altos em empresas e ganhamos mais que as mulheres pela mesma função, pelo único fato de sermos homens. Elas receberem mais que nós, homens, é visto como algo inadmissível pela sociedade. Elas saírem de casa para se embriagar e ter a liberdade de beijar quem quiserem também é visto como errado. Elas transarem no primeiro encontro é visto como atitude de puta, mas se não nos quiserem, ah!, aí é “mal comida”.

Precisamos nos desconstruir. Constantemente. É necessários nos desligarmos de preconceitos enraizados em nossa sociedade e sustentados por teorias higienistas e construções imagéticas da mulher segundo a religião. Devemos apoiar a luta delas, mas sem querermos ser o protagonista.

Comecemos por ajudar nossas mães, irmãs, avós, tias nos serviços domésticos. Paremos de secar mulheres na rua, de chamá-las de puta, vadia, biscate. Deixemos de tratá-las como objeto sexual. Aceitemos que elas sabem dirigir. Lutemos contra a agressão doméstica, a violência de gênero, o estupro. Mostremos aos homens próximos de nós o quão machistas somos e que precisamos mudar nossas atitudes.

Isso vale para mim, para você e para todos os homens. Não nos esqueçamos que o protagonismo é delas, mas que podemos e devemos fazer nossa parte a partir de mudanças em nossos próprios atos. Precisamos nos desconstruir. Constantemente.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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