Indígenas expulsam madeireiros ilegais no Pará

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A demarcação de terras indígenas costuma derrubar taxas de desmatamento, segundo organizações ambientais. O Governo Bolsonaro, no entanto, defende apenas a legalização do garimpo, atrapalhando a homologação do território dos Munduruku, que depende da assinatura presidencial.

Por Rafael Bruza

Caminhão levava madeiras ilegalmente

No final de julho, indígenas da etnia Munduruku  expulsaram dois grupos de madeireiros ilegais que invadiram a Terra Indígena Sawre Muybu, localizado próximo à fronteira do Pará com o Amazonas.

“Ficamos muito revoltados por ver as nossas árvores derrubadas e as nossas castanheiras como torra de madeira em cima de um caminhão. E nós sabemos que quando retiram madeira, vão querer transformar nossa terra em um grande pasto para criar gado”, diz, em nota a Associação indígena Pariri.  “Sozinhos conseguimos expulsar madeireiros que nem o ICMBIO, IBAMA e FUNAI conseguiram”.

Os indígenas  deram um prazo de três dias para invasores retirarem equipamentos do local.

Tratores comandados pelos madeireiros expulsos

“Nós estávamos armados com nossos cânticos, nossa pintura, nossas flechas e a sabedoria dos nossos antepassados. E com muita pressão, eles passaram a madrugada toda retirando 11 máquinas pesadas, 2 caminhões, 1 quadriciclo, 1 balsa e 8 motos. Todos sem placa”, relaram os indígenas. “Na retomada, andamos 26 km vigiando os ramais que os madeireiros fizeram no nosso território e bebendo água suja do rio Jamanxim que está poluída pelo garimpo”.

Eles também contam que há uma pista de pouso ilegal dentro da Flona de Itaiuiba II e cobraram as autoridades por providências, lembrando o assassinato do cacique Emyra Waiãpi, supostamente morto por garimpeiros no Amapá, estado vizinho do Pará.

“Será que vai precisar morrer outros parentes, como aconteceu com a liderança Wajãpi, para que os órgãos competentes atuem?”, questionam.

Comunicado dos Munduruku A nossa autodemarcação e defesa do nosso território continua.Nós o povo Munduruku do…

Posted by Associação Indígena Pariri – Munduruku, Médio Tapajós on Monday, July 29, 2019

Indígenas derrubam taxas de desmatamento

Organizações ambientais, como o Instituto SocioAmbiental, alegam que a demarcação de terras indígenas “é decisiva” para conter o desmatamento.

“Este efeito inibidor do desmatamento relacionado à presença e o reconhecimento de Terras Indígenas pode ser demonstrado por meio da queda nas taxas da destruição da floresta entre 2004 e 2008. Neste período, 10 milhões de hectares da Amazônia brasileira foram demarcados como Terras Indígenas, assim como outros 20 milhões passaram a ser protegidos no âmbito do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm). Esta ação, por si só, influenciou a queda de 37% da taxa de desmatamento observada entre aqueles anos”, argumenta o instituto.

Indígenas Munduruku lutam por homologação

A Fundação Nacional do Índio (Funai) assinou e publicou o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Wawré Muybu em abril de 2016. Trata-se de um documento que reconhece a ocupação tradicional do local.

Mas o processo de demarcação já transcorre há dez anos e os Munduruku ainda dependem da homologação do território – que é competência do Governo Federal.

Em 2016, diante da falta de iniciativa do então Governo de Michel Temer, os indígenas começaram um processo de “autodemarcação”, monitorando seus territórios, instalando placas para demarcá-los e mapeando invasões de garimpeiros, madeireiros e palmiteiros.

Processo depende de Bolsonaro

A homologação da Terra Indígena Sawre Muybu ainda depende da assinatura presidencial – de Jair Bolsonaro, no caso.

O presidente, porém, costuma fazer declarações contrárias a direitos indígenas e favoráveis a garimpeiros, como ocorreu no final de julho, depois do assassinato do cacique Emyra Waiãpi, feito supostamente por garimpeiros ilegais da região.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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