Internautas boicotam Uber e 99Taxis, que fizeram parceria com Doria contra greve

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O tucano apoia as reformas de Temer e convenceu as empresas a darem corridas de graça a servidores que decidirem não participarem da greve.

Por Rafael Bruza

Ilustração do Uber, do 99Taxis e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) / Foto – Divulgação/Reprodução

Depois que o Uber e a 99Taxia fecharam acordo com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), para transportar servidores de graça durante a greve geral do dia 28 de abril – contrárias as reformas de Michel Temer -, milhares de internautas começaram um boicote contra as empresas. Um evento no Facebook organizado por Pablo Ortellado, Márcio Moretto e Andreza Galli sugere o boicote por causa da parceria das empresas com Doria e conta com apoio de 5 mil internautas, até a manhã desta quinta-feira (27).

“Uber e 99Taxis anunciaram uma grande doação de corridas para a prefeitura de São Paulo utilizar com os funcionários que furarem a greve geral do próximo dia 28 contra a reforma da Previdência e a reforma trabalhista. O direito à greve dos trabalhadores da prefeitura deve ser respeitado. Os funcionários estão sendo pressionados a não aderir à greve e a ação da empresa contribui para a desmobilização. Como consumidores, acreditamos que não devemos apoiar empresas que colaborem para desmobilizar trabalhadores que reivindicam direitos fundamentais como o direito à aposentadoria e à proteção ao trabalho”, afirma a convocatória.

A convocatória de boicote afirma que o boicote contra o Uber foi usado em outras ocasiões.

“O boicote é um instrumento legítimo e eficaz de pressão e já foi utilizado contra a Uber quando a empresa prejudicou os taxistas de Nova Iorque que entraram em greve contra as medidas anti-imigrantes de Donald Trump. Chamamos assim os consumidores a um boicote das duas empresas a partir do dia 28 caso não revejam até lá a decisão de doar as corridas.”, conclui o texto.

O Uber e a 99axis vão reembolsar os motoristas credenciados que transportarem os funcionários sem cobrar nada da administração de João Doria.

Segundo coluna de Mônica Bergamo publicada na quarta-feira (26), assessores de Doria que participaram do acordo acreditam que dificilmente será possível garantir a presença de todos os servidores em seus postos de trabalho, o que pode causar transtornos a quem procurar os serviços da administração. Mas avaliaram que esta seria uma forma de, nas palavras de um deles, o prefeito se posicionar contra a greve e a favor das reformas”.

Há cerca de 129 mil funcionários públicos trabalhando na administração direta da cidade de São Paulo.

A greve geral do dia 28 de abril se opõe às reformas da Previdência e Trabalhista do Governo de Michel Temer.

Posição de Doria

Na terça-feira (25), o tucano afirmou que vai cortar o ponto de funcionários da prefeitura que aderirem ao movimento de greve previsto para esta sexta-feira (28).

“Eu não apoio esse movimento. Já disse que, na Prefeitura de São Paulo, funcionários públicos que participarem, vão ter seu ponto cortado”, afirmou Doria em entrevista à Super Rádio AM. “Se não trabalhar, vai ter um dia a menos no salário”.

Em vídeo publicado nseta quarta-feira (26), o tucano pede que funcionários façam greve fora do horário do expediente.

Mensagem aos Servidores Públicos

Pessoal, sexta-feira, 28 de abril de 2017, será dia de trabalho! Mais um dia para construirmos um país digno e honrado. Quem ama o Brasil, trabalha! #AceleraSP #JoãoTrabalhador #EuTrabalho

Posted by João Doria on Wednesday, April 26, 2017

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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