Irmão de Rodrigo Pilha comenta a situação do ativista, que foi torturado e espancado na prisão

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Por Rafael Bruza

Em entrevista ao Independente nesta sexta-feira (30), o irmão de Rodrigo Pilha, Erico Grassi, relata uma “linha do tempo” sobre o caso do ativista, que foi preso em março ao participar de um protesto que chamou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de “genocida” e acabou mantido na prisão por conta de um processo de desacato de 2014.

Esta semana a Revista Fórum publicou reportagem sobre espancamentos e torturas que o militante do PT sofreu enquanto esteve detido em regime fechado. Segundo a revista, Rodrigo Pilha recebeu chutes, pontapés e murros enquanto ficava no chão sentado com as mãos na cabeça, após chegar no Centro de Detenção Provisória II, conhecido como Penitenciária da Papuda.

O ativista também foi agredido com chutes e pontapés, junto com outros detentos, durante uma abordagem noturna. Ele chegou a ser sufocado com um balde e seus agressores afirmaram aos demais presos que estavam apanhando por culpa do “petista que não era bem-vindo na cadeia”. Ele segue detido em regime semi-aberto. Segundo Érico Grassi, seu irmão não recebeu “nenhum benefício”.

“Não pode nada, só se deslocar para o trabalho”, afirma. “Eu não tinha contato com ele, não podia perguntar o que fazer. Ficamos esses 25 dias sem poder falar com ele ou levar uma roupa para ele. São 25 dias que ninguém olhou pessoalmente para o Rodrigo”. Grassi relata que a família evitou denunciar os crimes porque seguia estratégia jurídica de libertar Rodrigo Pilha da prisão, antes de tornar pública a informação dos espancamentos e sufocamento.

“A familia já sabia (dos espancamentos e do sufocamento), mas não sabia o que fazer com essa informação de que o Rodrigo teve seus Direitos Humanos violados. Não é exclusividade do Rodrigo. Ele conta que várias pessoas estão sendo agredidas e violentadas física e psicologicamente. Tem detalhes que nem me arrisco a contar aqui”, complementa. “Essa semana fomos orientados a não externalizar isso porque a ideia era tirá-lo desta situação e levá-lo para casa para ele sair da tutela do Estado, sem voltar para a cadeia todo dia”.

Erico Grassi também comenta solicitação da Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Nacional de Justiça e Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados por investigações do caso. “Tivemos a institucionalização destes trâs órgaos, que estão pedindo investigação.

Então ele (Rodrigo Pilha) estava certo quando quis estourar (a denúncia sobre os espancamentos), enquanto a gente estava tentado segurar. O meu medo era que não se institucionalizasse. Não adianta ficar só na nossa blogosfera, isso tem que ser institucionalizado”, completa.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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