Le Monde classifica Impeachment como um ‘golpe’ ou uma ‘farsa’

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Jornal francês disse que o um terço dos senadores é alvo de processos judiciais e que os brasileiros são as verdadeiras vítimas desse processo.

Informação – Rafael Bruza

Publicação do jornal francês, Le Monde, sobre o Impeachment no Brasil / Foto - Reprodução
Publicação do jornal francês, Le Monde, sobre o Impeachment no Brasil / Foto – Reprodução

O jornal francê Le Monde publicou um editorial nesta sexta-feira (26) chamado “a triste ironia da queda de Dilma Rousseff” (“clique aqui para ler o texto em português”). O texto começa afirmando que “ninguém veio tirar Dilma Rousseff usando baionetas”, pois “a própria guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão. Mas também aponta “ironias” no Impeachment que fazem do processo um golpe de Estado” ou “no mínimo uma farsa”.

A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.

O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.

O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma “mudança de governo” para barrar a operação “Lava Jato”.

Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.

Antes de classificar o Impeachment com estes argumentos, o editorial do Le Monde chama Dilma de “impopular e desajeitada”, indicando que ela acredita “estar sendo vítima de um golpe de Estado fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela Rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores”.

O jornal francês argumenta que “a menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto”. Também aponta que Dilma “cometeu erros políticos econômicos e estratégicos”. Mas que “sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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