Maioria do PDT votou a favor da minirreforma de Bolsonaro; no PT, Gleisi e outros 20 faltaram na votação

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Errata: este texto dizia, equivocadamente, que os deputados do PT se “abstiveram” da votação. Na verdade, eles apenas faltaram. A abstenção ocorre quando o deputado comparece a votação e vota pela abstenção (numa espécie de neutralidade).

Por Rafael Bruza

A deputada federal, Tabata Amaral, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann

Por 345 votos a favor e 76 contra, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14) a Medida Provisória 881, proposta pelo presidente Jair Bolsonaro. Na votação, 15 deputados do PDT – dos 23, no total – se posicionaram a favor da medida, enquanto 21 parlamentares do PT – de 54 no total – faltaram na votação.

Uma das parlamentares que faltou no PT foi a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann (RS).

Internautas avaliaram a proposta no portal e-Cidadania, do Senado Federal, onde a MP teve 19.999 votos contrários e 19.220 favoráveis.

Todos os deputados do PCdoB e PSOL votaram contra a MP. Na Rede, a deputada indígena Joênia Wapichana (RR) deu voto favorável ao projeto de Jair Bolsonaro.

A proposta

Chamada de “MP da Liberdade Econômica”, pelo Governo, a medida reduz limitações legais e burocracia para empresa, além de alterar questões trabalhistas.

Partidos de oposição criticam a proposta, acusando-a de retirar direitos do trabalhador – ao determinar o fim das restrições ao trabalho nos domingos e feriados e dispensar o pagamento em dobro pelo tempo trabalhado caso a folga seja determinada para outro dia da semana.

O relator da MP, Jerônimo Goergen (PP-RS), faz argumentação no sentido contrário dos críticos, citando “dados do Governo”, para dizer que a medida tem potencial para permitir a criação de 3,7 milhões de empregos nos próximos dez anos.

A MP é de 30 de abril. Se não for aprovada até o próximo dia 27, perde a validade. Foram 345 votos favoráveis ao projeto e 76 contrários. Os destaques serão votados nesta quarta. Depois, o texto segue para o Senado.

Votos do PDT

Depois que Tabata do Amaral e outros sete deputados do PDT se tornaram alvo de críticas e processos internos no partido por votar a favor da Reforma da Previdência do Governo, no mês passado, a sigla liberou sua bancada na Câmara para votar como quisesse sobre o texto da Medida Provisória.

Com isto, mais da metade do partido – 15 dos 23 deputados – votaram a favor da MP de Jair Bolsonaro.

Dos oito deputados que votaram a favor da Reforma da Previdência, em julho, sete se posicionaram a favor da MP 881 – a exceção é Gil Cutrim, que faltou na votação de quarta-feira (14).

A postura a favor da minirreforma trabalhista contraria discursos e ações do PDT.

Em junho, o partido ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6.156), contra a Medida Provisória de Jair Bolsonaro.

O PDT alegou na época que a proposta não satisfaz “os requisitos constitucionais de urgência e relevância” e “afronta a Constituição Federal de várias maneiras, pois viola o princípio da separação dos poderes, o princípio da autonomia dos entes federativos, os princípios constitucionais contratuais, dentre outros”.

O presidente do partido, Carlos Lupi, criticou a medida horas antes da votação, no Twitter.

“Mais um duro golpe ao trabalhador pode ser aprovado hoje. A MP da Liberdade Econômica dificulta a fiscalização de abusos no trabalho. Focam na ‘desburocratização’ para encobrir um domínio cruel do patrão sobre o empregado. Uma manobra perversa”, declarou.

Internautas comentaram a publicação.

“Lupi, eu vejo sua luta. Vc é um verdadeiro trabalhista. Mas o que acontece com muitos parlamentares do @PDT_Nacional? A militância ficou bem decepcionada com a votação nessa PEC”, disse um deles, que não recebeu resposta de Lupi.

O PDT também chegou a apresentar um destaque que retirava do texto-base da MP a autorização de trabalho aos domingos e feriados, mas foi derrotado por 291 votos contrários.

O partido não anunciou nenhum tipo de abertura de processo contra os deputados que votaram a favor da MP 881.

Veja mais abaixo como cada deputado do PDT votou.

Faltas no PT

No PT, todos os 33 deputados presentes na votação votaram contra a minirreforma trabalhista, seguindo orientação do partido.

O PT teve, no entanto, 21 faltas, inclusive da presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann (PT-RS), que criticou a proposta em seu perfil de Twitter.

“É mais uma retirada de direitos dos trabalhadores, que poderão ficar a mercê dos patrões”, disse a presidente nacional do PT.

O Independente procurou a deputada para questionar o motivo da falta, mas não obteve respostas até o momento – a informação será incluída, caso a parlamentar responda os questionamentos.

O líder do partido na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), um dos deputados que votou contra a medida, disse que Jair Bolsonaro promoveu um “ataque covarde e cruel” contra o povo brasileiro ao propor a medida.

“É uma violência, Bolsonaro acaba com o convívio familiar, o churrasco de domingo, os encontros de pais com filhos e entre amigos; é uma medida perversa”, acusou o líder do PT

Infidelidade no PSB

O PSB orientou o voto contrário à MP 881. Porém, de seus 33 parlamentares, 13 votaram a favor da MP 881.

Tal qual fez o PDT, em julho, o PSB também abriu processo para eventualmente punir deputados que votaram a favor da Reforma da Previdência.

A despeito disto, dos 11 deputados do PSB que votaram a favor daproposta previdenciária, em julho, 10 deles novamente contrariaram o partido e se posicionaram a favor da MP 881.

As exceções são Luciano Ducci, Julio Delgado e JHC, que votaram favoravelmente à proposta previdenciária e contra a minirreforma trabalhista.

No PSB, portanto, votaram a favor da MP 881: Átila Lira (PI); Emidinho Madeira (MG); Felipe Carreras (PE); Felipe Rigoni (SP); Jefferson Campos (SP); Jhc (AL); Júlio Delgado (MG); Liziane Bayer (RS); Luciano Ducci (PR); Luiz Flávio Gomes (SP); Rodrigo Coelho (SC); Rosana Valle (SP) e Ted Conti (ES).

Veja os votos de cada deputado dos três partidos citados nesta matéria:

PDT
Afonso Motta RS Sim
Alex Santana BA Sim
André Figueiredo CE Não
Chico D`Angelo RJ Não
Damião Feliciano PB Não
Eduardo Bismarck CE Sim
Fábio Henrique SE Sim
Félix Mendonça Júnior BA Sim
Flávio Nogueira PI Sim
Gustavo Fruet PR Sim
Idilvan Alencar CE Não
Jesus Sérgio AC Sim
Leônidas Cristino CE Não
Mário Heringer MG Sim
Marlon Santos RS Sim
Paulo Ramos RJ Não
Pompeo de Mattos RS Sim
Robério Monteiro CE Sim
Silvia Cristina RO Sim
Subtenente Gonzaga MG Sim
Tabata Amaral SP Sim
Túlio Gadêlha PE Não
Wolney Queiroz PE Não
Total PDT: 23
PT
Afonso Florence BA Não
Airton Faleiro PA Não
Alencar Santana Braga SP Não
Alexandre Padilha SP Não
Arlindo Chinaglia SP Não
Benedita da Silva RJ Não
Bohn Gass RS Não
Carlos Veras PE Não
Célio Moura TO Não
Enio Verri PR Não
Erika Kokay DF Não
Frei Anastacio Ribeiro PB Não
Helder Salomão ES Não
Henrique Fontana RS Não
João Daniel SE Não
Jorge Solla BA Não
José Ricardo AM Não
Joseildo Ramos BA Não
Marcon RS Não
Margarida Salomão MG Não
Maria do Rosário RS Não
Marília Arraes PE Não
Natália Bonavides RN Não
Nelson Pellegrino BA Não
Nilto Tatto SP Não
Patrus Ananias MG Não
Paulo Guedes MG Não
Paulo Pimenta RS Não
Pedro Uczai SC Não
Professora Rosa Neide MT Não
Rui Falcão SP Não
Valmir Assunção BA Não
Vander Loubet MS Não
Total PT: 33

Deputados do PT que faltaram: Assis Carvalho (PT-PI); Beto Faro (PT/PA); Carlos Zarattini PT/SP); Gleisi Hoffmann (PT/PR); José Airton Félix Cirilo (PT-CE); José Guimarães (PT-CE); Leonardo Monteiro (PT-MG); Luizianne Lins (PT-CE); Odair Cunha (PT-MG); Padre João (PT-MG); Paulão (PT-AL); Paulo Teixeira (PT-SP); Reginaldo Lopes (PT-MG); Rejane Dias (PT-PI); Rogério Correia (PT-MG); Rubens Otoni (PT-GO); Vincentinho (PT-SP); Waldenor Pereira (PT-BA); Zé Carlos (PT-MA); Zé Neto (PT-BA) e Zeca Dirceu (PT-PR).

PSB
Alessandro Molon RJ Não
Aliel Machado PR Não
Átila Lira PI Sim
Bira do Pindaré MA Não
Camilo Capiberibe AP Não
Cássio Andrade PA Não
Denis Bezerra CE Não
Elias Vaz GO Não
Emidinho Madeira MG Sim
Felipe Carreras PE Sim
Felipe Rigoni ES Sim
Gervásio Maia PB Não
Gonzaga Patriota PE Não
Heitor Schuch RS Não
Jefferson Campos SP Sim
Jhc AL Sim
João H. Campos PE Não
Júlio Delgado MG Sim
Lídice da Mata BA Não
Liziane Bayer RS Sim
Luciano Ducci PR Sim
Luiz Flávio Gomes SP Sim
Marcelo Nilo BA Não
Mauro Nazif RO Não
Rafael Motta RN Não
Rodrigo Agostinho SP Não
Rodrigo Coelho SC Sim
Rosana Valle SP Sim
Tadeu Alencar PE Não
Ted Conti ES Sim
Vilson da Fetaemg MG Não
Total PSB: 31

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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