Marta, Haddad e Erundina disputam votos ‘de esquerda’ na eleição de São Paulo

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O prefeito pretende ser o primeiro petista a obter a reeleição na maior cidade da América Latina, enquanto as duas ex-prefeitas buscam votos de setores periféricos e/ou petistas.

Análise – Rafael Bruza

* Texto editado às 22h do domingo (17) e às 10h20 da segunda-feira (18).

Os pré-candidatos à eleição municipal de São Paulo, Marta Suplicy (PMDB), Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (PSOL) / Foto: Reprodução (Montagem: Brasil 247)
Os pré-candidatos à eleição municipal de São Paulo, Marta Suplicy (PMDB), Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (PSOL) / Foto: Reprodução (Montagem: Brasil 247)

Além da rejeição a seu partido e gestão em São Paulo, o prefeito Hernando Haddad (PT) tem o desafio de superar duas candidaturas de duas ex-prefeitas da maior cidade da América Latina: Marta Suplicy (PMDB) e Erundina (PSOL), que entraram na disputa marcada para outubro e vão buscar votos do eleitorado ‘de esquerda’ para chegar ao segundo turno.

Marta entrou na disputa após sair do PT, se filiar ao PMDB e votar a favor do Impeachment criticando a corrupção no Governo Dilma.

A mudança radical de postura política da ex-prefeita e ex-petista fazem com que sua candidatura esteja pouco clara aos olhos dos eleitores.

Alguns apontam que Marta está à direita do PT (o próprio Haddad disse isso em entrevista) e eleitores mais identificados com o partido rejeitam sua candidatura.

Mas ela também conta com apoio de antigos simpatizantes, especialmente em áreas periféricas e no chamado “cinturão vermelho”, onde Haddad e Erundina têm interesse, e a esquerda costuma ter papel incisivo. Cidadãos dessas áreas ainda se lembram de sua gestão na cidade (entre 2001 e 2004), marcada pela implantação de corredores de ônibus, por exemplo, além de críticas dirigidas à imposição de taxas, que lhe renderam o apelido de “Martaxa”, criado pelo ex-tucano Dalton Silvano, hoje no PV.

Além disso, e por incrível que pareça, Marta tem menor rejeição que Haddad entre cidadãos que se identificam com o PT: 22% dos entrevistados do Datafolha que se identificam com a legenda dizem que não votariam nela, enquanto 26% não votariam em Haddad.  Então não é apenas na periferia que a ex-petista obtém votos que costumam ser atraídos pela esquerda.

A despeito das críticas, uma pesquisa de 2013 feita pelo Datafolha indicou que 25% dos paulistanos veem Marta como a melhor prefeita de São Paulo. Covas e Serra ficaram em segundo e terceiro nessa lista, sendo apontados como preferência por 16% e 15% dos entrevistados, respectivamente.

Em paralelo, a deputada federal Luiza Erundina (PSOL – SP), que foi prefeita da cidade de 1989 a 1992, aparece como outra candidata focada em votos à esquerda. No começo de junho, a deputada federal anunciou sua pré-candidatura à disputa pela Prefeitura de São Paulo lançando críticas à gestão do atual prefeito.

Disse que “a sociedade não vê o governo Haddad como a força que representa a esquerda no Brasil”, indicando que “a periferia está abandonada” e que é preciso “rearticular os setores progressistas”.

Traduzindo: a campanha do PSOL tem origem e foco na insatisfação de cidadãos de esquerda com o Partido dos Trabalhadores.

O interessante é que Erundina chegou a ser anunciada como vice-prefeita de Haddad pelo PSB na campanha de 2012. Mas a psolista, que também é assistente social, desistiu de compor a chapa após anúncio de que o deputado Paulo Maluf (PP-SP) apoiava a candidatura do petista e o escolhido foi Gabriel Chalita (PDT).

De qualquer forma, a estratégia de Erundina será mais ideológica, ostensiva e propositiva, encontrando foco na crítica aos demais candidatos e na proposição de mudanças focadas nos direitos dos mais pobres.

Haddad terá campanha centrada principalmente em suas políticas de transporte que rendem grande apoio na classe média, inclusive entre jovens com pais que simpatizam com tucanos ou até projetos conservadores. Mas terá dificuldades em conseguir apoio na periferia, de onde se manteve relativamente distante desde 2012.

E Marta ficará centrada nas críticas aos rivais e na exploração política de antigas conquistas e/ou lembranças, tentando também se descolar de seu passado petista para tentar obter algo de apoio de eleitores anti-Dilma Rousseff.

Pesquisas eleitorais

Entre os três candidatos, Marta é quem aparece melhor nas pesquisas eleitorais.

Números do Datafolha divulgados na sexta-feira (16) indicam que a ex-prefeita está em segundo lugar nas intenções de voto, com 16% das intenções de voto, atrás apenas de Celso Russomano, deputado federal pelo PRB (SP), que tem 25% de apoio de entrevistados, mas pode ter candidatura inviabilidade no STF por uma condenação de peculato feita pela Justiça Federal.

Na mesma pesquisa, Erundina e Haddad estão tecnicamente empatados, com 10% e 8% de intenção de votos respectivamente, com uma margem de erro de 3 pontos percentuais para cima e para baixo.

O maior desafio do petista é superar a alta rejeição a seu partido na cidade e conquistar votos da periferia, áreas onde Marta e Erundina se destacam e Haddad encontra resistência.

O Datafolha também traçou cenários de segundo turno. Neles, Marta vence Erundina (com 39% da intenção de votos contra 33% de Erundina) e Haddad (com 44% contra 24% de Haddad).

Em outro cenário, a candidata do PSOL vence o petista por 42% das intenções de voto contra 25% de Haddad.

Outro resultado negativo de Haddad é a taxa de rejeição. A pesquisa indica que 45% dos entrevistados não votaria no prefeito de jeito nenhum, dado que supera até mesmo a rejeição de Marco Feliciano (32% não votaria no pastor de jeito nenhum).

Defensores do prefeito apontam que em 2012, Haddad também estava mal nas pesquisas de intenção de voto, mas mesmo assim chegou ao segundo turno.

Ele de fato reverteu os dados das pesquisas naquela ocasião, mas agora é preciso considerar que o PT está mais desgastado e o eleitorado de esquerda está mais fragmentado. Então, no fundo, tudo dependerá da campanha, dos discursos, prioridades e da escolha dos eleitores.

É cedo para apontar um favorito, mas não há dúvidas de que o eleitorado que naturalmente vota em partidos de centro-esquerda está dividido entre esses três candidatos.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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