Mortes de cidadãos negros e policiais brancos geram tensão nos EUA

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Policiais assassinaram dois cidadãos negros essa semana. Durante um dos protestos feitos contra essas ações, pelo menos um atirador disparou contra policiais, matando cinco agentes e ferindo sete.

Policial corre em Dallas, Texas, onde ocorreu o ataque contra policiais / Foto - Reprodução
Policial corre em Dallas, Texas, onde ocorreu o ataque contra policiais / Foto – Reprodução

Informação – Rafael Bruza

Vamos contextualizar: essa semana, duas ações de policiais brancos acabaram com a vida de dois cidadãos norte-americanos negros.

Ambas foram gravadas em vídeo e geraram vários protestos em diversos locais do país. Um caso aconteceu no norte dos EUA, em Minnesota e ou outro ao sul, em Louisana.

Em um dos protestos feitos nessa quinta-feira (07), em Dallas, no Texas, policiais foram surpreendidos com um ataque que matou cinco agentes e feriu outros sete.

O primeiro assassinato

Na terça-feira (05), a polícia norte-americana disparou contra Alton Sterling, um cidadão negro de 37 anos, que morreu em Baton Rouge, em Louisiana. Sterling vendia CDs na porta de um supermercado até ser abordado pela polícia. Uma testemunha que estava dentro de um carro gravou as imagens.

A gravação mostra dois policiais derrubando e imobilizando Sterling no chão. Nesse momento um dos policiais tira a arma e dispara contra o suspeito. Segundo o dono da loja, Abdullah Muflahi, Sterling tinha uma arma no bolso, mas não a sacou nem mostrou resistência ordem dos policiais. Muflahi também disse que “os policiais foram muito agressivos desde o começo”. As imagens são fortes e podem ser vistas abaixo.

O caso despertou protestos pacíficos de forma instantânea. Os policiais foram afastados, mas não perdem o salário. O governador de Louisiana, John Bel Edwards afirmou que as autoridades locais e a divisão de direitos civis do Departamento de Justiça dos EUA farão uma investigação “detalhada, profissional e metódica” para averiguar o caso.

O outro caso

Um dia depois, na quarta-feira (06), do lado sul dos EUA, a cerca de 1.900 km do assassinato de Baton Rouge, outro cidadão negro perdeu a vida numa ação policial.

A morte de Philando Castile, de 32 anos foi dramática: sua namorada, Diamond Reynolds, transmitiu o ocorrido em Falcon Height, Minnesota, ao vivo através do streaming do Facebook, na última quarta-feira (06).

Assim como no caso de Sterling, as circunstâncias da ação policial ainda não foram totalmente esclarecidas.

Segundo notícia do G1, Castile falou que estava com uma arma de fogo porque tinha licença para tê-la. Quando foi pegar os documentos na carteira, o agente disparou.

As imagens gravadas e divulgadas na Internet mostram Castile após o disparo. Ele aparece com a camisa ensanguentada enquanto Diamond afirma: “você disparou quatro balas, senhor. Ele só estava pegando a carteira de motorista!”.

A arma do policial também aparece na cena, enquanto o agente grita com tom visivelmente nervoso. Ao longo do vídeo de 10 minutos, Diamond desce do carro para ser revistada por um agente (havia pelo menos três policiais em volta) e logo é possível ouvir a filha do casal de 4 anos chorando. Ela chega a ser gravada por uns instantes.

O vídeo foi reproduzido 1,7 milhões de vezes e as imagens são fortes.

https://www.youtube.com/watch?v=sZ7DhbRUvNI

Em outro vídeo difundido no mesmo Facebook, Diamond explica por que gravou as cenas. “Eu queria que viralizasse. A polícia não está aqui para nos proteger, mas para nos assassinar”.

Estatísticas de mortes

Sterling e Castile viraram a 122ª e a 123ª pessoa negra mortos pela polícia norte-americana em 2016, segundo dados divulgados pelo jornal Washington Post. Esse número representa 24% das 509 pessoas mortas por policiais. Os cidadãos norte-americanos negros representam 13% da população do país, segundo censo de 2010.

Assassinatos de cinco policiais

Os dois casos geraram protestos de cidadãos por todo país. Além de manifestações de celebridades como Beyoncé, Olivia Wilde e o rapper Will.I.Am, aconteceram manifestações cidadãs em diversas cidades contra as ações dos policiais registradas em vídeo.

Em um desses protestos, realizado na quinta-feira (07) em Dallas, no Texas, cinco policiais perderam a vida e outros sete ficaram feridos após um ataque supostamente coordenado. Dois civis também ficaram feridos.

Pelo menos um atirador alvejou um batalhão de polícia que acompanhava a manifestação contra a morte dos cidadãos negros.

O protesto reunia cerca de 800 pessoas e ocorreu de forma pacífica por duas horas, quando ocorreram os disparos que mataram cinco policiais e feriram outros sete.

Relatos iniciais informaram sobre um ataque coordenado, planejado e executado com atiradores disparando de diferentes posições.

Três pessoas estão detidas e um suspeito foi morto por um robô da polícia após uma negociação frustrada com policiais em uma garagem.

Segundo David Brown, chefe da polícia de Dallas, o ataque foi motivado por questões de cor. “O suspeito disse que estava chateado com o Black Lives Mattar (“Vida Negras Importam”, movimento que luta contra a violência policial contra cidadãos negros no país). Disse que estava chateado com as recentes mortes por policiais. Estava chateado com brancos. E falou que queria matar pessoas brancas, especialmente policiais brancos”, afirmou o chefe de polícia.

Essa quinta-feira (07) foi o dia em que mais policiais norte-americanos morreram desde o 11 de setembro, segundo entidade que contabiliza mortes de agentes. Nos ataques de 2001, 72 policiais perderam a vida.

A polícia de Dallas afirmou no Twitter que “foi uma noite devastadora”.

No vídeo abaixo, gravado por uma cidadã desde sua casa, é possível escutar os disparos.

Repercussões dos casos

Comentando a morte dos cidadãos negros, o presidente Barak Obama, primeiro chefe de Estado negro dos Estados Unidos, disse que não vê as mortes de Sterling e Castile como “incidentes isolados” e que “todos os americanos deveriam estar profundamente perturbados” por estes casos.

Quanto aos policiais, Obama disse que “não há justificativa possível para esse tip de ataque ou qualquer violência contra autoridades”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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