‘Não tem a mínima hipótese’ de haver eleições diretas, diz vice-presidente do PSDB

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Em entrevista à BBC Brasil, Alberto Goldman afirmou que a saída de Temer “seria a melhor solução” para o país e sinalizou que o “conjunto de forças” atual daria seguimento às reformas diante de uma eventual queda de Temer.

Por Rafael Bruza * com declarações feitas à BBC Brasil

O vice-presidente nacional do PSDB, Alberto Goldman

Em entrevista concedida à BBC Brasil e divulgada nesta segunda-feira (29), o vice-presidente nacional do PSDB, Alberto Goldman, afirmou que “não existe a mínima hipótese” de ocorrer eleições diretas antes de 2018.

“Mudar a Constituição a um ano e meio das eleições de 2018 para mexer no processo eleitoral não tem o mínimo sentido. Não tem a mínima hipótese de isso acontecer”, afirmou Goldman. “Eleição indireta não é um desejo, uma vontade ou um gosto, é uma decisão da Constituição”, reforçou o tucano.

Questionado sobre a possibilidade de o PSDB romper com Temer, Goldman declarou, que “seria melhor” Temer entregar o cargo. Nesta situação, afirma o tucano, um “conjunto de forças políticas” daria seguimento às reformas da Previdência e Trabalhista.

“Olha, é uma hipótese hoje forte, uma forte possibilidade (de Temer sair da Presidência). Ninguém pode dizer nada com certeza que pode ocorrer no dia seguinte. Um mês atrás ninguém poderia imaginar que estaríamos discutindo o que estamos discutindo. As situações têm mudado com muita velocidade. Mas o quadro é que o Presidente da República está muito fragilizado, muito desgastado. Para o país, seria a melhor solução ele entregar (o cargo) e nós mantermos o conjunto de forças políticas que estão hoje propondo as reformas que o país tem que fazer”, declarou.

Goldman sinaliza que a melhor transição seria feita “com Temer, não contra ele” e declarou que, hoje, a saída do presidente só ocorreria através de renúncia ou pela ação que pode cassar a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Só pode ser por convencimento, não pode ser por outra forma. A não ser que houvesse um processo, poderia ser por impeachment, claro, poderia ser por processo criminal, (mas) isso não está no horizonte. Se isso não está no horizonte, a hipótese seria a renúncia dele. Quer dizer, tem o TSE, que vai fazer julgamento, mas sei lá quantas instâncias têm depois de recursos para isso. Uma renúncia seria uma forma de transição boa para o país, uma transição com ele (Temer), não sem ele, nem contra ele.

Durante a entrevista, a jornalista Mariana Schreiber afirmou que, na visão da oposição, o Congresso “não teria legitimidade para eleger um presidente porque mais de cem parlamentares são investigados”.

Diante da questão, Goldman defendeu os congressistas.

“Pera aí, porque alguém é investigado, ele não tem legitimidade? Alguma investigação retira mandatos? O parlamentar investigado deixou de ter direitos e obrigações? Não mudou nada o fato de ser investigado. Você pode ter os 513 (deputados) investigados, não quer dizer que eles não tenham não só os direitos, mas a obrigação de fazer aquilo que tem que ser feito dentro da Constituição”, afirmou o tucano.

Logo a entrevistadora citou o argumento da oposição que classifica o Impeachment como algo ilegal – um golpe de Estado. Mas Goldman questionou essa visão.

“Impeachment não é legal? Vamos superar isso, é coisa de discussão política. Foi tudo feito dentro das regras legais. A crise não chega a ser institucional, porque as instituições estão funcionando, os militares não fecharam o Congresso, o Presidente da República não foi preso. O que tem é uma crise política grave, profunda, o Presidente da República está sendo investigado, deputados e senadores estão sendo investigados, o Ministério Público está sendo contestado em uma séria de coisas na sua forma de agir. Então, é uma crise política que tem que ser resolvida politicamente, dentro da Constituição”, concluiu o tucano.

O vice-presidente do PSDB também desconsiderou a ideia de que as eleições indiretas podem trazer mais instabilidade.

“Eu não vou discutir isso (eleições diretas). A eleição direta não existe, ponto. A não ser que você fosse mudar a Constituição. Pode mudar a Constituição desde que não mexa nas cláusulas pétreas. Por exemplo, duração de mandato é cláusula pétrea”, declarou Goldman.” Então, se o Congresso discutir amanhã alguma mudança constitucional, vamos obedecer a mudança constitucional, conforme manda a Constituição”, concluiu o tucano, que também apontou entraves para aprovação de uma mudança que eventualmente convoque eleições diretas em caso de queda de Michel Temer, como propõe a PEC 227/2016.

“Mas se houver mudança de Constituição, você não sabe se essa mudança pode demorar um mês, seis meses, um ano (para ser aprovada). Eu diria que mudar a Constituição a um ano e meio das eleições de 2018 para mexer no processo eleitoral não tem o mínimo sentido. Não tem a mínima hipótese de isso acontecer, simplesmente não tem, não existe. A eleição indireta é aquilo que será e ponto final. Se for, porque para ser tem que haver a renúncia ou o afastamento de alguma forma do Presidente da República”, argumentou o tucano.

Goldman também afirmou que não negociaria com a oposição caso Temer caia.

“O mais importante que nós temos na frente como tarefa é fazer as reformas”, declarou.

Questionado se essas reformas teriam ou não o “referendo das urnas”, diante da forma em que o Governo Temer chegou ao poder – via Impeachment -, Goldman afirmou que o Congresso Nacional foi eleito pelo povo.

“Elas (as reformas) têm o referendo das urnas, vão ter referendo daqueles (parlamentares) que foram eleitos em 2014. Não fui eu que escolhi o Congresso em 2014, foi o povo que escolheu”.

O tucano não quis apontar um eventual candidato para as eleições indiretas, mas sinalizou que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ)

“Todos têm suas virtudes e todos têm seus senões. Rodrigo Maia é um sujeito muito hábil, com boa articulação, capaz, inteligente, conhece bem a política, tem experiência. Sem dúvida tem virtudes. Mas talvez ainda não seja, na minha opinião, um sênior. Falta um pouquinho ainda desse tempero para ele”, afirmou Goldman.

Na última questão, a entrevistadora afirmou que algumas pessoas, como o governador do Maranhão, Flavio Dino (PT), acreditam que Fernando Henrique deveria conversar com Lula para discutir uma saída para a crise e questionou se Goldman considera isso viável.

“Não”, respondeu o tucano. “Acho que a função do PT é outro caminho. O PT não quer resolver problema nenhum. O PT está tentando se salvar e ter algum resultado positivo em 2018, desgastar o máximo possível os outros. Para eles, quanto pior, melhor”, concluiu.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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