O jogo político que vai escolher o substituto de Eduardo Cunha

0

Votação para presidente da Câmara é secreta e está extremamente acirrada.

Análise – Rafael Bruza

Votação do Impeachment de DIlma Rousseff na Câmara dos Deputados / Foto - Reprodução
Votação do Impeachment de DIlma Rousseff na Câmara dos Deputados / Foto – Reprodução

O presidente da Câmara dos Deputados pode ser considerado o terceiro homem mais importante da República, tendo em vista que é o segundo na linha de sucessão da presidência do país, sucedendo ao vice-presidente diante de impedimento ou ausência do presidente.

Ele que decide quais propostas serão colocadas em votação no plenário, além de ser responsável, por exemplo, pela aceitação de pedidos de Impeachment (Eduardo Cunha aceitou o pedido de impedimento de Dilma quando estava na presidência da Câmara e sua eleição em fevereiro de 2015 mudou o rumo político do país em 2016).

Com a renúncia de Cunha, que tinha mandato até 2017, mas mesmo com a renúncia continua afastado da Câmara pelo STF diante dos escândalos de corrupção, o cargo de presidente ficou vago na “casa do povo”.

Então um novo presidente será eleito em votação que deve se estender durante a madrugada de quarta para quinta-feira (13 e 14 de julho). E o eleito terá um “mandato tampão” até fevereiro de 2017, quando ocorre nova votação que escolherá comandante da Câmara até 2019 (dois anos de mandato).

Manifestantes protestam em frente ao Congresso Nacional por eleição com voto aberto na Câmara / Foto - Reprodução
Manifestantes protestam em frente ao Congresso Nacional por eleição com voto aberto na Câmara / Foto – Reprodução

A falta de transparência

A confusão para entender a troca de apoios entre partidos e deputados vem sendo maior do que de costume porque o voto nessa eleição é secreto, ou seja, cidadãos e deputados não podem saber como cada representante votou, o que favorece especulações e a formação de acordos ocultos entre congressistas e partidos.

Além disso, acaba a garantia de que as legendas votarão em blocos. Então cada um vota como bem entender e os cidadãos perdem a possibilidade de avaliar seus representantes, realidade que inspirou uma manifestação feita em frente ao Congresso Nacional realizada nesta segunda-feira (11). Manifestantes estenderam faixas pedindo voto aberto na votação da quarta. Mas dificilmente serão atendidos, tendo em vista a carência de visibilidade da pauta.

A votação

Faltando um dia para a votação na Câmara, há 11 candidaturas registradas e o número deve subir, tendo em vista que deputados podem se registrar até às 13h do dia do início da disputa: quarta-feira (13).

O PMDB contrariou as declarações de Michel Temer ao escolher um candidato único para a votação.

O presidente interino afirmou diversas vezes que o Governo não pretendia lançar candidatura para evitar divisões entre seus aliados e o desgaste causado por uma eventual derrota.

A presidente afastada, Dilma Rousseff, e seu ex-ministro da Saúde, Marcelo Castro, agora candidato à presidência da Câmara dos Deputados, em entrevista coletiva / Foto - Reprodução (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A presidente afastada, Dilma Rousseff, e seu ex-ministro da Saúde, Marcelo Castro, agora candidato à presidência da Câmara dos Deputados, em entrevista coletiva / Foto – Reprodução (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Mas em decisão interna do partido feita nesta terça-feira (12) após mais de uma hora de reunião, o PMDB escolheu Marcelo Castro (PMDB – PI) como candidato único da sigla por 28 votos do total de 46.

Ele obviamente receberá votos de peemedebistas e o partido ficará relativamente dividido.

Além disso, como Castro foi ministro de Dilma Rousseff e votou contra o Impeachment, também pode ter apoio do PT e aliados da presidente Dilma Rousseff, que decidirão o posicionamento do partido na votação em reunião que será realizada na tarde de terça.

O PT busca candidato desde que optou por não apoiar Rodrigo Maia, do rival Democratas (DEM).

Segundo matérias da grande imprensa e da blogosfera progressista, Maia buscou votos em partidos mais à esquerda e partidos da oposição cogitaram apoiar o deputado (com aval de Lula) em estratégia de rachar a base de Michel Temer e evitar a vitória do candidato do “centrão”, aliado de Eduardo Cunha, Rogério Rosso (PSD – DF).

Quem também tem postura indefinida na votação do Impeachment é o PSDB. O senador Aécio Neves conversou recentemente com Michel Temer e disse que os tucanos não pretendem lançar candidato próprio nessa votação. Em troca, pediu que o Governo interino apoie o nome indicado pelo PSDB na votação de fevereiro de 2017, que escolherá o presidente da Câmara até 2019.

O senador Aécio Neves (PSDB - MG) conversa com o presidente interino, Michel Temer PMDB
O senador Aécio Neves (PSDB – MG) conversa com o presidente interino, Michel Temer PMDB

Teoricamente os tucanos votam em Rodrigo Maia (DEM – RJ), que é um tradicional aliado do PSDB. Mas segundo publicação do blog de Ricardo Noblat no jornal O Globo, Aécio procurou Michel Temer para dizer que o PSDB votará em Rogério Rosso, aliado de Cunha, por ter conhecimento do acordo feito entre o presidente interino e o ex-presidente da Câmara, que incluía a renúncia feita na semana passada (“saiba mais”).

A intenção é a mesma de antes: garantir que o Governo interino apoie o candidato apontado pelo PSDB na votação de fevereiro de 2017, tendo em vista que boa parte dos aliados de Temer apoia Rogério Rosso, inclusive Cunha e seus outros aliados.

De qualquer forma, o PSDB não manifestará apoio ostensivo a nenhum candidato e a informação de Noblat pode ser especulação (ou um grande furo).

Além de Rosso, que receberá votos do centrão e é visto como favorito, estima-se que Marcelo Castro tem grandes chances de chegar ao segundo turno da votação caso tenha apoio da oposição (PT, PC do B, entre outros).

Entre os candidatos também está Luiza Erundina, do PSOL de São Paulo e Fernando Giacobo (PR-PR), que também pertence ao centrão, bloco de deputados decisivo dentro do Governo.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

Facebook Twitter LinkedIn 

Comente no Facebook

Comments are closed.