‘O mundo quer ver a mulher jogar futebol’, diz técnico de time feminino

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Em entrevistas, os treinadores Fernando Ferraz e Thiago Nunes comentam suas experiências e visões sobre as mulheres no futebol.

Por Fabrício Rocha, na página Último Apito

Os treinadores Fernando Ferraz (esq.) e Thiago Nunes (dir).

Parece mentira, mais não é não, o futebol está longe de ser algo hoje em dia de exclusividade masculina, hoje em dia podemos dizer que foi mais uma barreira a ser quebrada no esporte brasileiro, demorou muito para as federações e instituições midiáticas olharem com bons olhos para o futebol feminino, aqui no estado de São Pulo o campeonato Paulista tem arrastado várias pessoas aos estádios para curtir o futebol Delas.

E fique cá pra nós elas mandam muito bem, melhor que muito jogador aí que diz ser o melhor do mundo. Esse ano foi muito importante para o futebol feminino, com a Copa do Mundo realizada na França, fez o mundo acordar que o lugar da mulher é sim nas quatros linhas correndo atrás da bola trazendo a emoção do gol.

Hoje tive a honra de conversar com dois grande técnicos aqui na página ÚLTIMO APITO e no Independente que estão trabalhando em equipes tradicionais aqui no estado de São Paulo e do Brasil com o futebol masculino, mais que nos últimos anos o futebol feminino tornou a “prata da casa”, de um lado um carioca, Fernando Ferraz de Abreu, treinando a equipe da ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA INTERNACIONAL DE LIMEIRA, do outro lado um americanense, Thiago Nunes que tem a honra de treinar as meninas do tigre da paulista.

Quem me concedeu a primeira entrevista foi o Fernando Ferraz, acompanhe abaixo.

Seu nome?
Olá Fabrício, boa tarde! Tudo bem sim e obrigado pela oportunidade de falar um pouquinho sobre o futebol. Meu nome é Fernando Ferraz, mas o pessoal me chama de “Carioca”.

Times onde trabalhou ou trabalha?

A Internacional de Limeira/AGRESPA é meu primeiro clube no futebol feminino profissional, mas também trabalho com as meninas no esporte universitário desde 2018.

Porque escolheu treinar o futebol feminino?

Desde o início da minha trajetória, sempre vislumbrei a possibilidade de trabalhar no feminino. Hoje o futebol masculino já está mais do estabelecido e consolidado. Então, pensei que ajudar a desenvolver o futebol feminino no Brasil seria algo muito desafiador e ao mesmo tempo gratificante, e até o momento estou muito feliz e satisfeito.

Como você vê o futebol feminino nos dias de hoje?

Hoje vejo que o futebol feminino está em um momento bem interessante. Além de duas série no Campeonato Brasileiro adulto, está ocorrendo o primeiro Brasileirão sub-18 e o Campeonato Paulista Sub-17, que iremos disputar agora a partir de agosto, já está na sua 3a edição, e vem crescendo ano após ano

Há muito ainda a ser aprimorado?

Com certeza. Disse anteriormente que o momento é interessante, mas apenas porque antes não existia absolutamente nada. Ainda é necessário muito trabalho para que as mulheres tenham a visibilidade e o respeito que merecem. Mas se engana quem pensa que o futebol feminino vai regredir devido à eliminação precoce na Copa do Mundo da França. Hoje, o mundo quer ver a mulher jogar, e o crescimento do futebol feminino no Brasil é um caminho sem volta. As mulheres vieram pra ficar.

Fale sobre o time que você está treinando?

Hoje a equipe feminina Sub-17 da Internacional de Limeira, em parceria com a AGRESPA, é uma equipe que vem evoluindo bastante e busca um trabalho a longo prazo. É uma luta árdua diária, mas alguns resultados já começam a aparecer e a tendência é melhorar cada vez mais. Nesse campeonato paulista, temos o objetivo de lutar pelo título, pois mesmo com menos investimento, podemos encarar os times da capital de igual pra igual. Somos capazes de vencer qualquer time sub-17 do Brasil. Não devemos nada pra ninguém.

Como é a estrutura?

A estrutura pra treino hoje é muito boa, não podemos reclamar. Treinamos em bons campos, boas academias, há transporte para as meninas e o clube hoje consegue lidar com todas essas situações. Claro, não estamos nadando em dinheiro, muito pelo contrário. Mas com trabalho sério, dentro e fora de campo, estamos nos organizando para seguir crescendo. Na Internacional/AGRESPA todos “jogam nas 11”, não há espaço para frescura, estamos sempre nos ajudando como uma família, para manter esse projeto, seguir evoluindo e buscando nossos sonhos.

Uma análise sua sobre o futebol feminino?

As meninas e mulheres do Brasil sabem jogar futebol, isso é um fato. Já tivemos resultados muito relevantes com pouquíssimo ou nenhum investimento, produzimos a melhor jogadora da história, e tenho certeza que em breve o Brasil vai se estabelecer como uma potência no futebol feminino, assim como é no masculino. Gostei bastante da escolha da Pia Sundhage para comandar a seleção principal, mas ela vai precisar de tempo para acertar as coisas dentro e fora de campo, e certamente terá muita dificuldade, vai ter de enfrentar resistências às mudanças necessárias que certamente aparecerão.

Segunda entrevista

Seu nome?
Boa tarde Fabrício é uma satisfação em pode falar com você e com sua equipe. Meu nome é Thiago Nunes, sou de Americana no interior de São Paulo.

Times onde trabalhou ou trabalha?
Trabalho com futebol a 8 anos, passei por alguns clubes do interior mais todos masculino, comecei minha carreira no União Agrícola Barbarense, depois Inter de Limeira e Rio Claro sendo todos com categorias de base masculino (sub11, Sub13, sub15 e sub17) atualmente estou a 3 anos no comando da categoria de base no Rio Branco E C Feminino.

Porque escolheu treinar o futebol feminino?

Cheguei ao futebol feminino devido aos bons trabalhos no Rio Claro, sendo convidado a assumir a categoria de base do time americanense.

Como você vê o futebol feminino nos dias de hoje?

Hoje o futebol feminino está em evidência contando com mais campeonatos voltados a categorias de base e o principal.
Creio que ainda é necessário que haja uma profissionalização melhor em todos os aspectos (técnico, tático e social).

Fale sobre o time que você está treinando
Como já mencionado dirijo as categorias de base do Rio Branco E C onde temos que trabalhar algumas desde a coordenação motora até chegarem a disputa de campeonatos de alto rendimento.

Como é a estrutura?
Em relação a estrutura ainda estamos caminhando com bastantes dificuldades desde materiais e espaços para treinamento como também apoiadores (patrocinadores).

Uma análise sua sobre o futebol feminino? 
Acredito que com o apoio da imprensa hoje o futebol feminino vem crescendo muito, e também com o apoio da CBF e das federações em criarem mais campeonatos para a modalidade o desenvolvimento acontecerá com mais facilidade, podendo realizar o sonho dessas garotas em fazer do futebol um dia como uma profissão para elas.

QUEM PENSA QUE O FUTEBOL É PARA HOMEM, NÃO PENSA COMO HOMEM, POIS FUTEBOL É DA MULHERADA SIM.ACOMPANHE ABAIXO A MINHA…

Posted by Último APITO on Tuesday, July 30, 2019
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