Onde erramos?

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Por Matheus Andreazzi.

Um mundo sem esperança é um mundo intrinsecamente destruído.

Quando perdemos a fé, há esperança?

Vi, estarrecido, a notícia de que um shopping proibiu a entrada de estudantes de uma escola pública, após eles procederem uma viagem de cinco horas, alegando que o ambiente alvo da excursão era “de elite”.

De elite é a paciência de quem é obrigado a conviver com tanta soberba.

Em pleno ano de 2019, século — acredite se quiser — XXI, casos como esse ainda são persistentes em nossa sociedade — não são raros, como tantos gostam de bocejar. Como jurista, me vejo numa situação calamitosa: onde o Direito errou? Onde a justiça falhou e tornou tamanha injustiça, absurdamente entristecedora, corriqueira?

Somos, enquanto sociedade, vítimas de um sintoma da equidade: inocente até que se prove o contrário. Isso é bom. Mas também ruim. Bom porque protege aqueles injustamente acusados e garante a todos a defesa e o esclarecimento dos fatos. Não há verdades absolutas. Ruim porque, mesmo em casos onde há clareza (como vídeos, fotos, gravações variadas), persiste a burocracia morosa para atingir a justiça — esta, tardia, e que não supre as dores.

Inexiste demérito na modéstia, na humildade. Esses jovens, oriundos da rede pública, em nada são inferiores aos seus pares da rede privada, seja enquanto pessoa ou seja enquanto estudante. Há, nessa segregação do shopping, ofensa ao mais básico direito humano: o da dignidade, dignidade esta que vem sendo violada diariamente pelos mais variados meios imagináveis — do “P”oder ao “p”oder.

Até quando resistirá, em nossa sociedade, essa dor? Sejamos mais humanos. É nisso, então, que erramos. Erramos em algo simples: em sermos humanos.

Jurista, sócio do IBCCrim e da OJB. Monarquista, um dos fundadores e Diretor Executivo do Instituto Monárquico e do Instituto Santa Joana D’Arc. Católico ferrenho, filósofo.

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