Onde está a transparência na luta contra o terrorismo?

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Dez brasileiros foram presos com aplicação da “Lei Antiterror”, mas ninguém sabe ao certo o que essas pessoas fizeram.

Opinião – Rafael Bruza

Agentes da Polícia Federal / Foto - Reprodução (Agência Brasil)
Agentes da Polícia Federal / Foto – Reprodução (Agência Brasil)

Dez pessoas foram presas sob o rótulo de “terroristas” nesta quinta-feira (21) basicamente por fazer comentários sobre o Estado Islâmico, comemorar os atentados terroristas de Orlando e de Nice, fazer comentários de intolerância racial, de gênero e religiosa e por entrar em contato com um site clandestino no Paraguai na tentativa de comprar um fuzil Ak-47, segundo as informações divulgadas.

Isso é o que nós, cidadãos, sabemos sobre a Operação Hashtag, feita em conjunto entre a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e agências de informação internacionais.

Foi a primeira vez que as autoridades do Brasil usaram a chamada Lei Antiterror para prender cidadãos brasileiros.

O caso corre em segredo de justiça e os detidos estão em prisão temporária por 30 dias, com possibilidade de estender a detenção por mais 30 dias, quando as competições das Olimpíadas já terão acabado.

As autoridades suspeitam que o grupo possa ser (repito, possa) uma célula do Estado Islâmico no Brasil.

O ministro da Justiça, Alexandre Moraes, disse que os suspeitos “passaram de simples comentários sobre Estado islâmico para atos preparatórios” de atentados terroristas.

Mas nenhuma informação, (e repito: nenhuma), indica o que são esses “atos preparatórios”. E se a Lei Antiterrorista prevê o crime de “realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito”, acho que é direito da sociedade saber por que e como esses suspeitos se cometeram crimes previstos na nova lei.

Então, pergunto: o que esses suspeitos pretendiam fazer, senhor ministro?

Não quero dizer que a ação foi errada, pois nem sei quais são as provas que fundamentam as prisões dos suspeitos. E se a Justiça de Curitiba (14ª Vara da Justiça Federal) autorizou a operação, só posso baixar minha cabeça e concordar com a visão do Judiciário, até porque não posso contestá-la por não ter as informações que esse poder dispõe.

Mas ressalto que terrorismo já é um tema que gera muita preocupação e pânico desmedido, pois nunca se sabe onde e quando os criminosos podem atacar.

E quando tratamos esse tema sem transparência absoluta, fazemos com que esse medo só aumente.

Ainda mais quando a imprensa inteira fala diariamente sobre a possibilidade de atentado, como se o ataque fosse certo, e grita nas manchetes que “10 terroristas brasileiros foram presos pela Polícia Federal” nesta quinta.

Ora, amigos, o rótulo de “terrorista” sempre foi aplicado de forma questionável pelos norte-americanos. Campanhas militares inteiras foram feitas sob essa justificativa. E algumas delas, como a do Iraque em 2003, onde nunca apareceram as tais “armas de destruição em massa” se mostraram completamente equivocadas.

Então eu, pessoalmente, exijo mais transparência para saber por que esses cidadãos foram presos e qual é o risco real de sofrermos um atentado terrorista durante as Olimpíadas.

Porque fico extremamente confuso com Temer dizendo que “está tudo bem”, a imprensa fazendo alarde e a Justiça prendendo cidadãos brasileiros usando a Lei Antiterrorista.

Pessoalmente duvido que o temido atentado ocorra. Mas entre tanta especulação, alarde e falta de transparência, não tenho como demonstrar esse ponto de vista.

Só me resta esperar o melhor… Ou me preparar para o pior.

É mole?

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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