Pão de Açúcar é acusado de vender ovos de galinhas engaioladas e submetidas a más condições

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Em 2017, a empresa anunciou compromisso de apenas vender ovos de galinhas livres até 2025, em suas marcas exclusivas, mas entidades consideraram a política “inaceitável” e fizeram abaixo-assinado exigindo o fim absoluto da compra e venda destes produtos.

Por Rafael Bruza

Desde 2017, entidades que defendem os direitos dos animais acusam supermercados do Grupo Pão de Açúcar (Extra, Pão de Açúcar e Assaí Atacadista) de vender ovos de galinhas presas em gaiolas e submetidas a más condições de higiene, saúde e espaço.

“Uma vida inteira em uma gaiola do tamanho de uma folha A4, sem sequer poder andar ou bater asas: essa é a triste realidade das galinhas pertencentes ao Grupo Pão de Açúcar. Os ovos botados por elas são vendidos de forma altamente questionável pelos supermercados da rede, que contemplam as redes EXTRA, ASSAI e Pão de Açúcar”, diz o abaixo assinado criado para exigir o fim desta prática.

As denúncias são feitas por organizações como a Mercy for Animals Brasil, Animal Equality e o Fórum Animal. As entidades apontam que as galinhas são “exploradas” como “meios de produção” e relatam casos de aves que entraram em estágio de decomposição, após falecer nas gaiolas, sem ser retiradas do local de produção de ovos.

“Em típicas granjas de produção de ovos em sistema de gaiolas, é comum ver aves em decomposição em meio a galinhas ainda botando ovos para serem comercializados”, afirma a Mercy for Animals Brasil, no site “PãodeAçúcar.InfernodasGalinhas.com.br – criado para denunciar o caso.

Procurada pelo Independente, a assessoria de comunicação do Grupo Pão de Açúcar afirmou que “repudia qualquer atitude que contrarie as boas práticas de bem-estar animal” e conta com uma política prevista em sua Carta Ética, em que “os fornecedores se comprometem a fornecer apenas produtos ou serviços em conformidade às liberdades listadas no Código Sanitário para os Animais Terrestres de2016 da Organização Mundial da Saúde Animal” – veja abaixo a nota na íntegra.

A companhia também diz que lançou uma linha produzida por galinhas livres de gaiola a um preço mais acessível do que as categorias Caipira e Orgânica, “à venda como marca Qualitá”.

“Além disso, a empresa realiza fiscalizações periódicas em seus fornecedores parceiros para garantir o controle de qualidade e conformidade com a legislação vigente quanto à segurança alimentar e o cumprimento da política de bem-estar animal”, diz a companhia, que alega trabalhar unicamente com fornecedores auditados pelo Ministério da Agricultura.

“O Pão de Açúcar conta com metas anuais desde 2017 de atingimento de crescimento em ovos livres de gaiolas, tanto para ovos de marcas exclusivas, quanto de outras marcas. As ações para alcançar esses objetivos são estruturadas em: comunicação no ponto de venda; desenvolvimento de fornecedores para aumento a oferta dos produtos e, paralelamente, realização de uma agenda com o MAPA para contribuir, a partir de seu papel de varejista, na sensibilização do setor e no fortalecimento das regulamentações dessa categoria”, afirma a empresa, na nota.

Compromisso até 2025

Depois das primeiras denúncias, o Grupo Pão de Açúcar anunciou um compromisso de, até 2025, comercializar em suas marcas exclusivas somente ovos de galinhas criadas livres.

A companhia se aponta como a primeira varejista a seguir este tipo de iniciativa e argumenta “que tem avançado na consolidação de uma Política de Bem-estar animal para galinhas poedeiras que prevê trabalhar em toda a cadeia de valor com  diretrizes e metas claras em um plano progressivo, respeitando o poder soberano de escolha do cliente”.

A prática persiste

As entidades autoras das denúncias, no entanto, consideram o compromisso insuficiente e acusam o Grupo Pão de Açúcar de seguir vendendo ovos de galinhas engaioladas.

“O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou uma politica livre de gaiolas APENAS para os ovos de marcas próprias. Declaramos que isso é inaceitável, pois dessa forma, o GPA poderá vender uma porcentagem bem maior de ovos de outras marcas – que utilizam gaiolas, em detrimento à marca própria. Ou seja: o GPA está, pouco a pouco, se livrando da responsabilidade de eliminar a tortura de galinhas em gaiola”, diz o abaixo assinado, criado pela Fórum Animal.

“O Grupo Pão de Açúcar, que contempla os supermercados Extra, Assai e Pão de Açúcar deve anunciar uma política de acabar de vez com produção de ovos em gaiola, tanto para marcas próprias quanto para outros fornecedores”, conclui a entidade.

Por fim, as ONGS indicam que concorrentes do Pão de Açúcar, como o Carrefourt, além de outras companhias, como a Starbucks, o McDonalds, o Burguer King e o Subway, já se comprometeram a não comprar nem vender ovos de galinhas confinadas em gaiolas, no Brasil.

Elas exigem que o Grupo Pão de Açúcar anuncie o compromisso de deixar definitivamente de comprar estes ovos e criaram um site para seguir fazendo as denúncias, no endereço paodeacucar.infernodasgalinhas.com.br

Nota do GPA na íntegra

O Pão de Açúcar repudia qualquer atitude que contrarie as boas práticas de bem-estar animal e conta com uma política de bem-estar animal, prevista em sua Carta Ética em que os fornecedores se comprometem a fornecer apenas produtos ou serviços em conformidade às liberdades listadas no Código Sanitário para os Animais Terrestres de2016 da Organização Mundial da Saúde Animal.

Além disso, a empresa realiza fiscalizações periódicas em seus fornecedores parceiros para garantir o controle de qualidade e conformidade com a legislação vigente quanto à segurança alimentar e o cumprimento da política de bem-estar animal. Vale reforçar ainda que o Pão de Açúcar trabalha unicamente com fornecedores auditados pelo Ministério da Agricultura.

Adicionalmente, a rede foi a primeira varejista a firmar um compromisso em comercializar apenas ovos de galinhas criadas livres de gaiola até 2025 em suas marcas exclusivas (anunciado em 2017), e que tem avançado na consolidação de uma Política de Bem-estar animal para galinhas poedeiras que prevê trabalhar em toda a cadeia de valor com  diretrizes e metas claras em um plano progressivo, respeitando o poder soberano de escolha do cliente. Apenas três meses após o anúncio do compromisso, a empresa lançou uma linha produzida por galinhas livres de gaiola a um preço mais acessível do que as categorias Caipira e Orgânica, à venda como marca Qualitá.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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