Pedro Sánchez terá papel fundamental no futuro político da Espanha

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Entenda como a vitória de Sánchez no Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE) irá determinar a continuação ou impasse do Governo do conservador Rajoy, diante de um impasse político que o país vive desde 2015.

Análise – Por Adrián Argudo, com edição de Rafael Bruza

O recém-eleito secretário geral do PSOE, Pedro Sánchez, em imagem de 2014 / Foto – Reprodução

O recém-eleito secretário geral do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, começou carreira política apresentando-se nas votações prévias de junho de 2014, quando disputou a liderança da sigla contra Perez Tapia e Eduardo Madina. Na ocasião, Sánchez ganhou a disputa e foi secretário-geral por 2 anos, até outubro de 2016, quando renunciou dentro de um contexto de “racha” e revolta contra suas decisões em relação ao governo conservador de Mariano Rajoy.

Com 138 anos de existência, o PSOE é uma das principais legendas da Espanha.

Nas últimas décadas teve dois presidentes eleitos – Felipe Gonzáles (1982-1996) e José Luis Rodrigues Zapatero (2004-2011), que saiu do cargo no contexto da Crise Econômica Mundial de 2008.

Mas, nas eleições de dezembro de 2015 e junho de 2016, a sigla encabeçada por Pedro Sánchez teve os piores resultados eleitorais de sua história, abalado em parte pelas novas aparições de partidos à esquerda, como o Podemos, por escândalos de corrupção e pela crise de representação em que a Espanha ficou 10 meses sem formar Governo.

Perdeu-se, então, toda capacidade psoelista de governar o país.

Neste contexto, começou um movimento de revolta e racha no partido, onde apareceram várias correntes diferentes que até contrastavam em alguns pontos.

Na Andalucia, sul da Espanha, cresceu a figura de Suzana Dias, presidente do PSOE nesta região, e no País Vasco, norte do país, surgiu o ex-presidente do governo regional, Patxi López, ambos candidatos nas primárias do PSOE feitas neste domingo (21).

A renúncia de Sánchez

A situação se agravou quando o madrilenho Pedro Sánchez decidiu renunciar ao cargo de secretário-geral em outubro de 2016.

O contexto era o seguinte: o PP, vencedor da eleição de junho, tinha dificuldade para formar governo graças à grande fragmentação no Congresso, oriunda das urnas. As siglas eleitas não fecharam acordos entre si. A Espanha continuaria sem formar governo, estendendo o impasse que já durava 10 meses e exigiria convocação de novas eleições gerais.

Os 85 deputados do PSOE podiam evitar essa situação abstendo-se na votação de Rajoy no Congresso. O partido ficou rachado entre filiados que defendiam a abstenção e a formação do Governo conservador e outros que preferiam o voto contra Rajoy.

Pedro Sánchez seguiu o caminho da abstenção, contrariando orientação do partido. Renunciou ao ao mandato de deputado, cargo de secretário-geral, se absteve na votação, junto com 68 deputados da sigla, e viu o conservador Mariano Rajoy sendo novamente eleito presidente da Espanha por 170 votos favoráveis, contra 111 contrários e 68 abstenções – justamente as do PSOE.

Os militantes e filiados do partido obviamente ficaram indignados com a decisão de Pedro Sánchez, que permitiu a formação e manutenção do governo conservador, responsável pelas políticas de austeridade alinhadas com a Europa de Merkel e aplicadas na Espanha desde a saída de Zapatero.

O racha se agravou e o PSOE teria que escolher um novo secretário-geral em 2017. As eleições foram feitas neste domingo (21), com três candidatos: Suzana Dias, Patxi López e Pedro Sánchez.

Para surpresa de muitos, Sánchez venceu com 73.503 votos, dez pontos percentuais à frente de Susana Díaz (58.471 votos), e na frente também de Patxi López terceiro colocado, com 14.395 votos.

Boa parte da militância ficou com sensação de que o recém-eleito faria “mais do mesmo” na liderança dos sociealistas, em situação que significaria o fim político do PSOE.

Outros entenderam que o recém-eleito secretário-geral aparece como um Rocky Balboa, que apanha, cai, mas se levanta e ganha a luta, sendo erguido por simpatizantes fiéis.

O futuro da Espanha

Apenas filiados votam nas primárias do PSOE, obviamente, mas a nomeação de Sánchez exerce influência sobre todo cenário político espanhol.

Apesar de se abster na votação que elegeu Rajoy presidente da Espanha novamente, Sánchez defende que o partido socialista jamais negocie e feche aliança com o conservador PP.

Em contrapartida, vê possibilidade de negociação com o Podemos, partido que surgiu das manifestações de rua de 2011.

A tendência é que Sánchez, o PSOE e Podemos façam oposição ferrenha a Rajoy e se posicionem contra todas suas medidas. Caso o presidente se encontre sem condições de governar, as eleições gerais seriam antecipadas para que a Espanha tentasse novamente a formação de um governo com maioria.

Em outras palavras: a decisão de Sánchez determinará se a Espanha fica com o governo conservador eleito em outubro ou se o país precisará antecipar as eleições novamente.

Hopóteses à parte, ainda é preciso dar tempo ao tempo para ver como as forças políticas se organizam neste cenário instável, mas aparentemente fixo e definido, que se instaurou na maior parte do território a Península Ibérica.

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