PM usa explicação controversa para reprimir protesto contra Temer em SP

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Em ato de 100 mil pessoas que incluía famílias inteiras e crianças, segundo organizadores, a PM disse que “vândalos” quebraram catracas e obrigaram a intervenção com “uso moderado da força”. Outras informações que desmentem essa versão.

Por Rafael Bruza * com informações do jornal El País e vídeos dos Jornalistas Livres

Policiais posicionam escudos durante manifestação contra Michel Temer em SP (esq.) e manifestantes descem a avenida Paulista em direção ao Largo da Batata, onde houve confronto com a PM / Foto – Reprodução (Conversa Afiada – Povo Sem Medo)
Policiais posicionam escudos durante manifestação contra Michel Temer em SP (esq.) e manifestantes descem a avenida Paulista em direção ao Largo da Batata, onde houve confronto com a PM / Foto – Reprodução (Conversa Afiada – Povo Sem Medo)

A Polícia Militar do Estado de São Paulo reprimiu com violência um protesto contra Michel Temer realizado neste domingo (04) com organização dos coletivos Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo. A manifestação convocada no vão do MASP, na Avenida Paulista, atraiu cerca de 100 mil pessoas, segundo os organizadores, e acabou no Largo da Batata, zona oeste da capital, onde aconteceu a confusão com a PM. Havia gente de movimentos sociais, jovens e até famílias inteiras com idosos e crianças de colo.

Políticos como Eduardo Suplicy e Luiza Erundina participaram do protesto. A caturnista Laerte e o líder do MSTS, Guilherme Boulos, também estiveram presentes no ato.

O protesto contra o presidente Michel Temer correu pacificamente desde o início às 16:30 até às 20:30, aproximadamente. Os manifestantes andaram cerca de 5 km entre a avenida Paulista e o largo da Batata.

Milhares de pessoas ocupam as ruas em São Paulo pela mesma causa: #ForaTemer

Posted by Mídia Ninja on Sunday, September 4, 2016

Quando os manifestantes começaram a ir embora do ato nas proximidades da estação Faria Lima do Metrô da capital, houve uma confusão e a Polícia Militar jogou bombas de gás lacrimogênio para dispersar a multidão.

Dentro da estação de metrô, alguns manifestantes começaram a passar mal. Alguns deles relataram que ficaram encurralados.

COVARDIA DA PM NO ATO FORA TEMER 4 de setembro de 2016, metrô Faria LimaO pânico tomou conta da multidão ao ser impedida pela PM de se proteger das explosões.

Posted by Jornalistas Livres on Sunday, September 4, 2016

Um policial socorreu um bebê e uma mãe que estavam no local.

metrô Faria Lima – 4 de setembro de 2016 – Pânico

PÂNICO NO METROMãe desesperada para proteger os filhos (um deles bebê) do gás das bombas da polícia. Colaboração do Ismael Mariguella para os Jornalistas Livres

Posted by Jornalistas Livres on Sunday, September 4, 2016

Do lado de fora, as pessoas se protegeram em bares e negócios da zona. O jornal El País entrevistou uma cidadã que presenciou um policial militar jogando uma bomba dentro de um bar. “Paramos para comer em um bar e a polícia covarde e canalha, sem motivo algum, jogou uma bomba de gás dentro do estabelecimento”, disse a publicitária Marinana ao jornal.

Outros relatos dizem que uma bomba também foi jogada dentro de um ônibus.

O fotógrafo Maurício Camargo foi atingido e um jornalista da BBC Brasil recebeu golpes de cassetete mesmo com a identificação de jornalista.

“Sai da frente! Vaza, vaza!”, diziam ao menos quatro policiais pouco antes de me atingir com golpes de cassetete no antebraço direito, na mão esquerda, no ombro direito, no peito e na perna direita. Um deles ainda me chamou de lixo, mas o áudio do vídeo que fiz não captou.

O Grupo de Apoio ao Protesto Popular indicou que 12 pessoas foram atingidas pela PM. Cinco foram intoxicadas com gás, quatro pos estilhaços de bomba e três por bala de borracha.

Segundo relatos de repórteres do El Pais e do Diário Centro do Mundo que acompanharam o protesto, a repressão policial começou depois que um grupo começou a gritar “pula catraca”, “catraca livre” e “abre a catraca” (para que manifestantes fizessem viagens grátis e diminuíssem o fluxo de pessoas).

O perfil de Twitter da Polícia Militar disse que o protesto era inicialmente pacífico, mas que “vândalos” obrigaram a PM “a intervir com uso moderado da força”, usando “munição química”.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, controlada pelo Governo de Geraldo Alckmin, divulgou uma nota dizendo que um princípio de tumulto na estação “se transformou em depredação. Vândalos quebrando catracas, colocando em risco a vida de funcionários”.

A concessionária responsável pela estação Faria Lima indicou que a confusão gerou uma lixeira, uma luminária e uma catraca quebrada. Não há informações sobre como ou quando esses objetos foram quebrados.

Repórteres da CBN (Grupo Globo) foram informados por seguranças do metrô que não houve depredação.

Segundo os Jornalistas Livres, 26 jovens foram detidos durante o protesto e continuam presos nesta segunda-feira, acusados de associação criminosa e corrupção de menores. Eles foram detidos por andarem com pedras na mochila, coisa que negam.

Cidadãos pretendem usar a hashtag #ViolenciaDaPM para unir fotos, vídeos e informações sobre os atos de violência policial.

Em seu perfil de Facebook, o senador Lindberh Faria (PT-RJ) disse que a PM deu “show de vandalismo”.

“Ao final de uma imensa e emocionante passeata, a PM do governo tucano atirou bombas sem a menor justificativa, quando as pessoas já começavam a se despedir. Eu, Paulo Teixeira e Roberto Amaral fomos atingidos pela nuvem de gás, sendo que Amaral ainda foi ferido por um estilhaço de bomba no braço. É inadmissível tamanha afronta ao direito democrático de manifestação”.

O senador e o deputado Paulo Teixeira vão dar uma entrevista coletiva no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo para denunciar a violência da PM.

O proteso contra Michel Temer realizado no domingo (05) / Foto - Reprodução (Povo Sem Medo)
O proteso contra Michel Temer realizado no domingo (05) / Foto – Reprodução (Povo Sem Medo)

A manifestação

Foi o maior ato feito até agora contra o presidente Michel Temer. Outros protestos foram realizados desde que Dilma foi afastada definitivamente de seu mandato, na quarta-feira (31). Esses protestos anteriores receberam mais jovens e membros de movimentos sociais, o que amplia o clima de rivalidade entre policiais e manifestantes. Mas na manifestação deste domingo, onde famílias inteiras e idosos também estavam presentes compondo uma maioria pacífica.

Antes da manifestação do domingo, Michel Temer disse na China, onde se encontra desde quarta para participar da Cúpula do G-20, que os atos contra seu governo não representam a vontade da maioria.

Há duas manifestações marcadas nesta semana, uma no feriado de 7 de setembro (Dia da Independência) e outra para o dia 8 de setembro.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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