Polícia Federal indicia dona de triplex no Guarujá em relatório final

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A publicitária Nelci Warken foi apontada para a Justiça como dona de um dos apartamentos suspeitos e o ex-presidente Lula não foi indiciado pela PF.

Informação – Rafael Bruza

Edifício do Condomínio Solaris, no Guarujá, cujas unidades foram investigadas na 22ª fase da Operação Lava a Jato / Foto - Reprodução
Edifício do Condomínio Solaris, no Guarujá, cujas unidades foram investigadas na 22ª fase da Operação Lava a Jato / Foto – Reprodução

A Polícia Federal entregou na sexta-feira (12) à Justiça o relatório final sobre a 22ª fase da Operação Lava a Jato, batizada de “Triplo X” e realizada dia 27 de janeiro de 2016 para investigar “todos os apartamentos” do Condomínio Solaris, na praia de Astúrias, no Guarujá (SP), segundo afirmou na época o procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima. A publicitária, Nelci Warken, admitiu ser a dona do tríplex 163 – B, que estava em nome da offshore Murray Holdings. Ela foi indiciada pela PF no relatório junto com funcionários da Mossack Fonseca no Brasil.

O apartamento que supostamente pertence à Lula é a unidade vizinha: o apartamento 164 – B, cuja dono formal é a empreiteira OAS. No relatório, a PF afirma que este e outros nove imóveis podem pertencer “a terceiros que se valham do expediente para ocultar patrimônio”.

O relatório aponta os donos registrados das unidades suspeitas no Condomínio Solaris:

Página 6 do relatório da PF que aponta os donos dos imóveis (destaques para o apartamento 164 - B, onde Lula é suspeito, e 163 - B, que pertence confirmadamente à Nelci Warken
Página 6 do relatório da PF que aponta os donos dos imóveis (destaques para o apartamento 164 – B, onde Lula é suspeito, e 163 – B, que pertence confirmadamente à Nelci Warken

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus familiares não foram indiciados no caso. Outro inquérito apura o suposto pagamento de propina ao ex-presidente através de reformas no apartamento 164 – B e a relação de Lula com o imóvel.

A defesa de Lula pediu acesso a essa investigação na quinta-feira, mas ainda não há decisão sobre o caso.

Além de Nelci Warken, o relatório final da PF indiciou Maria Mercedes Riaño, chefe do escritório da Mossack Fonseca no Brasil, Luiz Fernando Hernandez, Rodrigo Andrés Cuesta Hernandez, Ricardo Honorio Neto e Renata Pereira Britto, que eram funcionários do escritório de advogacia Mossack Fonseca, também envolvido no escândalo de sonegação internacional Panamá Papers.

A PF descreve a Mossack Fonseca como uma “organização criminosa caráter internacional.”

As diligências efetuadas revelaram que a atividade principal da Mossack guardava relação com a abertura de empresas offshore, de forma a ocultar seus verdadeiros sócios e responsáveis. Nesse sentido, todos os que trabalhavam na empresa tinham plena ciência de que atuavam em um mercado voltado à demanda do trânsito de valores e bens de origem suspeita e duvidosa. Por tal motivo, foram indiciados como incursos no art. 1, par. 2º, inciso II da Lei 9.613/98 (que trata sobre lavagem de dinheiro”, diz o trecho do relatório.

O juiz federal Sérgio Moro tornou o relatório público na tarde desta quinta-feira (18). Confira a íntegra do documento “clicando aqui”.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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