Porta-voz diz que Bolsonaro ‘não comentou’ os 80 tiros do Exército contra um carro de família

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O general Rêgo Barros disse que o presidente ‘confia na Justiça Militar’, responsável julgar o crime dos militares, graças a uma lei sancionada por Michel Temer em 2017.

Por Rafel Bruza

O porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros (esq.) ao lado do presidente Jair Bolsonaro, durante transmissão ao vivo, e o carro fuzilado pelo Exército, onde Evaldo Rosa dos Santos faleceu, atingido por parte dos 80 tiros disparados pelos militares

Nesta segunda-feira (08) o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) “não comentou” o fuzilamento do carro de uma família em Guadalupe, na zona norte do Rio, no domingo (07), feito por militares do Exército.

Questionado sobre o caso, Rêgo Barros disse apenas que o presidente “confia na Justiça Militar” – responsável por julgar os militares que mataram Evaldo Rosa dos Santos, ao disparar mais de 80 vezes contra o veículo de sua família.

“Ele (Bolsonaro) não comentou, mas confia na Justiça Militar, nos esclarecimentos que o Exército dará por meio do inquérito e espera que eventos de igual similitude não venham a ocorrer”, disse o porta-voz após cerimônia de sanção do novo cadastro positivo, no Palácio do Planalto.

Nesta segunda-feira, o Comando Militar do Leste informou que prendeu dez dos 12 militares ouvidos após o fuzilamento do carro da família, que matou o músico Evaldo.

O crime é investigado pela Polícia Judiciária Militar, sob supervisão do Ministério Público Militar.

Os militares que fuzilaram o carro da família do músico passarão por audiência de custódia na Justiça Militar da União.

Eles são julgados pelo próprio Exército, graças a Lei da Câmara n° 44/2016, sancionada por Michel Temer, em 2017.

O texto transfere justamente para a Justiça Militar o julgamento de casos envolvendo integrantes das Forças Armadas que praticarem crimes, enquanto atuam em ações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

Na época do trâmite e sanção presidencial, entidades de Direitos Humanos classificaram a lei como uma “licença para matar”.

A Human Rights Watch, entidade internacional de direitos humanos, divulgou nota condenando a ação do Exército no RJ e cobrando investigação “imparcial e rigorosa” do caso.

A organização criticou o fato de os militares ficarem sujeitos à uma investigação feita por outros militares, contrariando normas internacionais, que apontam que “execuções extrajudiciais e outras graves violações de direitos humanos cometidas por militares das Forças Armadas devem ser investigadas por autoridades civis e julgadas em tribunais civis”.

Evaldo Rosa dos Santos morreu na hora da ação do Exército, atingido por parte dos mais de 80 tiros disparados por militares em direção ao veículo no qual estava com a família, dirigindo-se a um chá de bebê.

À Ponte falou com um familiar da vítima logo após o crime.

“Estava tendo tiroteio em Guadalupe, então eles (militares) acharam que era do carro. Eles atiraram e uma familiar minha, que pegou o filho dela e ele estava no carro, gritou: ‘É carro de família’. Não tinha vidro fumê, foi execução. Eles atiraram, só teve tempo dos outros saírem do carro, menos o marido dela, que estava de motorista. Depois que o tiro acertou, eles continuaram acertando. Tem vídeo mostrando quantos disparos foram, foi execução”, explica.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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